"Estamos esperançosos, acreditamos que a lei deve ser cumprida de uma vez por todas e que nossas terras serão finalmente homologadas como terras tradicionalmente indígenas". A afirmação é do cacique de Caieras Velha, Jaguareté, ao anunciar o encontro dos sete caciques Tupinikim e Guarani em Brasília com a Funai e o ministro da Justiça, Márcio Tomaz Bastos.
Os índios estarão em Brasília nos próximo dias 9 e 10 para um reunião com o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Mércio Pereira, e ainda para uma audiência pública com a presença do ministro da Justiça, representantes de instituições defensoras dos direitos humanos, Funai, entre outros.
A intenção é discutir a ampliação da portaria que reconheceu no passado apenas 7.061 hectares de terras indígenas - através de um ato arbitrário do ex-ministro da Justiça Íris Rezende (PMDB-GO) - , ao invés dos 18.070 reconhecidos pelos estudos da Funai. Com isso, devem ser homologados mais 11.009 hectares de terras no norte do Estado que estavam em poder da Aracruz Celulose, recentemente retomados pelos índios.
Os índios contam ainda com apoio internacional para que suas terras sejam devolvidas conforme a lei. Organizações internacionais como a Word Rainforest Movement (WRM) - Movimento Mundial pelas Florestas Tropicais - apoiam a retomada das terras indígenas cobertas por eucaliptos da empresa Aracruz Celulose desde o início da luta, e com o Ministério Público Federal, que considerou a o ato do então ministro Íris Resende ilegal.
Depois de muitas tentativas, esta vai ser a primeira vez em que o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, sentará efetivamente para discutir frente a frente com os índios um problema que gerou inúmeras perdas ao povo indígena no Estado. Estes tentaram durante anos que suas terras fossem devolvidas, mas nunca foram ouvidos. Chegaram a enviar uma carta ao ministro comunicando o início da retomada.
Ainda sim, na época a própria Justiça tentou acabar com o movimento de retomada com um termo de reintegração de posse da Aracruz Celulose, mas a decisão foi posteriormente derubasda. Nesta época, chegou a ser anunciado que os índios estariam usando de violência para retomar as terras, o que nunca aconteceu.
Os índios querem então a efetiva homologação dos 11.009 hectares e a garantia de que a empresa não irá mais invadir suas terras. Os índios lembram que com a monocultura do eucalipto muitos rios estão contaminados, os animais abandonaram a região por não haver mais florestas e que hoje são obrigados a comprar alimentos e remédios por não encontrarem estes no meio do eucalipto.
Hoje, os índios já estão com os 11.009 hectares de terras autodemarcados e reconstruíram duas aldeias que antes de a empresa chegar existiam no local, a aldeia de Córrego de Ouro e Olho D'água. A intenção agora é reflorestar a área para que as próximas gerações não sofram com a falta de alimentos.
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