Foto: Divulgação
|
|
| |
Entre 1976 e 1990 o Brasil teve uma florescente indústria de automóveis fora-de-série. Foi uma das poucas vezes em que o País conquistou espaço no setor com seus próprios carros, totalmente nacionais. Naquele intervalo ficou proibida a importação de veículos. Antes disso, a Puma havia alcançado grande sucesso, produzindo 25 mil unidades entre 1968 e 1982 e até exportando. Com a abertura ao exterior, os mais de 20 fabricantes de esportivos nacionais, mesmo protegidos por impostos altos, não resistiram e fecharam as portas um a um.
Mas isso não impediu que, agora, os empresários José Orlando Lobo e Fábio Birolini resgatassem a imagem de criatividade e ousadia dos desenhistas brasileiros e lançassem o Lobini H1, um roadster compacto, de 3,72 m de comprimento e apenas 1,18 m de altura. Foi um projeto longamente maturado, ao longo de oito anos, até a entrega do primeiro carro, em julho deste ano, ao preço de R$ 157.000,00. Os concorrentes importados são pelo menos 50% mais caros.
A inspiração do modelo, sem rodeios, foi o Lotus Elise, por se tratar de um esportivo inglês de verdadeira estirpe. Testes com um modelo em escala apuraram o coeficiente aerodinâmico, inclusive no desenho do perfil extrator de ar na traseira e no assoalho plano e totalmente carenado. O espaço interno é melhor do que o Elise, pois permite acomodação de motorista e acompanhante de até 1,90m. Dois engenheiros ingleses com experiência no ramo, G. Holmes e D. Minter, ajudaram em algumas fases do desenvolvimento. A Chamonix foi outro parceiro e chegou a entregar as primeiras carrocerias de plástico, mas agora há outro fornecedor.
Foto: Divulgação
|
|
| |
Embora tenha sido apresentado no Salão do Automóvel paulista, em outubro do ano passado, pouca gente é capaz de acreditar que se trata de um modelo brasileiro, com motor de Golf/Audi A3 1.8 Turbo de 180 cv, colocado na posição central traseira.
Até parado o carro desperta admiração com suas portas que se abrem para cima, em movimento de tesoura. Há pontos espelhados no Ferrari Enzo como pára-lamas e lanternas traseiras. Suas linhas musculosas seguem a tendência atual. Dois arcos robustos ("santantônios") e cromados estão de acordo com a proposta de função sobressaindo à forma que permeia todo o projeto. Removido o teto, que fora de uso é fixado sobre a tampa do motor, fica mais fácil de entrar.
O conforto de marcha é o esperado, suportando bem os buracos, mas algum ajuste será feito na calibragem dos amortecedores. Ar-condicionado, sistema de som, abertura elétrica das portas e botão de partida no painel são as concessões de praxe. A visibilidade traseira é prejudicada especialmente em manobras lentas, algo do qual o Lobini quer distância por definição. Há bons materiais de acabamento e pormenores a corrigir, como a dobradiça externa da tampa do porta-luvas. O carro não possui estepe, substituído por um tubo de spray para reparação de pneus.
Com seus 1.025 kg de peso, a fábrica indica que o Lobini pode acelerar da imobilidade aos 100 km/h abaixo de 6 s e a velocidade máxima chegar aos 240 km/h, quando utiliza a versão de 230 cv. O protótipo apresentava ruídos diversos, em especial de passagem de ar, que, promete o construtor, serão solucionados. Por escolha proposital de projeto, excluiu-se o freio ABS para instigar a habilidade do motorista. Neste ponto específico parece se afastar da melhor solução, considerando que se pode andar mais rápido com a segurança proporcionada por rodas que nunca bloqueiam.
|