O advogado Beline José Salles Ramos (foto), que depôs como testemunha de defesa do juiz Antônio Leopoldo Teixeira, chegou algemado para depor no Tribunal de Justiça (TJ-ES), nesta sexta-feira (5). Na saída, ele estava sem algemas, após protesto do advogado de Leopoldo, Durval Albert, e disse em seu depoimento que é amigo do juiz Leopoldo, acusado de ser mandante do assassinato do juiz Alexandre Martins de Castro Filho.
A expectativa quanto à chegada de Beline era grande e foi um pouco tumultuada. Ele chegou por volta das 9h, ficou aguardando na garagem do Tribunal e só subiu às 10h20, após o término do depoimento da outra testemunha de defesa, o pastor Enoque de Castro Pereira.
Escoltado por cinco policiais federais, de cabeça baixa e segurando um livro religioso, o advogado Beline parecia tentar esconder as algemas por baixo da manga de sua camisa. "Ele não é um preso que represente periculosidade e fiquei indignado com a chegada dele algemado. Advogado tem prerrogativas", protestou o advogado do juiz Leopoldo, Durval Albert. Ele pediu que Beline saísse sem algemas.
Ao chegar, ele não quis dar declarações à imprensa. Já na saída, apenas disse que durante o seu depoimento confirmou ser amigo de Leopoldo e que "tudo foi esclarecido" em relação à intermediação do juiz na negociação entre Beline e a família Alcure, no processo de falência da empresa Cessa, de propriedade dessa família.
Um cheque do advogado no valor de R$ 10 mil, nominal a Leopoldo, foi encontrado no material da Receita Federal encaminhado ao Ministério Público Estadual (MPE), que serviu de base a outra denúncia contra o juiz. Leopoldo afirmou que o cheque era um empréstimo que Beline lhe fizera por amizade. De acordo com o MPE, o cheque seria parte dos R$ 50 mil que Leopoldo teria recebido para intermediar a negociação de dívidas entre a família Alcure e o advogado Beline Salles Ramos.
O advogado Beline Salles Ramos prestou depoimento ao desembargador Sérgio Gama, relator do processo, por duas horas e meia. Já o pastor Enoque depôs por 40 minutos. Eles são as duas primeiras testemunhas de defesa de Leopoldo a depor neste processo. Pelo menos seis testemunhas ainda irão depor em data a ser definida pelo relator.
A sessão teve início às 9h30 e terminou às 13h. O primeiro a depor foi o pastor Enoque, que disse ter esclarecido informações sobre a sua viagem junto com Leopoldo, no dia do assassinato do juiz Alexandre Martins, 24 de março de 2003. "Fui perguntado sobre o percurso da viagem, a que horas saímos, quando chegamos e sobre a minha amizade com Leopoldo", explicou o pastor. Eles viajaram para um congresso, realizado em Belo Horizonte.
O processo está em segredo de justiça, mas o relator afirmou novamente que o sigilo será revogado após a conclusão do sumário de defesa e que todo o processo será aberto, inclusive os depoimentos prestados durante os sumários de defesa e acusação. Os advogados dos co-réus Claudio Luiz Andrade Baptista, o Calu, e do coronel Walter Gomes Ferreira acompanharam a sessão no TJ. Os dois também são acusados de mandar matar o juiz Alexandre Martins.
Beline Salles Ramos está preso na carceragem da Polícia Federal, em Vila Velha, desde o dia 15 de junho. Ele foi preso por envolvimento em esquema de sonegação de impostos da cervejaria Schincariol. No dia 25 de junho, o Supremo Tribunal Federal (STF) decretou a sua prisão preventiva. Na noite desta quinta, 4 de agosto, a ministra do STF Ellen Gracie negou a revogação de sua prisão preventiva.
Segundo denúncia do Ministério Público Federal (MPF), o advogado Beline seria membro de quadrilha envolvida em fraude na distribuição de processos judiciais, na liberação de FGTS, na validação de títulos da dívida pública sem qualquer valor e na constituição de empresas "laranjas" para obtenção de benefícios fiscais e lavagem de dinheiro.
|