"Quem não pode o que quer, queira o que pode."
(Leonardo da Vinci )
A estratégia do PSDB para as eleições 2006 não é secreta. O presidente da legenda no Estado, o ex-prefeito de Vitória Luiz Paulo Vellozo Lucas, considera a aliança com a frente que está se formando a melhor opção. O grande objetivo dessa frente política: apoiar a reeleição do governador Paulo Hartung.
Mas o próprio governador, ao desviar as atenções da sua provável reeleição para outro foco, o Senado, lançara alguns nomes que poderiam ter seu apoio na campanha para o governo do Estado. Luiz Paulo é um desses nomes, talvez o mais próximo de Hartung, bastando lembrar da campanha do governador que teve o PSDB - e por conseqüência Luiz Paulo - como um dos principais articuladores.
Nesta entrevista a Século Diário, o presidente do PSDB não se deixa envaidecer. Diz apenas estar honrado e não trabalhar sob hipóteses, mesmo com a possibilidade de saber que teria um apoio maciço, o de José Serra, caso este seja eleito presidente da República. Para Luiz Paulo, cargos majoritários não dependem de projetos ou desejos pessoais. Ele diz que quer se lançar como pré-candidato a deputado federal. Também ainda conversa sobre prováveis nomes para deputado estadual.
Como um dos integrantes do bloco de oposição ao PT, Luiz Paulo não perde a oportunidade de alfinetar o governo Lula e o partido que o apóia. Fala em aventura petista, corrupção sistêmica, incoerência histórica... Termos que dariam aos tucanos a condição de exacerbar argumentos em torno de uma oposição 'diferente', que Luiz Paulo chama de construtiva. Aliança com o PT? Nem pensar.
Século Diário: - Nosso tema central nesta entrevista são as eleições do próximo ano. Como o PSDB está se comportando diante desse quadro?
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Foto: Carlito Medeiros
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Luiz Paulo: - O PSDB, este ano, está fazendo um grande trabalho de renovação dos diretórios municipais, realizando recadastramento e convenções em vários municípios, renovando direções provisórias também. Vai fazer a sua convenção estadual. As municipais vão até o final de setembro. Depois a estadual, e talvez a nacional, no final do ano. Todo o trabalho de renovação dos diretórios é no sentido de preparar o partido para disputar as eleições do ano que vem e também consolidar a atuação do partido nos municípios. O PSDB passou por um processo de reestruturação muito grande, diminuiu de tamanho do tempo em que ele foi governo estadual, o governo estadual que entrou em crise aguda e saíram seus principais quadros, a partir do governador, convidado... não a sair, mas seria expulso do partido... e vários de seus principais auxiliares e aliados... Então, ele ficou menor, mas ficou também com mais identidade. E ele foi reestruturado dentro do processo de realinhamento político do Estado. Ele se realinhou no bloco de forças que deu sustentação à candidatura do governador Paulo Hartung.
O PSDB foi, talvez, o principal partido de sustentação da eleição de Paulo Hartung. O PSDB liderava um grupo de partidos que não podia apoiar formalmente, por conta da verticalização do governo, mas que teve a participação institucional na campanha de televisão e apoiou a eleição do governador. Eu fui o coordenador da campanha e os principais quadros da administração estadual são filiados ao partido, particularmente na área financeira, econômica e administrativa. Então, o partido se prepara através dessas convenções, nas renovações dos diretórios municipais, para disputar e participar das eleições do ano que vem e também nos municípios nos quais elegemos o prefeito ou apoiamos o prefeito de um partido aliado. Nós estamos no governo em vinte e um municípios, com prefeito ou vice-prefeito do PSDB ou de partidos aliados. E nos municípios em que nós não estamos no governo, nós nos preparamos para disputar futuramente também a eleição municipal. É da política municipal que um partido faz a sua base. A nossa principal prioridade nas eleições de 2006 é a chapa proporcional, para deputado estadual e deputado federal. Nós... Não que vamos ficar omissos para a eleição majoritária, até porque vamos ter candidato a presidente da República. Será uma prioridade do partido organizar o palanque do nosso candidato a presidente... Nós achamos que o candidato mais forte do PSDB é o prefeito de São Paulo, José Serra. Eu fui coordenador do programa de governo de Serra, na eleição passada, e aguardo ansiosamente pela eleição do ano que vem para realizar um debate democrático sobre as propostas do PSDB e o confronto, principalmente entre o PSDB e o PT.
- O governador Paulo Hartung, ao lançar-se como candidato ao Senado, teria lançado, consequentemente, quatro nomes para a disputa a governador. Entre os nomes - César Colnago, Rita Camata e Guilherme Dias - está o de Luiz Paulo... O que o senhor diz sobre isso?
- Fico honrado ao ser lembrado pelo governador, mas eu acho que o governador Paulo Hartung teve um nível de aprovação muito alto e ele é o ponto de convergência de uma frente bastante ampla. O PSDB foi um dos primeiros partidos a defender a reeleição do governador Paulo Hartung. Naturalmente, ele pode optar pelo Senado ou qualquer outra coisa que seja do desejo dele, mas eu acho que a melhor opção para o Espírito Santo é a reeleição de Paulo Hartung.
- O seu nome seria o mais provável, já que há uma forte ligação entre o senhor e o governador.
- É muito difícil a gente trabalhar sob hipóteses, não é? Um político, mesmo sob fatos, é difícil falar. Sob hipóteses, então, é muito... É praticamente impossível você falar sob hipóteses! Eu tenho como regra nunca falar sob hipótese... (risos) Porque são tantas hipóteses que, se eu for fazer uma opinião sobre todas as hipóteses possíveis, você não trabalha... Então, nosso trabalho está definido. Nós defendemos a reeleição do governador Paulo Hartung e nossa prioridade é a chapa de estadual e federal. Nós temos convites a personalidades ilustres para entrar no partido e fortalecer nossa chapa. Na chapa de estadual, o deputado Marcelo Santos. Também nomes que vêm de uma política bem-sucedida, como é o caso do ex-prefeito de Jaguaré Evilásio Altoé, o suplente de senador Marcos Guerra... Estamos procurando filiar quadros que desejem disputar a eleição, como o ex-deputado federal e atual secretário de Estado da Agricultura, Ricardo Ferraço... É um nome que está reiteradamente convidado por nós.
Já foi do PSDB e o retorno dele aos quadros do partido seria uma das principais boas notícias para nós nesse período de filiação. O ex-prefeito de Nova Venécia Adelson Salvador... E muitos outros nomes e muitas lideranças que queiram disputar a eleição. O PSDB quer trazer aqueles que têm afinidade. Primeiro, afinidade nacional. O PSDB é um partido nacional, que governou o Brasil oito anos, tem uma linha programática clara, em favor do desenvolvimento econômico, contra todo e qualquer tipo de demagogia que procure vender para o povo o atalho inexistente de justiça social sem passar por desenvolvimento econômico, reforma do aparelho do Estado... O PSDB quer procurar trazer pessoas que tenham essa afinidade programática conosco para disputar a eleição do ano que vem. Eu estou colocando o meu nome como pré-candidato na chapa de deputado federal. Vamos ter outros candidatos, como é o caso do ex-prefeito Aloízio Santos, do ex-senador Ricardo Santos e outros nomes que se preparam, como Ricardo Ferraço... E depois do dia primeiro de outubro, depois das regras fixadas, vamos discutir as composições da chapa majoritária, sentar à mesa com os partidos aliados e discutir... governador, vice-governador, senador... coligações proporcionais, se a legislação assim permitir, com os partidos que, historicamente, têm aliança com o PSDB e que tenham identidade programática nesse momento histórico que estamos vivendo.
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Foto: Carlito Medeiros
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As alianças mudam de acordo com a circunstância histórica que estamos vivendo. O PSDB é protagonista desse momento, quer dizer, liderando a oposição ao governo do PT, uma oposição feita de uma maneira totalmente diferente da que era feita no tempo em que o PT era dito de oposição. A melhor notícia, a única coisa que melhorou do tempo do PT, é a qualidade da oposição. O PSDB faz uma oposição construtiva, apóia quem tem que apoiar do governo, vota projetos que sejam do interesse inequívoco do país em seu conjunto, mas exerce também uma fiscalização firme, dura, em relação às contradições, aos falseamentos e aos desvios de natureza ética, à corrupção sistêmica que se instalou no governo do PT, não uma corrupção igual a outras que ocorreram, uma corrupção como estratégia de poder, uma corrupção com o mote principal de alianças políticas - é uma coisa gravíssima. Eu espero que o Brasil saia dessa crise, com suas instituições fortalecidas e preparadas contra esse tipo de coisa que a aventura petista significou.