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Foto: Divulgação
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| Banda estreou novo CD com ares de primeira vez
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Estréia é uma coisa complicada. Por mais experiência que se tenha, sempre dá aquele frio na barriga. E o show de sábado (13), da banda Los Hermanos, no Planeta Ibiza, em Vitória, teve ares de primeira vez, já que ali foi feito o lançamento nacional do quarto disco da banda, chamado "4".
Um dia antes do show, o bem-humorado baterista Rodrigo Barba dizia: "A gente está muito ansioso porque vai ser o primeiro show da nova turnê. O primeiro em que a gente vai tocar uma quantidade boa de músicas novas. Vai ser um termômetro muito importante para o que a gente vai fazer depois. Se for bom, se for ruim, vai ser ali que vai se decidir muita coisa".
E, antes de o som tomar conta do ambiente, a expectativa rolava também por parte do público. Durante a apresentação, o que se viu foi a pura admiração que os capixabas têm por esses cariocas. Apesar de as músicas novas não estarem na ponta da língua de todo mundo, a interação entre palco e platéia foi boa.
Porém, o fato de as novas canções serem um pouco mais lentas do que a maioria das dos discos anteriores fez com que, em certos momentos, o show perdesse um pouco de energia. Nada que atrapalhasse a qualidade do espetáculo. A tendência é que, conhecendo as letras, a cada show as pessoas cantem ainda mais e ajudem a fazer o show melhor do que já é.
Se Vitória vai ser um termômetro e a banda vai tirar muitas lições daqui, é justo também que o público local receba algo em troca. A seguir, nas palavras de Barba, detalhes da produção do novo cd e das mudanças no som da banda. Segredos de quem faz arte com o coração.
Século Diário: O novo álbum está com um estilo um pouco diferente. Como foi o processo de composição?
Rodrigo Barba: A história toda foi mais ou menos a mesma. O Marcelo e o Amarante não pararam de compor desde quando acabou o Ventura. Até a época do sítio eles continuaram compondo, voz e violão.
Vocês se retiraram para um sítio novamente para fazer os arranjos?
É, a gente foi para um sítio. Não o mesmo sítio. É sempre em um sítio diferente. Até porque, é alugado. A gente vai e é lá que começa a acontecer. O Marcelo mostra pra gente, o Amarante mostra pra gente, cada um pega um instrumento e a gente começa a ver o que é que cada um vai tocar.
Quando é que vocês foram para lá?
A gente foi em fevereiro e março pra lá e passou um período de quase dois meses.
E o que houve de diferente desta vez?
O que eu acho que aconteceu de diferente foi que das outras vezes a gente saiu do sítio para ir para o Rio com 90% do cd pronto. Quando acabou a parte do sítio, todos os arranjos possíveis que a gente tinha, que a gente podia fazer, todas as melodias, a gente tentou terminar tudo pra chegar no Rio de Janeiro para gravar. Isso a gente não fez nesse cd. A gente deixou bastante coisa. Tipo: "Ah, não! Vamos deixar esse buraco aqui para ver o que vai acontecer lá no estúdio. Vamos ver quem a gente vai chamar para acontecer no estúdio". Acabou que muitas dessas coisas que a gente deixou pra fazer depois, achou melhor não fazer, deixar sem fazer, a gente se acostumou, sei lá... No sítio, a gente fica meio limitado no que pode tocar. No estúdio, a gente pode chamar pessoas, se ficar ruim a gente fala "pô, brigado, não ficou legal ou não encaixou na música" e o cara, "pô, beleza". Nós tentamos adquirir esse problema, sabe? Pra gente ter que resolver depois. Essa acho que é a principal diferença do processo desse cd.
E, depois que ficou pronto, como que vocês reagiram? Foi o que vocês esperavam?
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| "Quando a gente começa a tocar as músicas e o público responde, vira outro espetáculo"
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É difícil responder. Eu ainda não consigo ver o cd como um cd. Eu ainda fico preso em alguns detalhes porque a gente fica pensando na música e tocando a mesma música várias vezes, pensando na viradinha aqui, em como vai ser a melodia desse pedaço. Então, é difícil para eu chegar em casa e ver o cd como um cd, que nem você chega em casa e põe, escuta as músicas, a relação entre elas... Eu ainda não consegui me colocar de fora.
É uma coisa muito recente.
Muito recente. Muito próxima. Eu posso dizer é que eu estou muito satisfeito com a bateria. Uma coisa que me agradou muito com relação a esse cd foi o som que a gente conseguiu tirar lá com pessoas que trabalham com a gente desde o Bloco (Bloco do eu sozinho, segundo cd da banda). Já é o terceiro cd que a gente está fazendo coisas junto e isso facilita bastante o processo. E eu estou muito feliz com o som. Acho que todo mundo ficou muito feliz.
E com relação aos metais, que vocês dispensaram desta vez?
É, na verdade, a gente não dispensou. O que aconteceu foi que fez parte desse processo que eu te falei. O que a gente fazia antes era chamá-los para o sítio e lá no sítio preenchia esses buracos que apareciam com os metais. Como a gente não queria preencher os buracos, não chamamos os metais. Não chamando os metais, a gente abriu a oportunidade de fazer com outros instrumentos.
Foi um processo meio natural?
Foi, foi. Uma coisa levou à outra, que levou à outra, sem a gente pensar que seria assim. A única coisa que foi previamente calculada foi essa história de não resolver tudo antes de ir pro estúdio. Isso foi. A gente conversou muito sobre isso, todo mundo concordou. Como seria a gente chegar no estúdio e resolver, experimentar com outro instrumento. Então, a gente não pensou muito. A gente pensou só na hora, quando a gente resolveu não fazer nada e deixar do jeito que tava.
As pessoas estão comentando que esse cd está muito diferente e pode acontecer de muita gente não gostar. Qual a expectativa de vocês quanto à reação do público? E como vocês lidam com essa possibilidade de mudança, de perder público ou não?
A gente não sabe como lidar com isso (risos)... Eu acho que a gente não pode querer pensar nisso, fazer disso a causa. Eu acho que a gente tem que ser sincero. O mais importante é ser sincero. Se a gente for sincero com a gente, nós quatro, nós oito que subimos no palco na hora de tocar, eu acho que fica muito mais fácil de a gente agradar uma pessoa. A gente está fazendo o que a gente gosta, o que a gente acredita realmente. Então, se a pessoa não gostar, a gente não pode obrigar a pessoa a gostar. Se a pessoa gostar, a gente vai ficar muito feliz, sabe? Porque a gente está fazendo de coração mesmo. Está se entregando ao máximo possível. Eu sei que o Marcelo e o Amarante na hora de compor estão se entregando. A gente quando vai fazer um arranjo, a gente está tentando o melhor que a gente pode fazer.
E é uma questão de refletir o momento que a banda vive?
É, é... Se fala em amadurecimento, mas eu não acredito muito nessas coisas, não. Acho que é simplesmente isso que você falou. É um outro momento. As coisas mudam. Não quer dizer que mudou pra melhor ou pra pior. Mudam. O dia-a-dia muda, o nosso dia-a-dia muda. A gente muda e o jeito que a gente vai tocar também. É natural.
O Los Hermanos é uma banda muito rotulada. Agora tem essa questão do amadurecimento que você falou, comenta-se também que o cd está melancólico. Enfim. Tem algum tipo de definição que se repete e que, às vezes, incomoda?
Não, o que eu acho é que sempre quando sai a primeira resenha, a primeira crítica ou alguma coisa assim, ela se repete muito durante esse primeiro momento. As pessoas que vão entrevistar a gente acabam lendo e se deixando influenciar por aquilo que leram e é aquela coisa que vira uma bola de neve (risos)...
Os últimos shows aqui na Grande Vitória, no Barracústico e no Clube Libanês, foram bem diferentes entre si quanto à quantidade de gente e ao comportamento do público também. No Libanês, o show teve até que ser parado por causa de uma briga. Como essas variações influenciam no envolvimento e na emoção de vocês durante as apresentações?
Quando acontece alguma coisa ruim, assim, de briga, o Marcelo e o Amarante sempre mandam bem, eles param a música, falam com o cara, para ele segurar a onda, se quer arrumar confusão vai lá pra fora que tem gente que quer ver o show numa boa. Falam também para o segurança não pegar pesado. Porque a gente é privilegiado, a gente vê de cima, tem o microfone. Mas, a gente sempre leva numa boa e tenta dar um certo cuidado. A gente tenta resguardar quem está a fim de curtir o show. A gente ganha muito quando o público está feliz, sabe? O show vira outro show. Quando a gente começa a tocar as músicas e o público responde e canta, ou se diverte ou pula, vira outro espetáculo. O nosso show vira outro show, mesmo. A gente entra no clima e aí vira uma coisa só.
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