Vitória (ES), edição de 03 de novembro de 2004
 
Aparecida cobra investigações sobre os bens de Pagotto



Priscilla Coelho
Foto capa: Carlito Medeiros


A advogada Aparecida Denadai, irmã do advogado Joaquim Marcelo Denadai - assassinado em 15 de abril de 2002 -, estranhou o fato de a Ong Transparência Capixaba ter pedido ao GRCO para investigar o patrimônio do prefeito eleito de Vitória, João Coser (PT), ao invés de investigar os bens do empresário Sebastião Pagotto, acusado de ser o mandante do crime e que tem contratos milionários com a prefeitura de Vitória e o governo do Estado.

Para Aparecida, "se a Ong busca uma administração transparente, como o próprio nome diz, por que a entidade não pediu para que o patrimônio de Pagotto seja investigado? Acho que será um bom momento para pedir informações junto à prefeitura de Vitória sobre o andamento do contrato milionário e fraudulento com Pagotto, que foi objeto de investigação criminal".

A advogada também questionou: "Se os bens de Coser serão investigados, por que os de Pagotto não serão? Justamente ele, que continua recebendo dinheiro dos cofres públicos, podendo bancar uma defesa a cargo do melhor advogado do País, o Nabor Bulhões, que defendeu o ex-presidente da República Fernando Collor?"

Na avaliação da advogada, a atitude da Ong Transparência Capixaba é no mínimo estranha, já que o prefeito eleito declarou seus bens à Receita Federal e nenhum questionamento foi feito pelo órgão sobre a origem do seu patrimônio.

"Se a Receita não questionou, por que a Ong quer justificativas sobre isto? Não é só a família do meu irmão que espera uma resposta sobre o contrato fraudulento que o Pagotto vem renovando com a prefeitura de Vitória há mais de quatro anos. Toda a sociedade também busca uma resposta sobre este assunto", ressaltou Aparecida.

Ela também fez um apelo ao Ministério Público e às polícias para que "seja dado um basta nesta corrupção, até que não se pague mais com vidas, como custou a do meu irmão". Para Aparecida, "o Espírito Santo está completo de impunidade, já que Pagotto está circulando normalmente pela cidade, como se não tivesse feito nada".

O empresário e ex-militar Sebastião Pagotto foi indiciado pela Polícia Federal como o mandante do assassinato do advogado Marcelo Denadai. Até agora seis pessoas ligadas ao crime foram mortas, mas as autoridades estaduais mantêm silêncio sobre o assunto.

Antes do contrato com a PMV, Pagotto já tinha outro contrato originário de licitações fraudulentas com a prefeitura de Cariacica, de R$ 2,9 milhões, firmado entre 1998 e 1999. Este foi fechado em nome da empresa Desentupidora Lider, para a limpeza de fossas e galerias do município.

O Tribunal de Contas do Estado, depois de constatar as irregularidades, exigiu que o empresário devolvesse pelo menos R$ 590 mil aos cofres da administração municipal. Mas para Pagotto continuar participando de licitações, ele abriu outra empresa, a Hidrobrasil Serviços de Limpeza e Saneamento. Foi através desta que ele assinou mais um contrato, desta vez com a prefeitura de Vitória. Também na mesma época e com o mesmo objetivo.