"Patriotismo significa preocupar-se consigo mesmo
através da preocupação com seu país."
(Calvin Coolidge)
O diálogo entre o PMDB estadual e o governador Paulo Hartung parece que está esquentando. A tentativa, embora não muito declarada, é filiar Hartung, sem partido há mais de um ano. Para o presidente da legenda no Espírito Santo, deputado federal Marcelino Fraga, o PMDB é marcado por dissidências internas e conflitos em nível nacional, mas mantém o nome 'limpo' na praça.
Segundo o deputado, quem sair do PMDB, o partido mais antigo do País, sai perdendo. Um bom mote para atrair visitantes, simpatizantes ou indecisos sobre filiação. No caso do governador, Marcelino não deixa transparecer que já esteve numa posição praticamente contrária às idéias do grupo político de Hartung.
Agora, talvez seja a opinião categórica de quem ainda não está totalmente certo de uma filiação que tenderia a robustecer o partido dentro do Estado. Mas o PMDB não tem interesse em filiar o governador por este se colocar em evidência. É o que diz Marcelino, nesta entrevista.
Ele fala também de outro possível ou futuro peemedebista, o ex-governador Max Mauro, por enquanto no PDT. Mauro e Hartung jamais ficariam juntos na mesma legenda, na avaliação de Marcelino. Como presidente de um partido, ele admite que a situação depende das conversas que rolam nos bastidores, ou seja, a vaga não é de quem chegou primeiro. Será, segundo Marcelino, de quem atender aos interesses nacionais do partido. Ou seja, de quem aceitar o candidato do partido a presidente da República, muito provavelmente o ex-governador fluminense Anthony Garotinho.
Século Diário: - Eleições 2006. Como o PMDB já está se comportando em relação às eleições 2006?
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Foto: Apoena
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Marcelino: - Diante dessa crise que estamos vendo, estamos aguardando a reforma política, que está para ser votada no Congresso Nacional. Essa reforma tem que ser votada e, se for, será no mês de agosto ou no mês de setembro. Não ocorrendo essa modificação, que pode ser vista até como uma modificação radical, mudando todo o perfil do processo eleitoral e partidário, nós estamos trabalhando já a filiação de novas pessoas: quem se proponha a ser candidato a deputado federal ou a deputado estadual. Mas a chapa do PMDB, com candidatos a deputado federal ou deputado estadual, é uma chapa bem completa. Nós podemos até caminhar sem coligação. Eu acho que podemos buscar coligação porque facilita o aumento de candidatos eleitos, quando se faz uma boa coligação. Mas o PMDB quer uma chapa completa de deputado federal e uma chapa completa de deputado estadual de membros filiados. Eu acho que isso não nos acomoda. Vamos buscar novas filiações. Vamos fazer isso, daqui até o final de setembro, que é o prazo final. Nós vamos buscar novas filiações, para enriquecer ainda mais o quadro. A questão de candidato a governador e a senador também. Já que vai ter eleição no próximo ano, nós queremos ter candidatura própria - tanto a governador quanto a senador. Tem quadros do PMDB que têm condições de ser candidatos a governador, os que já estão filiados, e novos quadros que poderão se filiar ao PMDB. O ex-governador Max Mauro (PDT), que já, por oportunidade, conversou conosco. O próprio governador Paulo Hartung também tem tido algum tipo de conversa, no sentido de se filiar ao PMDB. Então, o PMDB deverá ter candidato no Espírito Santo, para esse mandato - coisa que já não tem há muito tempo. O PMDB aqui no Estado, como no próprio país, é o partido de maior sucesso nas eleições proporcionais, com deputados estaduais e deputados federais. Na questão majoritária, de presidente da República, é um partido que está sentindo dificuldade em ter seu candidato. Mas eu imagino que nessa eleição aqui no Estado nós vamos ter candidato a governador e teremos uma candidatura própria a presidente da República. E isso, no período passado, vivemos uma dificuldade, mas acho que agora vamos conseguir emplacar o nosso candidato a presidente. Aqui no Espírito Santo temos esse compromisso. Alguns diretórios estaduais não têm esse compromisso e querem buscar alianças com o PSDB. Alguns diretórios querem buscar com o PT. Mas a maioria dos diretórios do Espírito Santo tem um compromisso de fazer com que a gente saia com candidato a presidente pelo próprio partido, pelo PMDB.
- Há alguns meses, dizia-se na imprensa que o senhor teria uma postura contrária à filiação do governador Paulo Hartung ao PMDB.
- É, a imprensa colocou isso em algum momento, de que tive uma certa resistência ao governador Paulo Hartung. De forma alguma! Eu não tenho nenhuma resistência à filiação do governador, eu até tenho conversado com ele. Existem alguns membros do partido que já estão no governo, mas não com o partido. São pessoas que são filiadas ao partido que estão compondo o governo, mas não é o partido que está no governo. Não há nenhuma resistência, como eu já disse, o que existe da nossa parte é a conversa com o governador Paulo Hartung de que, caso ele venha a se filiar ao PMDB, que ele esteja em consonância com a candidatura a presidente da República. Nós queremos ter um candidato a governador no Estado que esteja em consonância com a candidatura a presidente da República. Não é bom para a democracia, não é bom para o partido a gente ter uma candidatura a presidente e o candidato a governador à distância dessa candidatura. Nós vamos estar alinhados nessa mesma proposta, que é a proposta maior da candidatura a presidente da República. Então, eu não tenho nenhuma dificuldade de filiar o governador, mas estamos conversando nesse sentido de estarmos juntos numa candidatura a presidente da República também.
- O PMDB também está conversando com o ex-governador Max Mauro, que é inimigo político do governador Paulo Hartung. Como juntar essas duas figuras no partido?
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Foto: Apoena
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- Essas duas figuras não se juntarão, com certeza, dentro do PMDB. O PMDB tem quadros para candidatura a governo do Estado, com gente já filiada. Mas há o caso de interesses de novos quadros com essas duas figuras. Ou vem uma ou vem outra. A gente não aposta nessa possibilidade de os dois estarem juntos no PMDB. Isso não vai ocorrer, mas há interesse de conversarem conosco, como já estão conversando, para algum deles estar filiado.
- Na Assembléia Legislativa, o PMDB conta com dois deputados. Sabe-se que os dois não se afinam muito... Como fica a imagem do partido em relação a isso?
- Não, eu acho que os dois se afinam, sim. Os deputados Sérgio Borges e Luiz Carlos Moreira são deputados desde a legislatura passada... Acho que são unidos. Não vejo nenhuma diferença de pensamento e comportamento em relação aos dois. Nós temos que melhorar o nosso desempenho na Assembléia Legislativa. O número de deputados é pequeno, mas nós vamos mudar isso. Vamos aumentar esse número na próxima eleição.