O empresário Sebastião Pagatto, dono da Hibrobrasil Saneamento e Limpeza Industrial, que acabou de aditar o contrato de R$ 4,9 milhões com a prefeitura de Vitória através da "laranja" Edna Mara Pereira Pinto, acusado e preso como mandante do assassinato do advogado Marcelo Denadai, não vai a júri popular este ano.
Também não irão a júri os outros cinco acusados do assassinato do juiz Alexandre Martins de Castro Filho. E muito menos os matadores do policial Pejota, que a Policia Civil ainda está procurando.
Faltam pouco mais de 45 dias para as férias forenses e isto seria o principal motivo para impedir os dois julgamentos. Assim como um eventual recurso dos assassinos confessos do juiz, Odessi Martins da Silva Júnior, o Lumbrigão, e Gilliarde Ferreira de Souza, o Gi, condenados em primeiro julgamento a 25 anos de prisão, sendo 19 em regime fechado. A Justiça dificilmente irá discutir essas questões neste final de ano, conforme admitiu uma fonte do judiciário e que pediu anonimato.
No caso do empresário e ex-militar Sebastião Pagotto, a situação é mais grave porque quatro testemunhas já morreram, entre elas Pejota, liquidado com mais de 30 tiros em dezembro do ano passado no bairro Santo Antônio. Pejota teria sido, inclusive, um dos executores do crime e era segurança do empresário Pagotto.
Ele trabalhava na Desentupidora Líder, que acabou se transformando na Hidrobrasil para poder participar da concorrência - e ganhar - para limpeza de fossas e galerias de Vitória. Atividade que Pagotto desenvolve há mais de
dez anos com exclusividade.
A concorrência acabou dando origem a uma CPI, em que se apurou uma falsificação de documentos, fato descoberto pelo advogado Marcelo Denadai. Teria sido também Pejota quem impediu que o vereador reeleito Antônio José Denadai (PL), que na época era presidente da chamada CPI da Lama, fosse também assassinado junto com o irmão.
"Iria dar muito na vista", teria argumentado Pejota. Ele era especialista no desaparecimento e interrogatório de pessoas, tendo atuado na repressão a adversários da ditadura em Niterói e tinha conhecimento do assunto. Só por essa razão o vereador Denadai, que foi seguido durante vários dias, continua vivo.
|