A advogada Aparecida Denadai (foto) iniciou nesta quarta-feira (13) e conclui até sexta (15) um relatório a ser encaminhado ao ministro da Justiça, Márcio Thomas Bastos, abordando todos os fatos envolvendo a morte das testemunhas do assassinato do seu irmão, Marcelo Denadai, e solicitando que seja nomeado um novo delegado federal para presidir o inquérito.
Aparecida comentou que, devido aos seis assassinatos subsequentes à morte de seu irmão, "a gente vai fazer o juri do Marcelo e não tem testemunha para depor contra o mandante do crime, o empresário Sebastião Pagotto. Todas as testemunhas estão mortas", desabafou. O último assassinato elevou para seis o número de mortes relacionadas ao caso Denadai.
Desta vez quem tombou foi o ex-policial Juliano César da Silva, 27, que recebeu cinco tiros na praia de Itapoã, em Vila Velha, na noite de sexta-feira (8). Ele foi morto após prestar depoimento na Polícia Civil relatando informações sobre quatro crimes. Entre eles o assassinato de Denadai. Logo em seguida procurou a advogada irmã de Marcelo temendo ser morto. E foi. Todos os casos relacionados com as testemunhas envolvem o empresário e ex-militar Sebastião Pagotto como mandante do crime.
Pagotto foi investigado, incriminado e denunciado pelos policiais federais da missão pessoal federal que esteve no Espírito Santo combatendo o crime organizado. Teve sua prisão preventiva decretada e foi solto por força de um habeas corpus. Aparecida reclama que, como o delegado conseguiu segredo de Justiça na apuração da morte da penúltima testemunha, Leonardo Maciel Amorim, não há como obter informações sobre o andamento das investigações. Ou mesmo se elas estão sendo realizadas.
Desde esta época alguns dos envolvidos no processo estão sendo liquidados a tiros. Sem acusadores e executores não há como levar o empresário a júri popular. O que estava previsto para este ano mas não vai acontecer. Exceto se acontecer alguma mudança na pauta de trabalhos do Judiciário.
O terceiro a morrer foi o ex-militar Pejota, que teria tido participação direta na morte e foi acusado ser um dos executores do crime junto com o PM Dalberto Antunes Pereira, a major Fabrícia Soares da Cunha, mulher de Dalberto, e o comerciante Leandro Scárdua de Souza. Todos teriam atuado como colaboradores e apenas o PM Dalberto ainda está preso.
Pejota foi morto 30 dias após ser libertado da prisão onde se encontrava preventivamente pelo assassinato do advogado Denadai. Era segurança do empresário Pagotto e teria inclusive aconselhado o empresário a não matar também e vereador Antônio Denadai, irmão do advogado e que preside uma CPI na Câmara Municipal de Vitória destinada a apurar, exatamente, as falcatruas praticadas pelo empresário. No entanto, os trabalhos da Comissão estão suspensos por força judicial. "Daria muito na vista e não haveria como mudar o rumo do crime", teria aconselhado Pejota.
Antes de Pejota, liquidado com mais e 30 tiros em Santo Antônio, Vitória, perto do Cais do Hidroavião, duas outras testemunhas haviam sido assassinadas. Em março de 2003 o comerciante Victor Eduardo Vieira, dono do ferro-velho Veí Peças, em Nossa Senhora da Penha, Vitória, foi morto junto com o funcionário Carlos Alberto Almeida. A oficina teria sido usada para clonar o carro usado no assassinato de Denadai.
Dois meses depois o mecânico Gilson Pontes Alves, 44, foi liquidado dentro de um chevette Hatch. Certamente confundido com o dono do carro, que foi uma das testemunhas que denunciou os supostos mandantes da morte do advogado. Depois desses crime seguiu-se um período de calmaria. Mas em junho deste ano o comerciante Leo, o Leonardo Maciel Amorim, 29, dono de uma casa de jogos eletrônicos foi liquidado com seis tiros calibre 45. A acusação é que teria financiado a morte de Denadai.
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