Vitória (ES), edição de fim de semana
 
De conversa em conversa, ele vai
arranjando um jeito de crescer





Cristina Moura


"Só há uma coisa pior
do que lutar com aliados
- é lutar sem eles."
(Wiston Churchil)





  
Foto: Carlito Medeiros
  

O presidente estadual do PTB e deputado federal Marcus Vicente está trabalhando pela sua reeleição. Ele planeja obter 76 mil votos. Enquanto isso, pensa pelo partido, ou seja, nas estratégias mais prováveis sobre alianças para o ano que vem.

Nada, no entanto, definido. As conversas é que se deixam correr, com os mais variados perfis políticos. Desde o governador Paulo Hartung ao ex-governador Max Mauro (PDT). Quanto ao primeiro, Vicente diz que houve, sim, uma tentativa de diálogo em busca de uma filiação. A crise nacional teria sido a responsável pelo fim do processo.

Marcus Vicente revela quais são os nomes mais prováveis para estadual e federal nas eleições de 2006. E se mostra tranqüilo como carro-chefe no Estado de um partido que, nacionalmente, teria sido manchado com denúncias e escândalos. Para Vicente, o PTB, na verdade, beneficiou a sociedade brasileira, já que teve coragem de denunciar e desencadear as revelações.

Século Diário: - O PTB vai para onde nas eleições 2006? Vai para os braços de Paulo Hartung?

Marcus Vicente: - O PTB vai primeiro para os braços dele mesmo. Está construindo uma agenda com quatro reuniões regionais, com o objetivo de estimular as candidaturas a deputado estadual e federal. Uma reunião em Itapemirim, uma reunião em Linhares, outra em Domingos Martins e a última em Vitória no dia 17 de setembro. Exatamente aumentando a possibilidade, o leque de mais candidatos inscritos nesse livro que já contém 21 nomes.

- Para quê?

- Para deputado estadual. Com isso, o PTB espera melhores condições para buscar boas alianças que interessam ao partido, visando às eleições majoritárias do ano que vem.

- O senhor é conhecido pela formulação política. Na eleição passada, o senhor se elegeu com menos de 50 mil votos. Zé Carlinhos, por exemplo, com mais de 100 mil, não se elegeu. Qual é a ginástica para 2006?

- Bom, na verdade nós tivemos 65.954 votos. Foi este o número exato. A ginástica é justamente essa... Primeiro porque nós organizamos o PTB em 77 municípios. Falta só Governador Lindemberg. Nós assumimos o PTB em março de 2003 com apenas 14 municípios organizados. Então, hoje nós temos uma rede partidária organizada, além do meu mandato de deputado federal em todo o Espírito Santo. Nós hoje, evidentemente, ao fazermos uma boa chapa de deputado estadual e deputado federal... Nós vamos, evidentemente, ter condições de sentar à mesa e negociar uma boa coligação que seja para o PTB. Evidentemente, também estaremos em condições de negociar um bom apoio para o PTB e que o PTB dê um bom apoio à chapa majoritária. É lógico, fazendo um bom partido, já que para as eleições de 2008 nós teremos uma base consistente para trabalhar a coligação do ano que vem, que é um prazo que temos que definir até 30 de junho. Não temos pressa para definir isso, além das filiações para quem será candidato.

- Por falar em filiação, Ricardo Ferraço vai para o PTB?

- Ricardo Ferraço, pelo que me consta, fica no PPS, caindo a verticalização. A verticalização é um projeto, hoje, que até o PT, a bancada do PT que era contra, quer, porque ajuda o PT no momento difícil que ele está vivendo. Hoje, a queda da verticalização é quase uma unanimidade, na legislação eleitoral do Brasil. Então, Ricardo Ferraço ficará no PPS, ao que me consta, caso caia a verticalização. Se não cair a verticalização, é um assunto que nós temos que conversar, até 30 de setembro, para definir o que vamos fazer.

- Que novos nomes o PTB tem para deputado estadual e deputado federal?

- Deputado federal tem um nome que será indicado por José Carlos Elias, tendo em vista o compromisso dele com o PTB. Poderá ter um nome, no sul do Estado, em Cachoeiro de Itapemirim, caso Ricardo Ferraço saia por eleição majoritária. Então, o PTB terá um nome que poderá ser Jathir Moreira, já que o 'Ferraço pai' (Theodorico Ferraço) permanece como deputado estadual em qualquer circunstância. Então, para cobrir a lacuna de Ricardo Ferraço no sul, o PTB tem condições e quadros para lançar um candidato a deputado federal de Cachoeiro de Itapemirim, pegando o sul do Estado. Nós temos possibilidades de ter um candidato a deputado federal em Cariacica e outro em Vila Velha. Termos uma cidade com candidato a deputado federal depende da aliança que vamos fazer e do apoio que teremos para Guarapari também. E, com relação a deputado estadual, os nomes novos são vários... O próprio Paulo Roberto, vice-prefeito de São Mateus... O próprio Jathir Moreira, que poderá ser candidato a deputado estadual... Um outro candidato a deputado estadual, possivelmente o vereador Mansur, em Cariacica. Hermes da Silveira, que foi o vereador mais votado em Vila Velha... Ademar Rocha, de Vitória. João Luiz Teixeira, que é vereador do PTB há quatro ou cinco mandatos, é candidato a deputado estadual. O vereador Natalino, que assumiu o PTB, na semana passada, em São Gabriel da Palha. Josias da Vitória, que é vice-presidente da Associação de Cabos e Soldados do Espírito Santo, que se lança por Colatina... Um candidato de José Carlos Elias.... Zé Renato Ferrari, que é jornalista, dono de um jornal em Nova Venécia, é candidato a deputado estadual... Um vereador, com certeza, de Guarapari... Enfim, nós temos inúmeros candidatos novos, além de Marcelo Santos, que assumiu o compromisso na Executiva estadual de que vai ficar no PTB.

- E sobre Marcelo Santos?

- Marcelo Santos vai continuar no PTB. Ele assumiu com o PTB o compromisso de continuar no PTB, desde que lhe fossem entregues a Executiva e o Diretório Municipal. Nós já fizemos a intervenção e estamos comunicando, nesta semana, ao deputado Marcelo Santos que a Executiva cumpriu o compromisso para que ele continue no PTB. E ele vai continuar.

- Como é que o senhor está avaliando a Grande Vitória e o PTB?

  
Foto: Carlito Medeiros
  
- Bom, a Grande Vitória tem o vereador mais votado do Estado, Ademar Rocha, na Capital. Tem o vereador Hermes da Silveira, o mais votado de Vila Velha. O segundo mais votado foi o vereador Mansur, em Cariacica. Na Serra, o vereador João Luiz Teixeira. Nós temos quatro posições estratégicas na Grande Vitória e nós vemos que o PTB está bem posicionado. O que nós precisamos definir aqui são as candidaturas a deputado federal, para que possamos fortalecer o PTB. Eu não terei, nem de longe, a pretensão de ter todos os votos possíveis que o PTB possa angariar para a minha candidatura. Nós temos aqui pelo menos mais dois candidatos a deputado federal para ocupar o espaço na Grande Vitória.

- A eleição para deputado federal talvez seja mais difícil do que para governador do Estado. Como é que o PTB pensa em se tratando de alianças?

- Olha, o PTB, já desde o ano passado, Ferraço, Etevaldo, Ademar, eu, temos conversado com todos os partidos, inclusive com o PT. Só que a velocidade política dos fatos nos coloca numa situação de termos que acompanhar, digerir, articular e agir. Quer dizer, nós temos que ter uma capacidade rápida porque os fatos, em função da mídia eletrônica, estão sendo colocados na sociedade brasileira com muita rapidez. O PTB, evidentemente, vai olhar sempre sob o aspecto do que é melhor para o PTB. O PTB não formula nem colocou nenhuma questão de governo, nem governos estaduais nem o governo estadual, para que o PTB pudesse ocupar essa ou aquela posição. Nós temos uma interlocução boa com o governador Paulo Hartung e temos nos identificado nos últimos tempos. Isso é indiscutível. Mas nós também temos uma boa interlocução com o ex-prefeito Sérgio Vidigal (PDT). Quer dizer, o PTB vem de uma aliança em 2002 com o PDT, com o PPS. Essas possibilidades não são descartadas, mas isso vai ser discutido num momento próprio e com a Executiva estadual decidindo comigo.