"Até os acidentes estão sendo terceirizados", afirmou o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), José Carlos Pigatti (foto). Para ele, o acidente ocorrido no último sábado (13) em uma empreiteira da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), que deixou três mortos, mostra que a representatividade dos funcionários das empresas terceirizadas está a cada dia pior.
O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Prestadoras de Serviço (Sindprest), que legalmente está incubido de representar essa categoria, teve a sua diretoria destituída por liminar da Justiça do Trabalho há dois meses, após terem sido detectadas várias irregularidades. "Esses trabalhadores que desempenham funções que contribuem, ou estão ligadas à atividade fim da empresa, deveriam ser representados pelo sindicato majoritário. No caso da Vale, mesmo quem atua nas terceirizadas deveria ser representado pelo Sindicato dos Ferroviários", afirmou Pigatti.
A diretoria do Sindicato dos Ferroviários do Espírito Santo e Minas Gerais (Sindfer) informou que irá acompanhar as investigações sobre as causas do acidente e cobrar da Vale mais segurança das suas empreiteiras. A diretoria alega que, pela legislação sindical, o Sindfer não pode representar a categoria, mesmo que os trabalhadores requeiram isso por escrito.
Pigatti acha que, mesmo não sendo os representantes legais da categoria, a CUT e o Sindfer podem pedir ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e à Delegacia Regional do Trabalho (DRT) que seja intensificada a fiscalização nesses empresas terceirizadas, que devem estar submetidas às mesmas medidas de segurança que a empresa primária. "Quando se fala em acidentes com mortes envolvendo o nome de grandes empresas, geralmente eles aconteceram em uma terceirizada", disse.
De acordo com informações do MPT, todas as atividades do Sindprest estão suspensas, o que o impede de atuar como representante dos trabalhadores das terceirizadas no momento. "Se o sindicato estivesse lá dentro trabalhando, essas mortes poderiam ser evitadas", comentou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos (Sindimetal), Francisco Carlos de Azevedo.
Mesmo impedido judicialmente de atuar, é o Sindprest que está como representante dos trabalhadores terceirizados e que se reuniu na manhã desta segunda (15) com a diretoria da empresa Busato Transportes e Locações Ltda., pela qual os trabalhadores mortos no acidente atuavam. O assessor jurídico do Sindprest, Eluiz Carlos de Melo, afirmou que há uma junta governativa, formada por três trabalhadores da categoria, à frente do sindicato até que sejam resolvidas os problemas judiciais e uma nova diretoria seja eleita.
Acidente
Três funcionários da empresa Busato Transportes e Locações Ltda, empreiteira da Vale, morreram no último sábado (13), após o descarrilamento de doze vagões carregados de calcário, que caíram sobre eles quando faziam a descarga no pátio de Tubarão. Eles trabalhavam há mais de um ano para a empresa, que é especializada em manuseio e transporte de insumos.
Morreram no acidente o encarregado de produção Célio Roberto Silva Souza, 28 anos, e os operadores de produção Jair Almeida da Silva, 39, e José Almeida, 43. Os três eram moradores do município da Serra e foram sepultados neste domingo (14). O corpo de Célio Roberto foi levado para a Bahia, onde reside a família. Os outros dois foram enterrados em cemitérios do município da Serra.
A causa do acidente ainda está sendo investigada. De acordo com informações de policiais, que estiveram no local para a perícia, um vagão tombou e derrubou os outros 11 em efeito dominó. Os trabalhadores provavelmente morreram esmagados pelos vagões ou soterrados pela carga.
Representantes da empresa Busato Transportes e Locações Ltda se reuniram nesta segunda-feira (15) com a junta governativa do Sindprest. Eles também se reúnem nesta segunda (15) com representantes da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), para avaliar as circunstâncias do acidente que vitimou os três trabalhadores.
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Outros acidentes
9 de agosto de 2005
A fisioterapeuta Ana Paula Freitas Amâncio, de 28 anos, morreu após ser atropelada por um trem de minério de ferro da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), no dia 9 de agosto, quando andava na ferrovia a caminho do trabalho. O acidente aconteceu na área interna da ferrovia próxima à Estação de Fundão. As causas ainda não foram detectadas.
18 de maio de 2005
O choque entre um trem para carregamento de minério de ferro e um caminhão, matou André Luiz nascimento da Conceição, 29 anos, e deixou três feridos. Eles estavam no caminhão e trabalhavam para a empresa Metálica Engenharia, terceirizada da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD). O acidente aconteceu no dia 18 de maio em um pátio de manobras da CVRD.
21 de junho de 2004
No dia 21 de junho do ano passado, o caldeireiro João Seleguini Filho, 45 anos, teve sua coluna esmagada num acidente de trabalho que aconteceu na Oficina de Vagões de Itacibá, em Cariacica. João era funcionário da Metálica Engenharia, empreiteira da CVRD, e sofreu o acidente ao cortar uma chapa da lateral de um vagão, com um maçarico. Ao fazer o serviço, a chapa - de mais de 500 quilos - caiu sobre ele. O funcionário teve dois elos da coluna quebrados e um totalmente esfacelado.
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