Reeleito com 3.792 votos, o vereador Antônio Denadai (PL), de Vitória, presidente da CPI da Lama, vai cobrar à Procuradoria da Câmara a reabertura dos trabalhos. O Supremo Tribunal Federal (STF) já se decidiu pela reabertura, mas o acórdão da decisão, que deveria ter sido publicado 15 dias depois, ainda não saiu no Diário Oficial. A CPI identificou erros e falsificações na concorrência do contrato do "laranja" de Sebastião Pagotto, dono de fato da Hidrobrasil e indiciado como mandante do assassinato do advogado Marcelo Denadai, que reuniu as provas do caso. O contrato com a firma de Pagotto, que deve chegar a R$ 9 milhões com os aditamentos, foi feito com a prefeitura de Vitória e ainda está em vigor.
Nesta terça-feira (5) o vereador Denadai está oficializando no plenário da Câmara Municipal o pedido. "A prefeitura de Vitória está lavando dinheiro com o sangue de meu irmão", disse o vereador ao se referir ao assassinato do advogado Marcelo Denadai, que forneceu os documentos para a CPI da Lama.
"Eu quero o retorno da CPI para concluir os trabalhos e provar com documentos que a concorrência foi fraudada com documentos falsos", disse e o vereador, que aguarda a publicação do acórdão contendo a decisão do Supremo. Esta decisão cassa a liminar do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) concedida à prefeitura paralisando as investigações da CPI.
A CPI concluiu que, além a falsificar a certificação técnica da Hidrobrasil Serviços de Limpeza e Saneamento, Pagotto apenas mudou a razão social da empresa, que se chamava Desentupidora Líder e que prestava serviços à prefeitura de Vitória desde a administração que antecedeu a do prefeito Luiz Paulo Vellozo Lucas. A empresa foi denunciada no Tribunal de Contas do Estado por irregularidades estimadas em R$ 12,5 milhões contra a prefeitura de Cariacica. Por isso teve de mudar de nome para participar da concorrência do contrato milionário de Vitória.
Para isso, ele colocou a telefonista da Desentupidora Líder, Edna Mara Pereira Pinto, como dona da empresa. Mas até alguns dos impressos, os telefones e os endereços eram de Desentupidora Líder. Pelo fato de ter feito essa descoberta e passado os documentos para o irmão vereador que presidia a CPI da Lama é que o advogado Joaquim Marcelo Denadai foi morto a mando do empresário Pagotto.
De acordo com o colunista Ancelmo Góis, de "O Globo", em nota publicada no último dia 3, o empresário e ex-militar Sebastião Pagotto tem um "padrinho forte". Indiciado como mandante da morte do advogado Marcelo Denadai, no Espírito Santo, em 2002, conseguiu para a sua empresa, a Hidrobrasil, três contratos com a Cesan, empresa de economia mista que tem o governo do Estado como principal acionista. Detalhe destacado pelo colunista: Pagotto circula com um habeas-corpus no bolso.
O promotor de Justiça Gilberto Fabiano Toscano tentou anular o contrato feito com base na concorrência denunciada por irregularidades. Mas não conseguiu. A Procuradoria Geral da prefeitura de Vitória, através do ex-vereador e ex-desembargador Hélio Gualberto, disse que não havia elementos - apesar das falsificações - que justificassem a suspensão do contrato de R$ 4,9 milhões, que continua sendo pago a Sebastião Pagotto através de seu "laranja".
Já o senador Magno Malta, ao comentar o contrato firmado entre a Hidrobrasil e a Cesan, disse que "este é o retrato de como atua o crime organizado no Espírito Santo".
"O crime organizado está entranhado nas vísceras das instituições públicas. Este homem - Sebastião Pagotto - foi até preso e isso tem que ser explicado. Mas eu confio no trabalho do Ministério Público e espero que ele atue no sentido de arrancar respostas e esclarecer a verdade punindo os criminosos", concluiu o senador.
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