Vitória (ES), edição de 02 de dezembro de 2005    
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cinco textos sobre a arquitetura
ou
A Arquitetura Como Convocação de Todos os Saberes



Heraldo Ferreira
Atualizado toda quinta-feira, às 16 horas


Acho que já devo ter comentado na minha primeira coluna que, além de discutir e apontar os principais problemas da Cidade (o "C" maiúsculo é para que se entenda a cidade como algo mais geral e abrangente do que o conceito de "nossa" cidade), queria também usar este espaço para esclarecer alguns pontos sobre a Arquitetura e o Urbanismo.

Pois bem, dias destes esbarrei com um livro cujo título batiza a coluna de hoje. Apesar de pequeno (parece um livro de bolso, desses tipo "pocket") tinham o gigantesco objetivo de trazer "ao debate alguns aspectos relevantes da Arquitetura". É editado pela Editora da UFMG e traz cinco textos da autoria de professores do Núcleo de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo que abordam diversos aspectos que podem contribuir na divulgação do saber arquitetônico e que, direta ou indiretamente, influem no cotidiano de todos nós, seres urbanos.

Além de informar de sua existência e recomendar sua leitura, também quero propor o seguinte: apesar do livro ser escrito numa linguagem clara e relativamente fácil para os não-iniciados, ao longo de cinco colunas (provavelmente não sucessivas), vou comentar cada texto como que numa tentativa de ampliar o debate ao fazer relações entre o cotidiano e as questões que cada um dos textos trata.

De início, quero rapidamente apresentar os cinco textos: "Arquitetura e humanismo: do humanismo de ontem à arquitetura de hoje", de Carlos Antônio Leite Brandão; "Arquitetura como instrumento ético frente às tecnologias de disjunção espaço-tempo", de José dos Santos Cabral Filho; "Alguns problemas de projeto e de ensino de Arquitetura", de Maria Lúcia Malard; "Por que teoria crítica da arquitetura? Uma explicação e uma aporia", de Silke Kapp e "Horizonte tectônico e campo plástico - de Gottfried Semper ao Grupo Archigram: pequena genealogia fragmentária", de Stéphane Huchet.

No primeiro texto, o autor desenvolve o argumento de que, numa época de perda de valores sólidos e de mercantilização das relações humanas, é preciso reconquistar o "humano do homem" como única saída para uma arquitetura mais significativa e mais humanista. Cabral, no seu texto, desenvolve a idéia de que as novas tecnologia podem através da dissolução dos conceitos de espaço e de tempo como nós conhecíamos pode comprometer a própria sobrevivência da Arquitetura e do Urbanismo.

O terceiro texto, apesar de parecer só interessar aos estudantes de Arquitetura, é na verdade um desnudamento do processo de transformação de conceitos em espaços e formas além de uma crítica feroz à essa nova vertente de formação acadêmica que preconiza uma subordinação servil do Arquiteto frente ao mercado. Kapp acredita que a arquitetura contemporânea é um eficaz instrumento capitalista de extração de mais-valia e que o habitar atualmente seria uma "exaltação da família burguesa tradicional".

No último texto, Huchet disseca a relação entre Arte e Arquitetura e diz que os arquitetos, assim como os artistas, deveriam investir mais nas instâncias crítica e prospectiva.

Qualquer semelhança com o que já foi escrito aqui neste espaço é mera aproximação...

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E-mails para o colunista: acolunadoarquiteto@hotmail.com


 

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