Vitória já está sendo maquiada para se transformar na Mônaco Capixaba, a versão pobre do minúsculo Principado da Riviera Francesa que gasta milhões com o circo da Fórmula 1. Em dimensões bem menores, a nossa ilha volta a receber com festa, no próximo dia 21, as baratinhas da Fórmula Renault e os envenenados da Copa Clio. Pára o trânsito, tumultua a vida dos moradores da região norte e gasta uma vultosa verba pública, mas não deixa de ser um evento elegante que atrai um excelente público e deixa a Enseada do Suá mais bonita.
As corridas de rua em Vitória começaram em 92 com os binos da extinta Fórmula Ford, reconhecida como um celeiro dos grandes pilotos brasileiros. A idéia de transformar a Enseada do Suá em um circuito de rua nasceu do colatinense Hélio Perini, diretor de competições da Ford do Brasil. Ele e a ex-presidente da Federação de Automobilismo do Espírito Santo Julita Barros organizaram a primeira corrida, que foi uma grande festa, completa, com tudo que tem direito, esquadrilha da fumaça, show de capotagens, transmissão ao vivo pela TV e a vitória surpreendente do menino Rubinho Barrichelo.
A Fórmula Ford em Vitória só durou 3 anos. "De olho grande" na Mônaco Capixaba, a Fórmula Chevrolet seduziu os cartolas e assumiu o comando do evento realizando duas corridas na Enseada do Suá. Mas também faltou gás e as etapas no Estado foram interrompidas em 1997 pelo prefeito Luiz Paulo Veloso Lucas alegando contenção de despesas.
Em 2003, o mesmo Luiz Paulo Veloso Lucas trouxe de volta as baratinhas, já com outro nome, F-Renault. Estamos na terceira edição desta empolgante corrida que faz parte do calendário esportivo da capital. As equipes chegam no dia 19, treinam no sábado e pisam fundo no domingo a partir das 11 horas. É um show de velocidade e técnica para assistir de perto com toda a família.
Os promotores da F-Renault Pedro Paulo Diniz e André Ribeiro são experientes pilotos e sabem tudo de corrida. No grid estarão alinhados Bia Figueiredo, Felipe Lapenna, Guga Campedelli, Luiz Razia, Paulo Salustiano e outros velozes. Não podemos esquecer a presença capixaba na Copa Clio com Betinho Sartório, Rodrigo Marcheschi e Leleo Brandão.
O secretário de Esportes da Prefeitura de Vitória, Guilherme Filgueiras garante que a programação da montagem de toda a estrutura está dentro do cronograma. Com a instalação dos guard-rails e dos boxes, a oitava etapa da F- Renault e a sexta da Copa Clio já dão um glamour especial a Enseada do Suá.
Dose Dupla
O Kartódromo Internacional da Serra terá velocidade em quatro e em duas rodas neste domingo. Serão realizadas a quarta etapa do Estadual de Kart e a terceira etapa do Campeonato Serrano de Motovelocidade 125cc. Emoção em dose dupla pra todos os gostos.
No kart, os pilotos Dudu Cândido, Rodrigo Marcheschi, Romárcio Viola, Rafael Peres, Guilherme de Almeida e Ygor Santana prometem um pega de arrepiar. Na motovelocidade, Jonathas Monteiro e Marcos Câmara dividem a liderança da categoria principal e prometem uma boa briga.
A farofada, ímpar no Brasil, começa às 13 horas.
Massa
Sai um brasileiro e entra outro. A italiana Ferrari, em uma jogada de mestre, contratou o piloto Felipe Massa para a temporada de 2006. Rubinho, cansado de ficar no retrovisor de Schumacher, bravamente tomou a decisão de vestir o macacão da menos importante BAR.
Massa, mesmo sabendo que vai ser o dublê oficial, tá que nem pinto no lixo. É pura alegria pelo bom contrato.
Rubinho que ser o titular, quer gozar de regalias de ser o primeiro piloto da equipe. Assim, a BAR, que não é nenhuma coca-cola, serve direitinho para o brasileiro.
Schumacher já estava de saco cheio dos resmungos do parceiro e aprovou com um belo sorriso a saída de Barrichelo.
Viu, todo mundo gostou. Luca di Montezemolo, o chefão da scuderie Ferrari, joga como um veterano mestre.
Quenianos em Vitória
Tudo pronto para a largada da internacional 16ª Dez Milhas Garoto neste domingo, às 9 horas, na Praia de Camburi. A mais famosa maratona do Estado reúne atletas de todos os níveis técnicos, inclusive os favoritos quenianos, mas têm também centenas de corredores de fim de semana.
O campeão do ano passado, Valdenor Pereira dos Santos, leva a prova a sério e quer vencer novamente. Os quenianos, Kipkemboi, Kipchumba e Kipyego, vêm para ganhar. O duelo do pelotão da frente vai ser espetacular.
É legal também acompanhar os gordinhos retardatários que fazem parte do show. Muitos participantes, às vezes família inteira, entram para curtir o clima e apreciar o percurso, inclusive a beleza da travessia da terceira ponte.
A prova é uma boa vitrine e atrai até políticos oportunistas. Tem um carequinha, barrigudo, baixinho e muito invocado, do primeiro escalão, que não perde uma. Têm vereadores, deputados, prefeitos, músicos, jornalistas e empresários desfilam para a platéia.
Pedala, Robinho
Palavra do Rei: Robinho é insubstituível.
Pelé, o nosso Rei do Futebol, pesou bem a palavra para ilustrar a ausência de Robinho no futebol brasileiro. O atacante do Santos vai para o Real Madri e já deixa saudades.
Eu concordo em parte com o Rei, que achar um substituto para Robinho, com o mesmo carisma e genialidade, não vai ser fácil. "Só os cemitérios estão cheios de insubstituíveis e o mundo não acabou".
Vamos deixar o Robinho pedalar na Espanha e fazer o seu pé de meia.
Feedback
Recebemos mensagem do colega e amigo Eustáquio Palhares, o homem dos 9 minutos, comentando a coluna Descemos o Rio Doce. Confira.
Renato, parabéns!!!!!!!!
Bela descrição da nossa experiência. Muito bom texto, muita rica sua percepção, sua descrição. Captou coisas que não julguei tê-las percebido até que as li. Parabéns mesmo, um texto que, sentimento de ser protagonista à parte, revela sua maturidade e capacidade de brincar com as pretinhas, para além do bom jornalista de TV que você é.
Vacilou na tendenciosidade de culpar o timoneiro que cansava de ficar corrigindo a sua remada manca. E pegou pesado também, pô, quando entregou que era 180 quilos e cem anos.
Emocionei-me repassando as suas descrições e mais ainda ao constatar a maturidade, a percepção mais fina dos fatos. Saudações. Eustáquio Palhares.
Palavras dignas de um compadre.
Fair-play
O mais importante não é o resultado, mas a pessoa. Isso porque é sabido que melhorando a pessoa, melhora-se o atleta e, conseqüentemente, melhoram os resultados.
Trocatroca com a coluna:
rmpaoliello@uol.com.br
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