A tentativa de atribuir a morte do ex-policial Juliano César da Silva, 27, que recebeu cinco tiros na praia de Itapoã, em Vila Velha, na noite de sexta-feira (8), a uma disputa pelo domínio dos jogos eletrônicos na região metropolitana da Grande Vitória é vista pelos familiares do advogado Marcelo Denadai, como a também advogada Aparecida Denadai, como um forma de descaracterizar a queima de arquivo como motivo do crime. Trata-se de mais um esforço das autoridades para desvincular o assassinato das atividades do mandante do crime, o ex-militar e atual empresário Sebastião Pagotto, indiciado pela Polícia Federal como mandante do assassinato de Denadai.
Pagotto foi o principal protagonista do escândalo surgido na CPI da Lama, da Câmara de Vereadores de Vitória, que apurou fraudes em licitações da prefeitura da Capital.
De acordo com a irmã do advogado, Aparecida Denadai, dentro em breve não vai sobrar ninguém para depor no júri do mandante, o empresário Sebastião Pagatto, dono da Hibrobrasil Serviços de Limpeza e Saneamento. Esta empresa foi beneficiada com contratos no valor de R$ 2,9 milhões pela Cesan, empresa de economia mista que tem o governo do Estado como principal acionista. Se alguém sobreviver à matança, acha Aparecida, não terá garantia para falar o que sabe sobre esse crime.
De acordo com as informações de policiais, boa parte dos jogos eletrônicos eram dominados por Leonardo Maciel Amorim, o Leo, que também era testemunha no caso Denadai e seria sócio do policial assassinado. Essa versão que vem sendo divulgada foge da realidade, segundo informações que circulam nos meios policiais. Em depoimentos prestados à Polícia, o ex-policial, que relatou quatro crimes, disse que a morte der Leonardo tinha relação com Sebastião Pagotto. E por isso o ex-policial foi morto.
Mas o assunto está sendo mantido sob o mais absoluto sigilo. Assim como as investigações em torno do assassinato do comerciante Leonardo, o Leo, que também tinha ligações com Sebastião Pagotto. As apurações desses crimes se encontram sob segredo de Justiça. Mas ó fato é que o ex-policial Juliano da Silva foi morto após prestar depoimento na Polícia Civil relatando informações sobre quatro crimes.
Entre eles o assassinato de Marcelo Denadai. Logo em seguida procurou a advogada irmã de Marcelo temendo ser morto. E foi. Todos os dois casos estão relacionados com as outras quatro testemunhas que envolvem o empresário e ex-militar Sebastião Pagotto como mandante do crime e que também já estão mortas.
Pagotto foi investigado, incriminado e denunciado pelos policiais federais da missão pessoal federal que esteve no Espírito Santo combatendo o crime organizado. Teve sua prisão preventiva decretada e foi solto por força de um habeas-corpus. Aparecida reclama que, como o delegado conseguiu segredo de Justiça na apuração da morte da penúltima testemunha, Leonardo Maciel Amorim, não há como obter informações sobre o andamento das investigações. Ou mesmo se elas estão sendo realizadas.
Desde esta época alguns dos envolvidos no processo estão sendo liquidados a tiros. Sem acusadores e executores, não há como levar o empresário a júri popular. O que estava previsto para este ano mas não vai acontecer. Exceto se acontecer alguma mudança na pauta de trabalhos do Judiciário.
Um dos mortos foi o ex-militar Pejota, segurança do empresário Sebastião Pagotto e que teria tido participação direta na morte do Maarcelo. Ele foi acusado de ser um dos executores do crime junto com o PM Dalberto Antunes Pereira, a major Fabrícia Soares da Cunha, mulher de Dalberto, e o comerciante Leandro Scárdua de Souza. O PM Dalberto, que ainda está preso, teria efetivamente participado da execução junto com Pejota.
Pejota foi morto pouco mais de 30 dias após ter conseguido um habeas-corpus que o livrou da prisão preventiva pelo assassinato do advogado Denadai. Era segurança do empresário Pagotto e teria inclusive aconselhado o empresário a não matar também e vereador Antônio Denadai, irmão do advogado e que preside uma CPI na Câmara Municipal de Vitória destinada a apurar, exatamente, as falcatruas praticadas pelo empresário.
No entanto, os trabalhos da CPI foram suspensos por força judicial. "Daria muito na vista e não haveria como mudar o rumo do crime", teria aconselhado Pejota ao empresário quando eles tratavam dos detalhes do assassinato dos irmãos Denadai.
Hoje a CPI já pode voltar a funcionar, pois o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou a decisão do Tribunal de Justiçado Estado (TJ/ES) que proibiu o funcionamento desta e de outras duas CPIs que também apuravam irregularidades na prefeitura de Vitória. Mas, para isso, depende da publicação da medida no Diário Oficial da União, o que, estranhamente, ainda não ocorreu.
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