Está faltando fiscalização mais rigorosa das autoridades e sobrando desatenção das empresas que terceirizam seus serviços. Resultado: tragédias cada vez mais freqüentes, ceifando a vida de trabalhadores, sem que os responsáveis assumam suas responsabilidades e possam ser punidas.
É o que está acontecendo com o mais recente acidente envolvendo uma empreiteira contratada pela Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) e que matou três operários no último sábado (13).
Os trabalhadores atuavam na descarga de calcário dos vagões da Vale, no terminal de Tubarão, quando um dos vagões tombou e provocou efeito dominó, descarrilando outros 11 vagões. Parte da carga caiu sobre as vítimas e estas foram esmagadas, tendo morte instantânea.
Quem vai pagar por mais esta tragédia? Eis a grande questão. A Vale, como sempre, joga a culpa em sua terceirizada. Mas, como observa o presidente da CUT do Espírito Santo, José Carlos Pigatti, a Vale, ao que tudo indica, não está exigindo de suas empreiteiras maior cuidado com a segurança dos trabalhadores.
Há mais uma agravante nessa história: os trabalhadores terceirizados das grandes empresas estão no momento sem representação sindical, pois a entidade que os congrega está com suas atividades suspensas. Isto agrava o quadro na medida em que os trabalhadores não contam com apoio de suas lideranças para fazer com que as empresas - terceirizadas ou não - adotem as medidas de segurança recomendadas pela legislação trabalhista.
Se houvesse um representante sindical acompanhando os trabalhos, a tragédia poderia ser evitada, opina Pigatti. E ele está coberto de razão.
Não se admite que atividades altamente perigosas sejam realizadas sem que lideranças da categoria possam acompanhá-las. O Sindicato dos Ferroviários está legalmente impedido de cuidar dos interesses dos trabalhadores das terceirizadas.
E o Ministério Público do Trabalho (MTP) nada pode fazer para forçar a adoção de medidas preventivas, pois não conta com os subsídios de um sindicato que poderiam respaldá-lo. Então, o que ocorre - e não se sabe até quando isto vai continuar - é o que Pigatti aponta como terceirização de acidentes fatais envolvendo as grandes empresas aqui sediadas.
O Sindifer promete atuar, mesmo que informalmente, para que as investigações sobre o acidente ocorram com a brevidade necessária e que os responsáveis sejam exemplarmente punidos. É preciso, igualmente, que as famílias dos trabalhadores mortos sejam assistidas e indenizadas.
Agora, só resta torcer para que entraves burocráticos não deixem impunes os culpados por mais esta tragédia.
|