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  Vitória (ES), edição de 15 de outubro de 2004
 


As charges através das décadas


Fabíola Zardini


  
Foto: Carlos Antolini
  

O Espaço Cultural da Curva da Jurema inaugura nesta quinta (14), às 19h, uma exposição com os melhores momentos de Milson Henriques. Intitulada Atravessando Décadas, a mostra traz uma coletânea com mais de 50 charges do autor, como a famosa Marli, que jamais poderia ser esquecida.

Grande parte dos desenhos foi produzida na década de 70, sendo que alguns até foram censurados na época, além de outros que levaram Milson à prisão por motivos políticos.

  
Foto: Carlos Antolini
  
De acordo com Milson, a exposição é uma espécie de "passeio histórico", principalmente para os jovens, já que mostra como a atual liberdade de expressão é respeitada e valorizada em relação à época da ditadura, quando "as pessoas não podiam dizer nem que o presidente era feio".

O espaço cultural é mais uma atração na Curva da Jurema, que já tem uma noite agitada com a programação musical nos quiosques. O espaço já funciona desde o último dia 18 e fica ao lado do módulo administrativo da Curva, sempre das 8h às 18h, todos os dias da semana. A exposição de Milson fica até o dia 15 de dezembro.


Cores e Texturas no Ibeuv


Fabíola Zardini


  
Foto: Divulgação
  

"Retratos da vida/ de forma segura/ as formas corretas caíram/ Como passos de dança, caíram/Tocando o chão, em pedaços./ Pedaços desiguais/ cada pedaço um quadro/ um pedaço de cor/ um de textura" (Noelia). Nesta quarta (13), o Espaço Cultural Ibeuv abre a mostra Cor e Textura, em acrílica sobre tela, da artista plástica Noelia Drummond.

A artista, que possui um vasto currículo profissional e várias exposições pelo País e pelo mundo afora, expõe suas peças de 13 a 29 de outubro, sempre de segunda a sexta, das 13h30 às 19h.

Serviço: o Espaço Cultural Ibeuv fica na rua Sete de Setembro, 135, Centro, Vila Velha. Maiores informações pelo telefone 3229-1344.


Manifestação da (pequena) grande arte


Paulo Rogério


  
Foto: Divulgação
  

Um trabalho embeleza um objeto tão simples, que depois de transformado, fica praticamente identificável. A artista Elizabeth Poltronieri promete deixar as pessoas admiradas com sua habilidade na famosa e curiosa arte do miniaturismo, numa exposição que começou nesta quinta-feira (7) no Espaço Cultural Ematra, em Vitória.

Elizabeth busca em seus trabalhos a alquimia, a transformação do feio em belo, do vil no precioso. "Temos que ter amor com tudo aquilo que pode ser transformado, aplicando toda nossa inspiração", diz a artista. Ela utiliza peças de bijuteria coloridas, caixas de fósforo e tinta, além de muita criatividade.

"Nestes meus 15 anos com arte miniaturista, nos últimos tempos estava pensando em como poderia inovar e diminuir os custos de meu trabalho, para até mesmo bancar as exposições que viesse a fazer. Encontrei nas caixas de fósforos esta inovação acompanhada de baixo custo".

  
Foto: Divulgação
  
Para se ter uma idéia, estas transformações podem fazer com que uma simples caixa de fósforos de R$ 0,50, depois de trabalhada em bem tratada dá origem a uma peça no valor de R$ 60.

Elizabeth, natural da cidade de Vitória, é uma mulher de família humilde, e diz que esta condição foi um dos fatores que ajudou a despertar o talento à produção artística de peças como as que podem ser conferidas na exposição.

"Muitos dizem por aí 'que filho de pobre, costuma ser mais criativo do que filho de rico'. Por que estou falando isto? Porque quando era pequena, eu tinha que fabricar meus próprios brinquedos, daí que veio este talento, até adquirir uma certa facilidade para ser uma artista de mini-peças".

"Algo que me incentivou bastante também foi uma visita que fiz num museu de brinquedos, e de tratamento em peças em miniatura, em Marien Platz na cidade de Monique (Alemanha), quando fiquei maravilhada com tudo que vi. Pensei em entrar neste mundo e passar a produzir trabalhos semelhantes, segui em frente e consegui".

  
Foto: Divulgação
  
"Nestas horas também gosto de lembrar sempre do incentivo que tive de meu marido, e da família dele, que são de descendência germânica" - o povo alemão é exemplo no que se refere à efetiva recepção e sensibilidade aos mais diversos tipos de manifestações artísticas.

A artista enfatizou que talento não é tudo para quem busca trabalhar com obras em miniatura: "Bom, aí vai muito de pessoa a pessoa, pois pode ser um talento a ser desenvolvido com base em muito trabalho, ou simplesmente a manifestação de um dom. A preocupação com cálculos matemáticos, por exemplo, é algo que pode ser descartado, afinal de contas sou uma péssima em matemática (risos)".

Serviço: a exposição "Arte em Chama" estará aberta até o dia 29 de outubro, de segunda à sexta-feira, sempre das 13 às 19h. Local: Espaço Cultura Ematra no Ed. Vitória Park (número 85, 12º andar) na Av. Cleto Nunes no centro da cidade de Vitória. Mais informações: 3223 6512.


Capixabas unidos em nome da arte


Fabíola Zardini


  
Foto: Elizabeth Nader
  

Para comemorar os 453 anos de Vitória, os artistas plásticos capixabas decidiram se reunir e montar uma mostra com várias produções que representam o trabalho artístico da terra, em todas as linguagens artísticas. A exposição pode ser visitada até o dia 10 de outubro e é uma iniciativa do Sindicato dos Artistas Plásticos Profissionais do Espírito Santo.

São 170 artistas dispostos a mostrar o panorama das artes plásticas no Espírito Santo. A iniciativa conta com o apoio da Prefeitura de Vitória por intermédio da Secretaria Municipal de Cultura e da Casa Porto de Artes Plásticas.

No espaço, pode-se encontrar a Sala Especial Irmã Teresa, com as obras das alunas do ateliê Irmã Teresa, que funcionou até os anos 60 no Colégio do Carmo. Tem também a Sala Especial Atílio Colnago, onde podem ser apreciadas as obras do pintor. Outros espaços também podem ser conferidos no Convento do Carmo.

  
Foto: Elizabeth Nader
  
Entre os artistas estão César Viola Maio; Attilio Colnago; Marian Rabelo; Liza Tancredi; Luciano Boi; Angela Gomes; Herminda Breda; Irinei Ribeiro; Paoletti Avelar; Nortton, Gilbert Chaudanne; Celso Adolfo; Márcio Antonelli; e Moema Calhau.

Serviço: o Convento do Carmo fica na Praça Irmã Josefa Hosanah, 54, Centro, Vitória. Informações pelo telefone 3345-6022.


A arte de trabalhar com o café


Paulo Rogério

  
Foto: Bernardo Coutinho
  

Uma exposição diferente. O artista plástico Miro Soares, mais um jovem talento capixaba em busca de inovação e singularidade no trabalho, apresenta um dos resultados da pesquisa com pigmentos naturais, ou não convencionais, com "Real Tempo", mostra que está no Espaço Cultural do Palácio do Café, Enseada do Suá, em Vitória.

Até o dia 12 do mês de novembro, o público da Grande Vitória poderá apreciar o trabalho do artista de 22 anos, que já trabalhou elementos não muito comuns na arte abstrata construída por boa parte da categoria. O material para a mostra do trabalho, que está aberto a partir desta quinta-feira (30), é o café.

"Após uns dois anos realizando pesquisas quanto ao uso de materiais ou pigmentos, diferentes de tudo que é mais utilizado, resolvi juntar isto com o abstracionismo informal, trabalhando com as mais diversas formas de proposição estética que a teoria, e os materiais, poderiam oferecer".

Depois de trabalhar com gordura animal, terra, e até sangue - quando entrou em contato com um laboratório, para a realização de coleta, tomando todos os cuidados, afim de literalmente "dar sangue à arte" -, Miro resolveu inovar agora com o café diluído. "Coincidentemente a exposição será realizada aqui, né?!" (risos), diz o expositor que teve o trabalho escolhido para o espaço após uma seleção.

No expansionismo dos pigmentos, em uma arte que não se preocupa com qualquer tipo de simbolismo com exemplos concretos, as pessoas poderão se impressionar com os detalhes da composição na gradação das cores, levando a concentração do café diluído, até aos espaços vazios que dialogam com a pincelada disposta.

  
Foto: Bernardo Coutinho
  
Em um dos trabalhos, Miro aproveitou para explorar também a textura da forma contornada. Visão e tato para na percepção da criatividade, além do olfato.

"Na proposição estética, ou o meio de trabalho adotado, busco levar as pessoas a perceberem a contraposição da forma desenvolvida, com todo o resto da dimensão disposta". O artista disse que foi por meio da relação poética centrada no tempo em que o trabalho se desenvolveu que ele resolveu adotar o nome "Real Tempo".

A professora Almerinda da Silva Lopes, do Curso de Artes Plásticas da Ufes, comenta, numa crítica escrita sobre o trabalho do autor - num material que pode ser conferido na exposição - o alcance do jovem que está terminando o curso - além de já ser bacharel em Comunicação Social, com habilitação em Publicidade pela UVV.

"Antes mesmo de concluir o curso de Artes Plásticas na Ufes, o jovem Miro Soares vem se afirmando como uma promissora revelação da pintura contemporânea. Sua produção começa a romper as fronteiras locais, ao ser aceita em salões de outras regiões do País", diz a professora Almerinda.

O artista já expôs seus trabalhos este ano no XXXI Salão de Arte Jovem (no centro cultural Brasil - Estados Unidos, na cidade paulista de Santos) e na VII Bienal do Recôncavo (no Centro Cultural Dannnmann, em São Felix na Bahia)

Serviço: o Espaço Cultural Sala Egydio Antônio Coser, no Palácio do Café, fica na Avenida Nossa Senhora dos Navegantes, número 675 - no térreo do edifício. Telefones: 3235 2311 / 3235 3498.


Era uma casa muito engraçada


Vítor Lopes

  
Foto: Divulgação
  

"Era uma casa muito engraçada...". Na escultura "A Casa", de José Bechara, além de ter teto, muitas coisas mais entopem todos os espaços vazios da enorme instalação que chega ao Estado em outubro.

"A Casa" é uma das principais atrações da exposição "Casa - Poética do Espaço na Arte Brasileira", que será inaugurada no dia 14 de outubro no Museu da Vale do Rio Doce, em Vila Velha. Além de Bechara, outros 15 artistas expõem seus trabalhos relacionados ao tema, como Nelson Lerner e Antônio Dias. A exposição tem curadoria de Paulo Reis

Na escultura - como prefere tratar o artista em relação a "A Casa" - todos os cômodos estão preenchidos por diversas mobílias. Algumas extrapolam os limites da residência, vazando por portas e janelas, como acontece com alguns colchões, mesas, camas e cadeiras.

  
Foto: Divulgação
  
Tudo isso impede a visão interna de quem se encontra fora da casa, causando sensações de incômodo, já que o público também não pode entrar na residência-arte. A escultura apresenta 3,30 metros de altura, 15 metros de comprimento e 12 metros de largura.

"A Casa" está exposta atualmente no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Ela é a principal obra da terceira fase do Projeto Intervenções, que, em 2002, contou com Franklin Cassaro e, em 2003, com o Grupo Chelpa Ferro.

Ao vir para Vitória, a escultura poderá sofrer algumas alterações na sua estrutura. Tudo será registrado no livro a ser lançado por Agnaldo Farias, Luiz Camillo Osório e Paulo Sérgio Duarte.

José Bechara começou sua carreira de artista plástico profissional no final dos anos 80, com ênfase na pintura. Bechara é um dos principais nomes da geração das artes plásticas do Brasil.


Boas vindas à nova estação


Paulo Rogério

  
Foto: Bernardo Coutinho
  

Mais uma vez - como no ano anterior - comemorando a passagem do inverno para a primavera, a Mostra Flores vai expor a visão de inúmeras temáticas sobre os trabalhos que retratam o tema Floreiros em várias telas dispostas na Galeria Ana Terra. Na Praia do Canto.

Durante o resto deste mês de setembro até o dia 8 de outubro, a galeria vai apresentar o trabalho em telas de 26 artistas. Há trabalho de gente como Atílio Colnago, Georgina de Albuquerque e Kanuta Duque.

Esta exposição é um conjunto que se prende basicamente no caráter de contemplação, das obras de inúmeros artistas antigos - alguns até já falecidos - e novos, misturando várias tendências e caminhos para retratar os contornos e a amálgama de cores dos florais.

  
Foto: Bernardo Coutinho
  
Uma jovem artista que contempla o local com suas inspirações é a pintora e artista plástica Romilda Patez. Além de trabalhar com gravuras, Romilda aproveitou a técnica e conhecimento, adquiridos com o desenvolvimento de trabalhos ligados ao arabesco - estilo que detalha bastante as composições em forma de curvas e labirintos - para servir de alicerce ao trabalho desenvolvido para a exposição.

Romilda trabalha com pintura há quatro anos. Ela produziu trabalhos expostos em cerca de 20 eventos, entre as galerias Ana Terra, Homero Massena, e até o Palácio do Café. O incentivador de seu trabalho foi o professor Atilho Colnago, que também expõe na coletiva.

Serviço: a Galeria Ana Terra fica na rua Eugênio Neto, 106, Praia do Canto, ao lado do restaurante Salute.




Intervenção e Arte na galeria


Paulo Rogério

  
Foto: Divulgação
  
A proposta é intervir na fachada do prédio

Nesta terça-feira (21), às 19h30, começa a exposição do projeto Intervenção Artística no Edifício das Fundações, na galeria de artes Homero Massena, no Centro de Vitória. O trabalho é realizado por cinco artistas do grupo Coletivo Maruípe. O trabalho estará exposto até o dia 5 de novembro.

Uma das propostas centrais do Coletivo Maruípe é intervir na fachada do prédio, reintegrando o volume do edifício novamente à cidade, de acordo com Silfarlem Júnior, um dos artistas responsáveis pelo trabalho.

O grupo trabalha com a vídeo-instalação de imagens da fachada, onde as pessoas passam a ter acesso por entradas laterais. Na galeria, o edifício é tomado em vários ângulos diferentes, por meio de vídeos e fotos (slides).

"Esta é uma forma de estarmos revitalizando, resgatando uma obra tão importante para o meio onde se encontra, por meio de mídias como fotografia, vídeo e desenhos, numa linguagem que proporciona um 'diálogo' do objeto, que está passando pelo processo de intervenção, ou transformação, com outros objetos que compõem o ambiente".

O espaço expositivo vai além da galeria e chega ao entorno, tornando-se visível e integrando-se ao próprio prédio, logo acima. A intenção é justamente tratar o edifício como esse único volume, que engloba tanto a galeria quanto os oito andares, buscando nele e em seu entorno evidências particulares, transformadas pela ação do tempo sobre a própria matéria.

Esta não é a primeira vez que o grupo apresenta um trabalho de intervenção. No dia 9 deste mês de setembro, um dia depois das festividades de 453 anos da Capital, o "Coletivo Maruípe" expôs um trabalho interessante no laboratório de química do Colégio do Carmo - também no Centro.

Elaine Pinheiro, Meng Guimarães, Rafael Corrêa, Vinicius Gonzalez e Silfarlem Júnior desenvolveram um trabalho que abordava a transformação do espaço físico, por meio de reações químicas de três elementos: o ar, o sal grosso e a naftalina.

"As pessoas que puderam estar presentes no local, perceberam todo o processo não só pelo sentido da visão, geralmente o único utilizado em exposições de trabalhos artísticos. Todos puderam notar as transformações no ambiente por meio do olfato (devido o odor decorrente as reações), além do tato (pois podiam perceber o volume dos objetos por meio do toque)".

A experiência era a seguinte: após toda uma investigação, os artistas utilizaram bolsas para a doação de sangue, infladas com ar, para reagirem com naftalina disposta por todo o laboratório, mais o sal grosso - que servia justamente para absorver a umidade do ar.

Os artistas

O grupo de arte "Coletivo Maruípe" está formado desde o mês de fevereiro deste ano por alunos de cursos do Centro de Artes da Universidade Federal do Espírito Santo. "Mesmo antes da oficialização do grupo, no inicio deste ano, nós já nos reuníamos em um 'point' aqui perto (da galeria Homero Massena) para passarmos o tempo conversando sobre arte, e o que cada um gostaria de fazer" - a amizade começou há um pouco mais de um ano.

O Coletivo surgiu da necessidade de viabilizar espaços para realizar sua produção. Uma de suas propostas é fazer leituras e reflexões sobre estética, filosofia da arte e linguagens contemporâneas, além de discutir idéias e trabalhos em andamento. Outras propostas são: mapear espaços potenciais que possam ser utilizados para intervenções artísticas, desenvolver projetos em parceria e o intercâmbio com outros artistas e coletivos de arte.

Serviço

A Galeria Homero Massena fica na rua Pedro Palácios, 99, Cidade Alta, Centro, Vitória. Visitas monitoradas podem ser marcadas pelo telefone: 3132-8395.

Funciona de segunda a sexta, de 10 às 18h. Aos domingos das 15h às 17h, com uma discussão com os artistas, aberto para qualquer pessoa.