Contra todas as indicações - do bom-senso, da transparência, do zelo com o dinheiro do contribuinte, do respeito à sociedade e à própria ordem pública -, a Cesan voltou a abrir suas portas para o empresário Sebastião Pagotto. Trata-se de reincidência.
Pagotto já havia se habilitado e vencido anteriormente uma licitação na Cesan para realizar os mesmos serviços que levaram à criação da CPI da Lama, por fraudes no processo licitatório ao tempo do então prefeito Luiz Paulo Vellozo Lucas. Século Diário denunciou o fato, mas a Cesan não recuou e a empresa de Pagotto foi contratada.
Agora, a coisa assume ares de desafio às leis e às normas da boa administração pública. É inadmissível que o governo do Estado continue dando guarida a um indivíduo que não conhece limites em sua ânsia de avançar sobre o dinheiro público, contando, para isso, com o beneplácito de autoridades que tinham o dever de barrar-lhe os passos.
Da indignação nasce a reação mais adequada ao caso. O vereador Antônio Denadai vai protocolar requerimento exigindo a reabertura dos trabalhos da CPI da Lama, interrompida por decisão do Tribunal de Justiça do Estado (TJES) e mandada voltar a funcionar pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A Mesa da Câmara tem a obrigação de acatar, sem discussões, o requerimento de Denadai e decidir de imediato pela reabertura das investigações, que foram interrompidas no exato momento em que se constatava, de forma cabal, que havia interesses subulternos por trás da presença de Pagotto na prefeitura de Vitória.
Estamos falando de uma decisão da mais alta Corte de Justiça do País. Veio de lá a autorização para o reinício das investigações. Mas, além disso, há o aspecto moral da questão.
Ao ter os trabalhos da CPI interrompidos, o Legislativo municipal da Capital fora duramente atingido em sua autonomia. Não havia por que paralisar a CPI, já que todos os procedimentos e decisões dela emanados estavam respaldados legalmente. Tanto é assim que a decisão em contrário, no julgamento do recurso, foi rápida e objetiva.
O presidente da Câmara de Vitória, Alexandre Passos (PT), tem em suas mãos a oportunidade de dar rumos definitivos a uma investigação que fatalmente resultará na exclusão de Pagotto dos negócios públicos.
Porque, de Pagotto em Pagotto, o Espírito Santo acabará enveredando por um caminho sem volta. O caminho da desmoralização.
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