"Perambular é uma grande arte."
(Henri David Thoreau)
Como 'marinheiro de primeira viagem' - e ele mesmo assim se auto-denomina -, o deputado estadual Edson Vargas acredita que o Estado do Espírito Santo esteja no rumo certo. Essa concepção ressoa junto com as cores da camisa governista que ele veste dentro do seu partido, o PMN.
Apesar de considerado mínimo no Estado e ainda chamado de 'nanico' em nível nacional, o PMN quer mesmo é participação efetiva no governo Paulo Hartung. O deputado não esconde que o partido ainda não sentou com o governador à mesa de negociações para discutir tal posição, isto é, para realmente fazer parte da ala administrativa do governo.
Foto: Carlito Medeiros
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Mesmo sem tanta evidência, o PMN é, segundo Edson Vargas, a melhor opção para Hartung, que está se dando ao luxo de escolher seu partido durante quase um ano, ser convidado pelas mais diferentes agremiações políticas e ser, sobretudo, cobiçado, além de servir de alvo para os que estão de fora do jogo. Nesta entrevista, o deputado diz por que o governador deve subir no pequeno pódio do PMN. O argumento maior na conquista seria conceder uma espécie de liberdade total ao chefe do Executivo.
Século Diário: - Para onde vai o PMN nas eleições de 2006?
Edson Vargas: - O PMN é um partido que, logo nos primeiros momentos da minha participação política, enquanto deputado, se posicionou ao lado do governador Paulo Hartung, resolveu dar sustentação política a esse governo, entendendo que seria um governo que daria certo. Não vejo, por essa razão, uma outra direção a ser dada ao PMN, a não ser, novamente, estar lado a lado com o projeto político do governador Paulo Hartung, seja ele para a reeleição, seja ele para o Senado. Nós entendemos que o PMN deva marchar com o projeto político do governador Paulo Hartung.
- E o convite que o partido fez ao governador Pulo Hartung? Em que pé está?
- É, o governador recebeu um grupo de prefeitos. Hoje, nós somos, ao todo, cinco prefeitos do PMN, cinco vice-prefeitos e temos 39 vereadores. Portanto, é um partido que começa a se consolidar no Espírito Santo como um partido de médio porte, digamos assim... O PMN em nível nacional ainda é um partido considerado pequeno. Não temos ainda uma estrutura forte em nível nacional, mas em nível de Estado o partido vem crescendo a cada dia. E a vinda do governador para o PMN seria, assim, o máximo que o PMN poderia desejar neste momento. Iria, com toda certeza, consolidar, em definitivo, o projeto político do partido. O governador, é óbvio, está avaliando, até porque ele está entendendo que ainda é muito cedo para tomar uma decisão, tendo em vista a crise política que o país atravessa. E partidos que estão sendo cogitados, para que o governador possa estar também se filiando, estão, alguns deles, em crise, em dificuldades, e o governador precisa deixar essa poeira baixar para tomar uma decisão segura. Eu penso que, quanto mais se aprofunda a crise política do país, envolvendo partidos políticos, mais fortalece a idéia de que o PMN é a melhor opção para o governador. Pelo menos é essa a opinião nossa e espero, também, seja a opinião do governador.
- O senhor tem algum receio de que o governador Paulo Hartung e o deputado federal Marcelino Fraga acabem chegando a um entendimento e, então, o governador se filie ao PMDB?
- Não, eu não posso dizer 'receio' porque eu entendo que todos os partidos, cada um tem os seus méritos, e o grupo político do deputado federal Marcelino Fraga tem os seus méritos, tanto é assim que o vice-governador Lelo Coimbra está no PMDB. Mas, eu repito: eu ainda entendo que, com tudo isso, o PMN é a melhor opção para o governador porque dentro do PMN o governador jamais terá riscos de não ter liberdade total de desenvolver as suas ações políticas. O PMN é um partido que sempre estará cem por cento aliado ao governador, ao contrário do PMDB, que tem divisões históricas, em nível nacional e em nível estadual. Portanto, eu prefiro fazer essa reflexão de que o governador pode escolher o PMN, em função dessa liberdade de ação que ele terá para atuar dentro do nosso partido.
- O senhor acredita que o PMN esteja mesmo bem distribuído no Estado?
Foto: Carlito Medeiros
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- Eu acredito que nós estamos bem distribuídos, na medida em que estamos presentes em todos os municípios do Espírito Santo. Mas acho que o partido precisa se fortalecer, ainda, em alguns municípios. Nós não conseguimos ainda emplacar lideranças efetivas e fortes que dêem ao partido, nessas regiões, uma visibilidade necessária. Mas isso é compreensível, uma vez que o PMN é um partido jovem, um partido novo no nosso Estado, e especialmente nessa fase de reestruturação por que passou após a nossa eleição, quando começamos a percorrer os municípios para que o partido fosse fortalecido nas mais variadas regiões do Estado. Mas nós, agora nessa fase II, que é a fase de consolidação dessa relação partidária, nós estamos preocupados em fazer com que esses municípios, que até então não têm tido uma presença forte no partido, possam ter, a partir também de uma atuação nossa. A bem da verdade, um partido se estrutura e se fortalece quando tem representatividade. E quando essa representatividade é exercida na sua plenitude. Então, para que o partido se fortaleça em determinada região e preciso que quem seja detentor do mandato - no caso aqui na Assembléia nós somos dois deputados, eu e o deputado Euclério Sampaio - possa se fazer presente nessas regiões para fortalecer o partido ali, para que possa, então, dali partir para um crescimento. E nós não tivemos perna ainda para alcançar todos os municípios na mesma proporção. Mas vamos, nessa segunda fase agora, se Deus quiser, atingir aqueles municípios que ainda não têm tanta força e tanta representatividade como têm municípios importantes no nosso Estado... Vitória, Vila Velha, Cariacica, Serra, Cachoeiro de Itapemirim, São Gabriel da Palha, Pancas, Fundão, Ibiraçu, João Neiva, Conceição da Barra... e tantos outros municípios que estão na geografia política, digamos assim, do Espírito Santo e em maior evidência. Mas nós temos um sem número de outros que, embora não sejam contemplados pela classe política, numa visão de dar importância a determinados municípios, acho que também eles merecem assistência e melhor atenção para que o partido se fortaleça muito mais ainda.
- E o senhor está se fazendo presente nesses municípios?
- Estou. Eu talvez seja, modéstia à parte, o deputado, hoje, dos trinta, na Casa, que mais viaja no Espírito Santo, que mais está presente nos municípios, independente do tamanho, independente da economia, se é forte ou fraca, independente da sua posição em relação a mim. Eu tenho estado presente muito no Estado do Espírito Santo. Mas é uma pena que eu seja apenas um e não consiga atingir todos os municípios. É por isso que é preciso fortalecer o partido, trazer mais lideranças que estejam dispostas a percorrer também o restante dos municípios do Espírito Santo, para que essa presença não seja apenas a presença do deputado, mas a presença do partido nessas regiões.