A semana está sendo de um agito intenso nas hostes governistas, diante das possibilidades reais de o governador Paulo Hartung candidatar-se ao Senado. O governador deu sinais precisos nessa direção e movimentou todo mundo, a começar pelas mudanças que seriam necessárias, a partir, por exemplo, de como o vice-governador Lelo Coimbra (PMDB) encara passar apenas nove meses no governo e abrir mão de uma eleição de deputado federal.
Pois uma candidatura de PH ao Senado implica a vacância do cargo de governador por nove meses. Não assumindo o Lelo, a ocupação do cargo iria para o presidente da Assembléia, deputado César Colnago (PSDB). Admitindo que Colnago prefira manter-se candidato a deputado estadual e continuar presidindo a Assembléia, o substituto seria então o presidente do Tribunal de Justiça, cuja escolha está sendo feita hoje entre os desembargadores Jorge Góes e Maurílio de Abreu.
Mas por fora da linha de sucessão há a mão pesada do governador Paulo Hartung, que é quem vai realmente escolher o candidato e ajustar a linha de sucessão às necessidades eleitorais desse candidato. Para ele ser candidato ao Senado é necessário antes fazer um governador que respeite os seus poderes políticos. Hoje, no Estado, é ele quem indica destinos. E o galo só canta na hora que ele quer.
Nessas condições, vêm sempre à baila os nomes dos seus secretários Guilherme Dias (PSDB) e Rita Camata (PMDB), do ex-prefeito de Vitória Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), do próprio Lelo e do deputado César Colnago.
Desses, Vellozo Lucas já optou pela Câmara dos Deputados, caminho que já está fazendo também o vice-governador Lelo Coimbra. O que, de certa maneira, fortalece a candidatura do presidente da Assembléia, deputado César Colnago. Ele teria o privilégio de candidatar-se ao governo no cargo de governador, num lance típico de reeleição. Mas, em meio a esses nomes que levam o selo hartunguete, surgiu de fora o nome do deputado federal Renato Casagrande, do PSB.
Interessante, neste momento em que se passa a acreditar na hipótese de PH candidatar-se ao Senado, é que até outro dia ninguém acreditava. Principalmente os integrantes do grupo do governador. Eles eram os primeiros a não admitir. Tendo saído de um deles, inclusive, uma frase de efeito: "O governador está condenado à reeleição". Diante dessa brusca mudança, é licito indagar sobre qual teria sido o passarinho que apareceu e abriu o bico? A verdade é que abriu e assanhou principalmente os governistas. De um jeito que vai ser necessário o governador sossegar o seu pessoal para evitar atropelos e tumultos.
Fragmentos
1 - A eleição está a todo vapor Espírito Santo afora. O prefeito de Nova Venécia, Walter De Pra (PFL), com uma administração que recupera 12 anos de estagnação do município, vai fazer uma pesquisa para saber qual dos três pré-candidatos a deputado estadual será o candidato do seu grupo. Vão disputar a indicação três pefelistas, o vereador Moa, Toninho Moreira e Márcio Oliveira.
2 - De Prá está antecipando a escolha porque a oposição já tem os seus candidatos: o ex-prefeito Adelson Salvador (PMN) e Celso Campos. O ex-prefeito e ex-deputado Wilson Japonês (PMDB) não deve sair candidato à Assembléia. Ainda curte uma derrota que lhe impôs de última hora o Walter De Prá.
3 - No noroeste do Estado, o ex-deputado e atual conselheiro do Tribunal de Contas Enivaldo dos Anjos resiste ao assédio da região para sair candidato a deputado estadual. Ele tem condições legais de ser. Na condição de conselheiro do Tribunal de Contas, pode aposentar-se em abril, filiar-se a um partido e candidatar-se. Não quer. Mas até quando resistirá às pressões da região?
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