Bizarro!




O escândalo dos contratos entre a Cesan e a Hidrobrasil - empresa de Sebastião Pagotto, indiciado pela Polícia Federal como mandante do assassinato do advogado Marcelo Denadai - teve repercussão nacional. O colunista Ancelmo Góis, de "O Globo", noticiou o fato, atribuindo os contratos a um "padrinho forte" que Pagotto teria no Estado.

Mas o curioso é que o escândalo, noticiado em primeira mão por este Século Diário, mereceu da Cesan, para circulação interna, um texto bizarro, para dizer o mínimo de tudo o que ali está escrito.

A redação é primária, lembrando uma dissertação escolar do ensino fundamental. Leva a chancela de Hélio de Souza, o responsável pelas licitações e pelos contratos da Cesan.

Atente o leitor para a abertura do texto (que vai transcrito sem correções): "Recentemente, tivemos conhecimento da maliciosa denúncia de suposto favorecimento por parte CESAN a determinada empresa, com a qual a Companhia mantém contratos. Matéria essa, veiculada em nossa intranet, disponibilizada diariamente para leitura dos empregados".

O trecho transcrito integra a parte risível do texto. O trágico dele é que o autor quer fazer crer que os empregados estão apoiando a empresa nessa tenebrosa transação entre ela e o mandante de um assassinato.

Com isso, a Cesan se desobriga de fazer a própria defesa diante de uma denúncia da maior gravidade. Seguindo uma prática peculiar ao grupo a que pertencem os atuais dirigentes da empresa - que se consideram do Bem -, eles se limitam a dizer que a denúncia "não guarda qualquer compromisso com a realidade dos fatos".

Desqualifica o próprio jornalista de "O Globo", um dos profissionais mais respeitados da imprensa nacional. E tenta jogar uma cortina de fumaça sobre o escândalo com essa história de que os empregados estão ao lado da empresa nesse vergonhoso episódio.

Se estivessem, a nota interna seria desnecessária. Agora preste o leitor atenção a este trecho para ver se temos ou não razão: "Esta nossa impressão, compartilhada por outros colegas, decorreu da INEXISTÊNCIA de comentários apressados e maliciosos ti-ti-tis pelos corredores, prejulgamento de possíveis nomes de envolvidos, que pudessem conduzir a corporação a dúvidas e incertezas sobre a real procedência da inconsistente denúncia. Fatos muito comuns de acontecerem em ocasiões da espécie".

O que Hélio de Souza tenta dizer, com seu estilo canhestro, é que em vez de "comentários maliciosos" nos corredores da Cesan, o que se viu foram manifestações de regozijo pelos contratos que a empresa assinou com o crime organizado.

É fazer pouco da inteligência dos cidadãos capixabas. E pior: envolver todo o quadro funcional da empresa na maracutaia.

Bizarro!