Hoje vamos fazer um comparativo entre duas categorias de trabalhadores: os da iniciativa privada, que só se movimentam durante as discussões da data-base, e os do serviço público, que trabalham no oportunismo político.
O pessoal da economia privada poderia, durante a temporada fora da discussão da data-base, estar se preparando para o enfrentamento nas teses de periculosidade, insalubridade e até mesmo de participação nos lucros.
Nesses períodos há tempo para a diretoria se preparar junto a seus assessores jurídicos e econômicos. As empresas afirmam que o taxímetro é definição do percentual de periculosidade. Mas o sindicato tem que garantir esse valor fixo, pois muitos trabalham onde o homem não deveria ir.
Quanto à participação de lucros, já está na hora de o sindicato ter maior participação nas comissões de negociação, assim como acompanhar o desempenho da empresa durante o ano. E, a partir daí, munir os trabalhadores com informações, para que possam ter argumentos na hora da negociação. Inibindo também a empresa de dar contra-informação à categoria e ir melhorando os acordos coletivos. Mas há tempos que se vêem boletins sindicais nas portas das empresas.
Já no serviço público, que é composto por trabalhadores com garantia de emprego e tem sindicatos compostos por radicais de direita e de esquerda, todos só trabalham no oportunismo político, fazendo greves onde elas não deveriam existir, no setor de atendimento à população, como na área da saúde e educação.
Nesse tempo vago, fora da data-base, poderiam junto a suas assessorias fazer estudos com órgãos públicos e levar para os trabalhadores uma proposta de remuneração, onde os servidores receberiam um percentual de acordo com a receita da instituição.
E aí, se os administradores públicos não aceitarem essa discussão, cabería ao sindicato informar os trabalhadores sobre a falta de sensibilidade do empregador e articular formas de se avançar nas negociações. Mas o que se sente é que os dirigentes sindicais não contratam assessores competentes e não conseguem acompanhar a oscilação da receita.
Existe uma lei que proíbe estados e municípios de gastar mais de 60% da receita com o pagamento do funcionalismo público. É a Lei de Responsabilidade Fiscal. Aí vem o desafio: será que alguma empresa privada gasta mais de 10% de sua receita com folha de pagamento?
As empresas chegam até a conceder a participação nos lucros, bem ao modo delas, pois o sindicato fica alheio aos valores por falta de conhecimento técnico do processo. E aí está o desafio aos dirigentes sindicais. É ir à luta e resolver o problema de forma interna, deixando a greve realmente para a última instância. E não a primeira a ser alavancada.
Cadê os boletins?
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