A dura realidade dos eucaliptos




Racismo ambiental e oferta de poucos e perigosos empregos para tão vultosos lucros auferidos em terras capixabas. Este é o retrato da Aracruz Celulos no Brasil e no mundo. Aqui, está sendo proposta a elaboração de uma cartilha contra o racismo ambiental.

A proposta é uma das iniciativas do I Seminário Brasileiro contra o Racismo Ambiental, realizado no Rio de Janeiro, para combater o problema no País. O Espírito Santo aparece como o principal exemplo de racismo ambiental no Brasil, devido à perseguição da Aracruz Celulose aos índios, quilombolas e pequenos produtores rurais, no norte capixaba.

A empresa foi apontada no seminário como a responsável por transformar o Espírito Santo em um exemplo pronto e acabado de racismo ambiental, desde sua instalação, na década de 60.

Em documento enviado pela Fase, ONG que reúne 257 entidades brasileiras, a especialista Tânia Pacheco, consultora do Projeto Brasil Sustentável e Democrático, afirma que a "empresa de papel no Brasil é devastadora. E que ela expulsa índios e quilombolas de suas terras". O documento diz ainda que há farta documentação comprovando os malfeitos da Aracruz Celulose, e questiona: "Por que ela agiu contra índios e quilombolas e não contra os imigrantes italianos ou outro grupo bem articulado?"

Já no plano internacional, as mortes e doenças provocadas pela Aracruz Celulose nos seus empregados estão sendo denunciadas em português, francês, espanhol e inglês. "Brasil: os empregos letais da Aracruz" é um artigo publicado no Boletim 100, de novembro, do WRM, sigla em inglês do Movimento Mundial Pelas Florestas Tropicais, que tem sua Secretaria Internacional no Uruguai.

Diz um trecho do texto: "Em todos os lugares onde a indústria da celulose e do papel opera, ela traz consigo a promessa de emprego. Lamentavelmente para as pessoas que moram na área que a indústria invade, essas promessas raras vezes trazem trabalho. Em um relatório recente para o Movimento Mundial pelas Florestas Tropicais, Alacir De'Nadai, Winfridus Overbeek e Luiz Alberto Soares registraram de que forma a Aracruz Celulose, o maior produtor do mundo de pasta de eucalipto branqueada, não tem providenciado trabalho para o povo local".

O problema da terceirização de mão-de-obra não foi esquecido. Diz o texto que a Aracruz tem aumentado a insegurança entre os trabalhadores e oferecido menores salários. Atualmente a Aracruz emprega diretamente apenas 2.000 trabalhadores.

Diante de tanto descalabro, é curioso observar como a Aracruz reage no Espírito Santo. Sem condições de argumentar de forma convincente, apela para ações judiciais, especialmente contra os jornalistas de Século Diário.

Seus advogados não sabem como contestar os fatos aqui relatados, pois não são afirmações do jornal, mas de vítimas e testemunhas dos absurdos cometidos pela empresa. O jornal apenas opina sobre eles. E a Aracruz não aceita que tenhamos opinião a respeito.

Sustenta uma das ações da multinacional contra Século Diário que nossas opiniões não têm base na realidade. A que realidade se refere o nobre causídico? A realidade na qual nos baseamos é esta, que aponta racismo da empresa contra índios, negros e pequenos agriculttores, e exploração de trabalhadores expostos ao perigo.

Esta realidade, infelizmente, jamais poderá ser contestada. É a dura realidade dos malefícios do eucalipto em terras capixabas.