Vitória (ES), edição de 02 de dezembro de 2005    
  Arquivo VCV:   28/11/2005       29/11/2005       30/11/2005       01/12/2005       02/12/2005       03/12/2005       Fale Conosco
Festival se rende a Nanini



Felicia Borges


De forma simples e afável o ator Marco Nanini chegou ao Hotel Senac para uma coletiva com a imprensa nesta quinta-feira (1º). Assim como foi ao chegar ao Teatro Glória, cumprimentando a todos e ovacionado pelo público. Homenageado do 12º VCV, Nanini recebeu das mãos da atriz Patrícia Pillar o Troféu Marlin Azul.

  
Foto: Divulgação
  
Nanini folheia o caderno que conta a história da sua carreira
Apesar dos muitos prêmios de melhor ator recebido na carreira, essa foi a primeira homenagem feita a Nanini por um festival de cinema. "Fiquei emocionado com a importância deste festival. Eu me sinto muito contente de estar aqui em Vitória e com essa homenagem também. Achei muito interessante essa modernidade de estar abrindo para os jovens mostrarem o seu trabalho. Quem sabe um dia eu vou trabalhar com alguém daqui quando eu ficar velhinho", brincou.

Ao ser questionado sobre a sua visão de estar recebendo um prêmio em um festival de uma cidade que não teria tanta tradição de cinema, Nanini considerou que os doze anos do Vitória Cine Vídeo mostra que a cidade está preocupada com isso. "Talvez seja melhor receber este prêmio aqui do que em um festival cheio de pompa e circunstância", disse.

O ator não se apresenta em Vitória há anos, mas lembrou que a última vez que veio ao Estado foi com uma peça no Teatro Carlos Gomes. No Teatro Glória reencontrou uma capixaba que foi sua vizinha no Rio de Janeiro, hoje com 94 anos.

O Vitória Cine Vídeo homenageou o ator, que este ano completa 40 anos de carreira, na noite desta quinta-feira (1º), no Teatro Glória. Foi entregue a Marco Nanini o Troféu Marlin Azul e o Caderno do Festival, uma edição especial dedicada a sua carreira no cinema, contando a história de vida e obra completa de Nanini, com fotos de arquivos de jornais e álbuns de amigos e familiares.

Desde 1999, o Vitória Cine Vídeo homenageia uma personalidade do cinema brasileiro. Já foram homenageados Fernando Torres (1999), Paulo José (2000), Lima Duarte (2001), Marília Pêra (2002), José Wilker (2003) e Nelson Pereira dos Santos (2004).

40 anos de Nanini

Aos 17 anos, sob a fantasia de bruxo, Marco Nanini fez sua estréia nos palcos na peça infantil "O Bruxo e a Rainha". Diante de uma platéia de trinta pessoas ele disse algumas poucas palavras e sumiu. Começava ali a carreira de um dos mais talentosos e completos artistas de sua geração, homenageado deste ano do Vitória Cine Vídeo.

  
Foto: Sérgio Cardoso
  
O ator recebe o troféu das mãos de Patrícia Pillar
Desde então, já se passaram 40 anos que esse pernambucano largou seus trabalhos em um hotel e como bancário e passou a se dedicar ao teatro, à televisão e ao cinema. No início, rodou o Brasil com o teatro mambembe. Foi aí que encontrou Dercy Gonçalves, a quem ele atribui os ensinamentos de como se fazer teatro de comédia e o deslanchar de sua carreira.

Nessas quatro décadas já experimentou de quase tudo no trabalho artístico. Marco Nanini dirige, atua, escreve e canta. Ao todo já foram 37 peças, 31 especiais, 19 novelas e 14 filmes lançados.

Marco Nanini no cinema

A estréia de Nanini no cinema foi em 1973, com "As Moças Daquela Hora", de Paulo Porto. Atuou em sucessos de bilheteria como "Lisbela e o Prisioneiro" (2003), "O Auto da Compadecida" (2000) e "Carlota Joaquina - Princesa do Brasil" (1995), filme que marca a "retomada" da produção cinematográfica brasileira.

Em "Apolônio Brasil - Campeão da Alegria" (2004), interpreta um músico que também é um compositor, e se revela como cantor. No próximo ano, o ator estréia no cinema seu 15º filme, do qual também é produtor. Uma adaptação cinematográfica da peça "Quem tem medo de Irma Vap?", estrelada por Marco Nanini e Ney Latorraca, em 1986, que ficou 11 anos em cartaz e foi vista por mais de 2 milhões de espectadores.

Essa é a terceira parceria cinematográfica do ator com a diretora Carla Camurati. "Uma das coisas que eu mais dou valor no trabalho é o encontro pessoal, o conhecimento. Nessa relação entre ator e diretor o resultado na tela é sempre melhor, é um querendo agradar o outro. A parte mais gostosa para mim é o estudo, a pesquisa. Fazer é o mais complicado. Quanto mais pesquisa, melhor será para o resultado geral do filme", fala.

Desde 1999 ("Andando nas Nuvens") afastado das novelas, Nanini construiu uma sólida trajetória no teatro e na televisão. "A novela é muito massacrante para o meu temperamento. Você tem que parar tudo. Eu gosto mais de fazer teatro e cinema. A não ser por um motivo muito forte", diz.

Atualmente ele está no ar nas noites de quinta-feira na série "A Grande Família", como o corretíssimo pai de família Lineu. No teatro, está cartaz em São Paulo com "Um Circo de Rins e Fígados", de Gerald Thomas, sua 15ª produção.Em 2006, Nanini começa a rodar o filme "A Grande Família", que levará para o cinema as aventuras da família de Lineu.

Filmografia

o Quem Tem Medo de Irmã Vap? (2005)
o Lisbela e o Prisioneiro (2003)
o Apolônio Brasil - Campeão da Alegria (2004)
o Caramuru - A Invenção do Brasil (narração) (2001)
o O Auto da Compadecida (2000)
o Copacabana (2001)
o O Xangô de Baker Street (2001)
o Amor & Cia (1998)
o Carlota Joaquina - Princesa do Brazil (1995)
o Feliz Ano Velho (1987)
o Anjos da Noite (1987)
o Teu Tua (1979)
o A Noite dos Duros (1978)
o O Roubo da Calcinhas (1975)
o As Moças Daquela Hora (1973)

E-mails para o colunista:
rod_ol@yahoo.com.br


 

Leia Também:
    
Caderno Atrações
Notícias da área cultural

Agendas
Turismo e Cultura do ES

Século Diário
Notícias do dia

Veículos
Novidades sobre o mundo automobilístico