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Cesan beneficia empresa do mandante da morte
de Denadai com contratos de R$ 2,9 milhões
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Da Redação
Três contratos, totalizando valores superiores a R$ 2,9 milhões, foram assinados em julho e agosto deste ano pela diretoria da Cesan, empresa de economia mista presidida por Paulo Ruy Carnelli (PSDB/foto), com a empresa Hidrobrasil Saneamento e Limpeza Industrial Ltda., controlada pelo ex-militar Sebastião Pagotto, indiciado em inquérito da Polícia Federal como mandante do assassinato do advogado Marcelo Denadai. A Hidrobrasil, até então, só havia prestado à Cesan pequenos serviços emergenciais, de pequeno valor, como que aconteceu em 2001 e que custou R$ 14 mil.
Os contratos assinados este ano estão lavrados em ata de reunião da Cesan realizada no último dia 14 de julho, presente toda a diretoria da empresa pública estadual, inclusive o presidente Paulo Ruy Carnelli, ligado ao prefeito Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), ex-ocupante de cargo importante na prefeitura de Vitória e que, em 2002, foi candidato laranja ao governo do Estado em apoio à candidatura de Paulo Hartung.
Sua presença naquela campanha ficou marcada pelas manifestações que fazia, durante a propaganda gratuita na TV, visando a reforçar o apoio ao atual governador do Estado.
Já a Hidrobrasil - que está em nome da secretária de Sebastião Pagotto - esteve envolvida em negócios fraudulentos de R$ 4,6 milhões com a prefeitura de Vitória, os quais estavam em fase final de apuração na chamada CPI da Lama. A CPI teve suas atividades suspensas por uma liminar obtida no Tribunal de Justiça do Estado (TJES) pela prefeitura de Vitória. Recurso da Câmara Municipal da Capital, pedindo no Supremo Tribunal Federal (STF) a volta dos trabalhos desta e de outras duas CPIs também atingidas pela liminar do TJES, foi deferido, mas o acórdão da decisão ainda não foi publicado.
Toda a documentação comprovando o envolvimento da empresa de Pagotto em fraudes fora reunida pelo advogado Marcelo Denadai, irmão do vereador Antônio José Denadai. Este municiou a CPI com esses documentos. Segundo a Polícia Federal, Pagotto encomendou o assassinato do advogado Denadai exatamente por ter ele reunido um robusto dossiê contendo as falcatruas praticadas por sua empresa. (Clique no link abaixo para conhecer em detalhes os antecedentes do caso).
O primeiro contrato entre a Cesan e a Hidrobrasil foi para execução de "serviços gerais de operação, manutenção, monitoramento e melhoria das instalações elevatórias de esgoto bruto e redes coletoras de esgoto de Cariacica, Viana e Guarapari". Seu valor: R$ 1.547.757,97.
O segundo contrato, no valor de R$ 466.489,93, não está especificado, em detalhes, na ata da reunião da Cesan. Já o terceiro, envolvendo o montante de R$ 894.691,00, especifica que se destina a "serviços de manutenção nos esquemas coletores de esgotos sanitários de Vitória". Este contrato enfrentou uma pendência judicial pelo fato de a empresa de Pagotto ter sido inabilitada por lhe faltarem condições de concorrer à licitação. A empresa entrou com mandado de segurança na Justiça da Serra, mas a juíza da comarca negou o pedido de liminar. Novo pedido, desta vez em Vitória, foi deferido e a empresa pôde concorrer e ganhar o contrato.
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