Foto: Ricardo Medeiros
|
|
| À esquerda, Wilquem Nunes Neves. |
Andar de bicicleta na Grande Vitória é uma aventura que mata cada vez mais trabalhadores. Em 2004, 13 pessoas morreram em acidentes com bicicletas. Em 2005, Vila Velha lidera o ranking dos acidentes com 161 ocorrências até julho. No mesmo período, Serra, Cariacica, Vila Velha e Vitória, juntas, somaram 363 acidentes, número próximo aos 381 registrados em todo o ano de 2004.
Os deslocamentos de bicicletas representam 4% das viagens realizadas na Região Metropolitana. Os números são do Plano Diretor de Transporte Urbano (PDTU) de 1998 realizado pelo governo do Estado. No horário de pico, no início da manhã e final da tarde, cerca de 400 ciclistas se deslocam por hora entre a Serra e Vitória utilizando a Reta do Aeroporto. A região da Codesa, em Vitória, que recebe o fluxo das bicicletas provenientes de Vila Velha e Cariacica, registra média de 300 ciclistas por hora no mesmo horário.
Todos os dias, cerca de 84 mil viagens de bicicletas são realizadas na Grande Vitória. Somente em Vitória, 18 mil viagens acontecem em média por dia.
A maioria dos trabalhadores que utilizam esse veículo não tem dinheiro para utilizar ônibus, já que o preço da passagem excluí muitos cidadãos do transporte coletivo. O pintor Wilquen Nunes Neves (foto acima), 24, morador de Jardim Carapina, na Serra, trabalha em Vitória. Ele utiliza a ciclovia da Reta do Aeroporto constantemente e tem muito medo do que o espera logo à frente. "A partir do aeroporto, andamos no meio dos carros. Já vi ciclistas sendo atropelados. A falta de ciclovias é minha maior preocupação. Tenho muito medo de ser atropelado", desabafou o pintor.
Foto: Ricardo Medeiros
|
|
| |
Gilvan Lima (foto), 20, tem a mesma opinião. O auxiliar de serviços gerais diz que é muito difícil andar de bicicleta em Vitória. "Sempre acontecem acidentes. Acho que a ciclovia deveria continuar", disse.
Segundo dados da Polícia Militar e do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), até julho de 2005 363 acidentes envolvendo bicicletas foram registrados, um aumento considerável se comparados os números aos 381 ocorridos em todo o ano de 2004, quando morreram 13 pessoas. Em 2005, quatro pessoas já morreram.
De acordo com levantamento feito pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran) com números da Polícia Militar (PM), até julho de 2005 Cariacica havia registrado 28 acidentes, a Serra 93, Vitória 81 e Vila Velha 161. Os municípios que mais contribuíram para o aumento nas estatísticas foram Serra e Vila Velha. As cidades que haviam registrado em todo o ano de 2004, 82 e 144 acidentes respectivamente, já ultrapassaram estes números em apenas seis meses de 2005. Ainda segundo o levantamento, a maioria dos acidentes ocorre por volta das 18h e atinge homens com idade entre 30 e 59 anos.
O chefe da Divisão de Projetos Viários da Secretaria de Desenvolvimento da Cidade (Sedec) de Vitória, Leonardo Leal Schulte, informou que as obras de duplicação das avenidas Norte e Sul e Fernando Ferrari já estão construindo ciclovias que beneficiarão os ciclistas que vêm da Serra. Segundo ele, o grande problema será no trecho da avenida Nossa Senhora da Penha. "Não há como fazer ciclovia ali e o trânsito já é complicado. Vamos realizar um estudo técnico para avaliar a possibilidade de desviar o fluxo das bicicletas pela avenida Leitão da Silva", informou.
As negociações iniciadas entre as prefeituras e noticiadas neste Século Diário em 28 de julho parecem não surtir efeitos práticos na melhoria das ciclovias da Grande Vitória. O projeto do anel cicloviário com 70 quilômetros, que interligará Vila Velha, Cariacica, Serra e Vitória, parece não ter fôlego para sair do papel. A maior interessada seria Vitória, já que a cidade fica no centro da metrópole e concentra o maior fluxo de pessoas, carros e bicicletas.
O resultado disso são ações isoladas das prefeituras para problemas que são de toda uma região. A prefeitura de Vitória lançou no último domingo (27) o Projeto Ciclorede em Jardim da Penha. As ações se limitam a um bairro e não têm previsão para que sejam estendidas para outras áreas. Os órgãos municipais de Vitória ouvidos pela reportagem de Século Diário disseram não ter conhecimento sobre avanço nas negociações entre os municípios e a construção do anel cicloviário.
|