Vitória (ES), edição de 04 de novembro de 2004
 
Transparência tenta mas não consegue justificar
desinteresse por negócios de Pagotto com governo



Da Redação


Em longo arrazoado enviado à direção deste veículo, o dirigente da Ong Transparência Capixaba, Leonardo Barreto, tentou justificar o fato de sua organização jamais ter se interessado pelos negócios suspeitos entre o empresário Sebastião Pagotto e o governo do Estado e a prefeitura de Vitória. Ele disse que não tem informações a respeito, embora se declare leitor deste jornal, que vem cobrindo o fato com riqueza de detalhes. Pagotto foi indiciado como mandante do assassinato do advogado Marcelo Denadai, mas mantém contratos de quase R$ 5 milhões com a PMV e de quase R$ 3 milhões com o governo do Estado, via Cesan. A irmã de Marcelo, a também advogada Aparecida Denadai (foto), estranhou o fato de essa Ong ter acionado o Grupo de Repressão ao Crime Organizado (GRCO) para investigar o patrimônio de João Coser, com base em insinuações do deputado estadual César Colnago, e jamais ter pedido qualquer investigação sobre Pagotto. Barreto diz que Aparecida é que tem de agir para que os matadores de seu irmão sejam punidos.

Leiam, na íntegra, sem revisão, as alegações de Leonardo Barreto:

"Acerca da reportagem relacionada com a Transparência Capixaba, temos o seguinte a declarar:

Inicialmente, quero parabenizar o jornal eletrônico pela sua coragem em abordar temas empolgantes, e afirmar que acompanhamos diariamente todas reportagens e opiniões sobre os acontecimentos relacionados ao Estado do Espírito Santo.

Quanto ao ofício enviado ao GRCO para apurar as denúncias ou insinuações formuladas pelo candidato César Colnogo contra João Coser, o que queremos saber apenas é quem está com a verdade, ou seja, se o alegado pelo Colnago é mentira e o patrimônio de Coser é compativel com os seus rendimentos, ou se tal suspeita levantada por Colnago é verdadeira. Nunca desconfiamos ou duvidamos de Coser ou de Colnago, entretanto, achamos que tais insinuações não podem ficar apenas no campo eleitoral, afinal precisamos de acreditar no que os homens públicos dizem. No caso em tela, as suspeitas e insinuações foram levantadas por Colnago contra Coser, não por nós.

Achamos ainda, que é possivel um cidadão possir muito dinheiro fora do país e não possuir qualquer imóvel em seu nome, o que não lhe dá garantia de probidade. Por outro lado, achamos que é possível um homem construir uma casa em 30 anos de trabalho. O senador Gerson Camata, por exemplo, mora na ilha do frade, o que não quer dizer que ele seja desonesto, ok? Existe Promotor e Juiz, que são vizinhos do Coser e nem por isso posso imaginar que sejam desonestos. Repito, a acusação é de Colnago, por isso a denúncia deve ser investigada, como qualquer outra que surgir, o que não pode é a sociedade ficar sem resposta.Toda denúncia deve ser investigada e se o denunciante estiver mentindo poderá ser processado e desmoralizado. Quanto ao caso Pagoto, tanto a Transparência Capixaba, como qualquer do povo, deve pedir as investigações que entender necessárias, principalmente a Dra. Aparecida Denadai, profissional habilitada, que respeitamos, e que demonstra ter conhecimento sobre os fatos, além de conhecer os tramites judiciais e investigativos. A Transparência é apenas mais uma ong, a serviço do controle social da administração pública, não pretendendo deter o monopólio da fiscalização do poder público. Qualquer um, a imprensa, o cidadão, Dra. Aparecida, poderá requerer apurações ao poder público. Jamais me esquivei sobre o assunto. Tenho a dizer que não possuo qualquer informação sobre o mesmo. A própria Dra. Aparecida, quando assinou o termo de compromisso com a Transparencia Capixaba disse que levaria muitas denúncias ao GRCO.

Que as faça. Estamos aqui para apoiar qualquer pedido que tenha como objetivo dar transparência a administração pública seja contra qualquer pessoa. Quanto a CPI da lama, pelo que sei, a mesma foi trancada por ordem judicial, mas, teve acompanhamento do Ministério Público. É bom que se diga, que os fatos aconteceram antes da fundação da nossa ONG, mas, independente disso, estamos à disposição para colaborar no que se fizer necessário para o esclarecimento da verdade no âmbito da administração pública. Não sou filiado a qualquer partido político e recebo a todos, como sempre fiz, inclusive me coloco à disposição do jornal e da Dra. Aparecida Denadai para o que se fizer necessário. Outrossim, fizemos alguns pedidos de investigação, que não foram divulgados, como foi o caso envolvendo o Coronel Mario Natali e diárias e viagens na ALES. Registro que só o MP pode investigar esse tipo de coisa, vez que podem requisitar documentos, tomar depoimentos, perícias, etc... Para nós, cabe a cobrança e o acompanhamento.

Conte conosco. Atenciosamente, Leonardo da Costa Barreto".