O presidente estadual destituído do PCdoB Anderson Falcão pretende protocolar na próxima semana um recurso no Pleno do Comitê Central do partido. Ele afirma que o julgamento da Comissão Política do PC do B foi baseado em "inverdades". Ele acredita que sua destituição do cargo foi por conta de pessoas que tiveram desavenças no Comitê Estadual e levaram uma visão deturpada das atividades do partido.
Anderson disse que preferia resolver a questão de forma interna, mas não admite que a direção provisória diga que o partido se desqualificou e que será preciso reorganizar a sigla no Estado. Ele adiantou os argumentos que vai apresentar ao Pleno para mostrar que o partido, que tem quase cinco mil filiados no Espírito Santo, apresentou um crescimento na última eleição.
A diretoria do Comitê Estadual do PC do B sofreu uma intervenção do Comitê Central nesta segunda-feira (28). Anderson Falcão, que presidia o partido, foi afastado e em seu lugar ficará provisoriamente o médico Beto Fiorot. A comissão provisória é formada por oito membros e vai trabalhar nos próximos 60 dias para reorganizar politicamente o partido. A crise no PCdoB local já dura cerca de dois anos.
"O comitê estadual do Espírito Santo desqualificou-se para aplicar um de seus mais importantes deveres como preceitua o novo Estatuto, no seu Artigo 32, letra "d", que diz que cabe à direção estadual aprofundar a democracia interna, estimular a crítica e a autocrítica, conhecer, formar, avaliar com rigor e isenção os quadros que se encontram sob sua direção, tendo em conta o melhor aproveitamento das suas qualidades e aptidões", diz a resolução da Comissão Política Nacional.
A resolução diz ainda que apesar dos esforços apreendidos pela direção nacional, nos últimos dois anos para a superação da crise, sempre encontrou resistências caracterizadas pela falta de disposição para o diálogo. "A plenária final da Conferência Estadual transcorreu eivada de sectarismos e facciosismos, com práticas que viciaram o processo político eleitoral interno do Comitê Estadual", diz.
O comitê provisório será presidido por Carlos Alberto Fiorot e composto por André Bezerra, Oswaldo Napoleão, Antônio Carlos Vivaldi, Maurício Vilela, Ketno Lucas Santiago, Wagner Pappi e Marcelo Zummerle.
O ex-presidente discorda da argumentação. Ele explicou que O PCdoB do Espírito Santo mudou seu presidente em 8 de março de 2003 e sua direção (mantendo o mesmo presidente) em 16 de novembro de 2005. Quando recebi a presidência, o PCdoB vinha de 5 derrotas eleitorais consecutivas, estava fora de todos os movimentos sociais, só tinha eleito na eleição de vereadores anterior (2000) um vereador de uma pequena cidade do interior, Baixo Guandu, e com um recém- filiado ao partido.
Em 2004, o partido disputou as eleições em 25 municípios, com 113 candidatos a vereador, 2 candidatos a prefeito e 1 vice-prefeito. Assinaram com PT um protocolo de intenções, buscando de maneira conjunta construir coligações em todos os municípios.
Três encontros foram realizados com direções municipais e pré-candidatos (norte, sul e Grande Vitória), totalizando quase 150 participantes. Como resultado do trabalho, o partido elegeu sete vereadores no Estado e o vice-prefeito de Conceição da Barra.
O partido participa ainda de cerca de 10 administrações, com 25 Comitês funcionando. "Enquanto que antes não participávamos de mais que duas administrações e tínhamos apenas 13 municipais. Afinal, que direção desqualificada é essa?", pergunta Falcão.
Sobre a Conferência Estadual, ele argumentou que tudo foi feito dentro da normalidade e com o rigor das normas, dos estatutos e da legalidade partidária, e que mobilizou mais que o dobro de militantes em relação ao 10° congresso.
"Fora da época eleitoral, reunimos 441 camaradas em 21 municípios, mais que o dobro da conferência congressual anterior, que reuniu 210 em 13 conferências, para se discutir os documentos do Comitê Central ao 11° Congresso. E, segundo a militância que participou, a plenária final da conferência foi uma das mais democráticas e exitosas realizadas em nosso estado. Quem alega "sectarismo e facciosismo" no partido simplesmente não se dispôs a ajudar a conferência e não participou de todo o processo. Na plenária final os delegados presentes rejeitaram essas pessoas", disparou.
Destaca que houve dezenas de novas filiações. Sindicalistas, médicos, advogados, metalúrgicos e estudantes. Como o ex-deputado federal Jório de Barros e a advogada trabalhista Ancelma Bernardos.
Ele afirma que a Comissão Interventora não precisará reorganizar nada, pois o trabalho já está em andamento. Disse também que a crise se aprofundou por causa do definhamento do partido sob o comando de presidente anterior e se aprofundou porque a direção anterior passou os últimos quase três anos sabotando o partido com objetivo de inviabilizar a direção.
"Não conseguiram inviabilizar o trabalho do partido. Mas, com base em mentiras e deturpações, convenceram a direção nacional. A atual direção nacional, que se registre, é uma direção altamente qualificada, preparada política e ideologicamente. É uma direção responsável e preocupada com a integridade do partido. Mas as informações que foram disponibilizadas a ela eram falsas e deturpadas. Não observaram os quase três anos de sabotagem comandada pelo presidente anterior do PCdoB", denunciou.
Ele termina dizendo que o PCdoB é um partido democrático, ao contrário do que afirmou a comissão inventora. "O centralismo democrático é uma obra-prima, fruto do conhecimento acumulado da humanidade. O 11° congresso do PCdoB aprovou um novo estatuto. 70 mil camaradas de todo o Brasil passaram 4 meses discutindo o novo estatuto, antes de ser aprovado. Ele permite recurso, vou usá-lo. Farei valer o meu direito. Tentarei mostrar à Direção Nacional que tomaram uma decisão com base em informações inverídicas", declarou.
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