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Xô, pesadelo
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Geraldo Hasse
Não sou petista de carteirinha e nunca fui militante partidário, tampouco tenho procuração para defender esse ou aquele guru de seita política ou religiosa, mas faço parte da torcida por uma solução digna, que não enterre velhos sonhos humanistas na vala da corrupção. Eis que encontro na Zero Hora de Porto Alegre um artigo lúcido. Saiu no dia 29 de julho de 2005. Transcrevo-o, na esperança de que sirva de consolo e alento nesse momento de perplexidade.
PT: HÁ SAÍDA?
Ericléa Leão de Souza*
De bocas petistas, ultimamente, ouvem-se apenas balbucios e lamentos. Não sem razão, é certo. Mas já é hora de pararmos de falar em sonhos roubados, almas perdidas e esperanças sequestradas. Sou filiada ao PT desde 1986. Era, portanto, tão jovem quanto ele próprio. Talvez por conta da minha imaturidade e a do partido, acredito que eu e muitos da minha geração tenhamos criado uma idéia fetichizada não da mercadoria, como nos sugeria Marx, mas a respeito desta novidade partidária.
O Partido dos Trabalhadores era irresistível e a bem da verdade, a única opção real para os que possuíam a histórica e impaciente inquietude da esquerda, naquele Brasil que emergia, ainda cambaleante, em meio aos destroços deixados por 20 anos de sangrenta e abjeta ditadura política.
O magnetismo do PT emanava justamente da sua inigualável capacidade de agregar pessoas cujas práticas referenciavam-se em teorias e pensamentos de esquerda, de timbres políticos variáveis, de origens e movimentos sociais diversos, mas com uma forte característica em comum: a inabalável confiança uns nos outros e, portanto, no próprio PT. Este sentimento, esta é minha hipótese, despertou em boa parte dos petistas uma percepção subjetiva do partido semelhante à que vivemos nas relações familiares, entre amigos, afetivas e amorosas, em que confiança e lealdade são pilares fundamentais. Desta forma nasceu a tão orgulhosamente alardeada ética petista, que sempre impulsionou a intrépida militância do PT.
Não há nenhuma ilegitimidade nisso. Ao contrário, sempre foi um sentimento absolutamente sincero e honesto. Entretanto, penso que este foi nosso principal problema. Tem sido alto o preço que estamos pagando pela crônica falta de objetividade para compreender o PT como o que ele é e sempre foi: uma instituição política, obviamente humana e, portanto, complexa e vulnerável a todas as virtudes e vicissitudes a ela inerentes.
Então o que vamos fazer? Abandonar nossos sonhos? Destruir nossas convicções? Evidentemente que não. Devemos imediatamente substituir nossos desabafos indignados por atitudes dignas contra aqueles que aderiram à tese de que os fins justificam os meios e adotaram métodos imorais e/ou ilícitos (para mim não há muita diferença) para manter projetos de poder, infringindo e desrespeitando nossas deliberações, estatutos e normas institucionais partidárias.
Nossas ilusões, nosso fetiche, nossa ingenuidade e nossa arrogância são os responsáveis por nossa própria desgraça. Somos mais iguais do que parecemos. Mas, definitivamente, todos este erros não nos condenam a jogar 25 anos de história no lixo. Ninguém vai espalhar as cinzas causadas por nosso próprio incêndio. A esmagadora maioria dos filiados, simpatizantes e eleitores do PT deseja e exige esclarecimentos dos fatos e punições a todos os envolvidos, sem exceção, à luz do mais rígido ordenamento jurídico, dentro e fora do partido. Não há outro caminho. Ou o seguimos, ou desaparecemos.
* Médica
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