Governistas acham que o ex-prefeito de Vitória Luiz Paulo Vellozo Lucas vai respeitar a hierarquia no grupo político do governador Paulo Hartung, apesar da chance clara em se tornar candidato ao governo do Estado bafejado pela sorte de o amigo José Serra, prefeito do PSDB de São Paulo, ter virado franco favorito à presidência da República.
No dizer desses governistas (eles deploram o eufemismo hartunguete), Luiz Paulo deve portar-se como o segundo na escala de valores do grupo, deixando o governador definir sua preferência eleitoral para depois posicionar-se. Não lhe negam, a priori, a possibilidade de vir a ser candidato ao governo, desde que o governador se defina pelo Senado.
É verdade, que ao longo de sua convivência com o governador Paulo Hartung, Luiz Paulo vem dizendo que há hierarquia entre eles e respeita a liderança do governador. Mas, por outro lado, não se pode ignorar que o Estado pode estar vivendo um caso do cavalo arriado. Serra, franco favorito no pleito nacional, puxando, no Espírito Santo, o seu amigo predileto para o governo do Estado.
Pode-se tornar, muito bem, uma situação concreta. Uma barbada eleitoral. Como é que fica essa hierarquia numa situação dessa natureza? Complicado. O governador vai para a reeleição e lhe destina o Senado? Não é fácil porque aí restringir o campo das alianças. Já em situação contrária, não. O governador dá um passeio na raia para o Senado e une o seu prestígio com o do José Serra para fazer Luiz Paulo governador.
Do meu ponto de vista, e também para os que conhecem a sagacidade do governador e sua ardilosidade, vai ser um problemão e tanto para ele. Ainda mais com o antecedente da derrota que impôs à mãe de Luiz Paulo, a Mariazinha, para a presidência da Assembléia.
Está cedo ainda para definições, mas tudo indica que com o calvário do presidente Lula, a via crucis do PT, não precisa ser gênio em política para prever um José Serra serrando de cima e buscando arranjos pelos estados que garantam sua eleição e façam de Luiz Paulo o seu candidato no Espírito Santo. Ninguém melhor do que Luiz Paulo no Estado, até porque o Serra conhece bem a política capixaba e não vai querer levar outro toco como o que levou do Lula nas eleições passadas.
Só que, quando há poder no meio, o governador, que é catedrático na matéria, costuma se dar bem. Luiz Paulo já sentiu isto na pele nas eleições para a prefeitura de Vitória e está na hora de se prevenir com uma boa armadura, para não entregar o jogo, antes da hora, mais uma vez, como se fosse um mero embate, nos céus capixabas, entre uma águia de bico afiado e um ingênuo bem-te-vi.
Fragmentos
1 - A morte do ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes pode elevar ainda mais a posição do deputado federal capixaba Renato Casagrande dentro do PSB. Arraes era presidente nacional do PSB e via no deputado capixaba um enorme potencial para substitui-lo na presidência do partido.
2 - Arraes foi quem escolheu o deputado socialista capixaba para a secretaria-geral do partido e liderança da bancada na Câmara dos Deputados. Admirava a maneira com que Renato conduzia a unidade do PSB no Espírito Santo.
3 - Entre as novas lideranças da esquerda nacional, Casagrande ocupou um bom espaço e a tendência do partido é contemplá-lo melhor. Entre os projetos para Casagrande ascender no cenário nacional está o de disputar o Senado pelo Espírito Santo.
|