Fez bem o governador Paulo Hartung em revogar o aumento na tarifa do transporte coletivo da região metropolitana de Vitória. Diante do protesto dos estudantes, o governador teve tirocínio político e tomou a decisão correta.
Diante da avalanche da crise política, o país está uma pilha, os brasileiros estão, literalmente, com os nervos à flor da pele. Basta "tocar" nas pessoas que dá choque, vamos dizer assim. É como acender pavio. A psicologia da crise. Juntamente com a sociologia da crise.
Elio Gaspari retratou isto bem, ao registrar que o "ronco das ruas", expressão utilizada por Ulysses Guimarães, começou a mostrar as caras. Os estudantes de Florianópolis, Salvador e Vitória, neste sentido, estão protestando não apenas contra os aumentos de tarifas de ônibus. A coisa é mais profunda, está latente. É o ronco das ruas.
É a opinião pública começando a reagir contra a avalanche de problemas políticos e contra os velhos problemas do cotidiano: segurança, desemprego, e por aí vai. Uma espécie de incômodo e tensão geral.
Precisamos prestar atenção nisto que está começando a aparecer nas ruas. No Brasil, sabe-se que a opinião pública é menor do que o eleitorado. Ela, a grosso modo, compreende as classes "A", "B", e parte da "C". Já o eleitorado engloba, além destas, também as classes "C" , "D" e "E".
O perigo, hoje, do ponto de vista de "gestão da crise", é a opinião pública piorar ainda mais a avaliação da crise, do governo e do presidente e atingir a própria opinião do eleitorado. Aí, a coisa pode ficar preta.
Concluída a reforma ministerial, é hora, agora, de partir para a articulação da idéia de "concertação" do senador Jefferson Peres. Sentar, construir uma pauta mínima e criar campos de consenso para o país voltar a normalidade.
Neste processo, é importante que os governadores e os prefeitos das principais cidades brasileiras possam contribuir para a construção da idéia da "concertação". E para a sua transformação em ações práticas.
Afinal, como pode-se vislumbrar das manifestações estudantis de Vitória, Salvador e Florianópolis, a crise não pode ser vista apenas como "nacional". Ela é, também, "regional" e "local". É importante que se perceba isto. Estamos todos no mesmo barco do mesmo país. Se piorar no plano nacional, piora nos planos estadual e local.
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