Funai & Aracruz x índios





Ubervalter Coimbra


Inacreditável o que aconteceu aos índios capixabas em Brasília, nestas terça (9) e quarta-feira (10).

Na terça, ao invés de se posicionar de forma clara em favor dos índios, a Fundação Nacional dos Índios (Funai) começou reunião com os tupiniquins e guaranis querendo saber quais são suas propostas sobre os eucaliptos plantados pela empresa nas suas terras (dos índios). Desconheceu a Funai que a multinacional invadiu as terras dos índios há quase quatro décadas, e as explorou de forma intensiva.

Na quarta, em audiência pública na Câmara dos Deputados, a Aracruz Celulose diz que os estudos técnicos que comprovam que as terras que ocupa são dos índios não são "científicos", e que vai contestá-los na Justiça, entre outras sandices.

Os estudos que comprovam serem terras indígenas 18.070 hectares de terras que a empresa invadiu, dos quais ocupou e explorou 11.009 até maio deste ano, são científicos, sim! Foram conduzidos por profissionais da mais alta qualificação, que aplicaram metodologia científica no processo. Os especialistas são da própria Funai, oficiais, portanto. Tergiversa, pois, a Aracruz Celulose.

E que Funai é esta que, ao invés de ver o óbvio - a invasão e exploração das terras indígenas permitindo cortes de quatro gerações de eucalipto, que tem um ciclo de sete anos - fica do lado da multinacional? As terras são dos índios, têm de ser demarcadas oficialmente (já foram autodemarcadas pelos índios) e entregues a eles com as tais plantações de eucalipto. Seria apenas o começo do processo de indenização a qual os índios têm direito.

E mais: em nome dos índios, deve exigir reparação da multinacional pelo uso ilegal das terras, por tanto tempo. Os índios têm muito dinheiro para receber da Aracruz Celulose!

A Funai tem, ainda, que prover os índios os meios necessários para recuperação das terras degradadas pela Aracruz Celulose. Um trabalho de Hércules, pois as terras estão depauperadas, sem água, contaminadas por venenos agrícolas.

Diretores da Funai, como o seu vice-presidente Roberto Lustosa, ficariam muito bem, ao que parece, na diretoria da Aracruz. Pois, em relação aos índios seu comportamento tem sido no mínimo indefensável. Alguém talvez o adjetive como imoral!

Não deve a Funai ceder ao poder, aparentemente crescente, da Aracruz Celulose em Brasília.

Os índios prometem não recuar e entregar suas terras.

E a direção da Funai que se respeite e proteja os índios da poderosa multinacional.