Vitória (ES), edição de 05 de agosto de 2005

Na Praia do Canto, moradores
exigem novas instalações policiais



Paulo Rogério



Esta foi uma das reivindicações dos moradores da Regional da Praia do Canto, Vitória, colocadas pelo representante da comunidade, vereador José Carlos Lyrio Rocha (foto). Ele criticou duramente a falta de estrutura nas instalações das polícias locais, além da queda de efetivo da PM e a ação de meliantes entre os flanelinhas na região.

Tanto Lyrio Rocha, presidente da Associação de Moradores da Praia do Canto (AMPC) - há 13 anos - e do Conselho Interativo de Segurança da regional, como outros presentes, numa reunião, alertaram sobre as instalações extremamente precárias da delegacia da Praia do Canto. O local foi comparado algumas vezes a "uma das casinhas de pescadores de Conceição da Barra" - município do litoral norte.

Moradores da quinta regional, autoridades públicas e policiais se reuniram na manhã desta sexta-feira (5), no auditório do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Espírito Santo (Setpes).

O presidente da AMPC não fez somente críticas ao governo do Estado - responsável pela segurança pública -, mas foi enfático ao afirmar que a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Sesp) têm que fazer mais "para que não haja perda de controle da ordem pública na Praia do Canto e demais bairros".

Na primeira parte do encontro o tenente comandante da 5a Cia da PM, Antônio Bezerra, fez uma breve explanação sobre o policiamento em busca de minimizar em 15% todo tipo de delinqüencia - desde os furtos até os seqüestros relâmpago.

Logo depois, o tenente formou a mesa de discussões junto com a coordenadora regional de obras, Wânia Nassif, delegado da PC, João Batista Calmom, major Joelson Miranda (representando a Guarda Municipal), a subsecretária da Sesp, Leila Márcia da Silva, e o presidente Lyrio Rocha.

Segundo na mesa a tomar a palavra, o líder comunitário criticou em primeiro lugar a aparente falta de interesse da população local, devido à falta de presença de diversos moradores e populares que reclamam contentemente da segurança na Praia do Canto.

"Outro dia mesmo um diretor de escola estava reclamando mais patrulhamento próximo ao colégio, e hoje não há um representante da instituição. Temos que nos unir se quisermos pressionar o poder público".

Lyrio Rocha ressaltou que não há condições de a delegacia da Praia do Canto continuar comportando presos de alta periculosidade e notoriedade nacional - como o ex-presidente da Assembléia Legislativa, José Carlos Gratz.

"A delegacia só sobrecarrega as funções dos policiais civis e ainda põe em risco o cotidiano da população local flutuante". Estima-se que 100 mil pessoas transitam diariamente na Praia do Canto.

A falta de apoio logístico à 5a Cia e à delegacia da Polícia Civil não ficou de lado. "É uma situação muitas vezes embaraçosa aos militares e aos policiais civis. Algumas vezes os PMs nos procuram até por coisas banais como bloco de folhas", disse o presidente do Conselho Interativo de Segurança. No caso da PC, o delegado João Batista Calmon teve que levar de casa o próprio computador para que o banco de dados e as ocorrências não se acumulassem entre papéis.

"Mesmo para que os PMs da 5ª Cia tivessem uma sede, a associação pagava cerca de R$ 1.500 por mês numa casa de dois andares. Depois de quase três anos não agüentamos mais arcar com a despesa, fizemos uma série de articulações até que conseguíssemos a sede que há hoje", comentou.