Vitória (ES), edição de 06 de dezembro de 2005    
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Pearl Jam no RJ e SP



Oscar Vasconcelos
Atualizado toda terça-feira, às 16 horas


Antes de começar essa coluna, e longe de qualquer sentimentalismo barato, eu gostaria de dedicá-la a um carioca vítima da violência urbana desenfreada que assola essa cidade que eu tanto amo. Uma cidade desgovernada, caótica, viciada em erros fatais, e quem paga a conta somos nós. O garoto Gabriel Marighetti 19 anos foi assassinado - no último dia 18 - numa rua movimentada, próxima ao Palácio da Guanabara, em Laranjeiras. Estava na companhia de amigos e a 500 metros de casa, um "menor" de 15 anos - de quem Gabriel foi tomar satisfações na manhã daquele dia por ter assaltado seu irmão de 14 anos na véspera - se aproximou e fez o disparo. Simples assim, direto no peito. Eu gostaria que a turma dos direitos humanos fosse pro inferno, pois um marginal desses não se recupera em nenhum lugar do mundo, muito menos aqui. Ele devia receber exatamente o que deu ao Gabriel.
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Desculpem, mas estou cansado disso tudo, essas teorias... Deus... políticos... "mundo melhor"... polícia brasileira... vidros fechados... medo constante...
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Pearl Jam? Sim, dois por favor. Com catchup e mostarda, pra viagem.
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E lá fui eu para São Paulo, cidade feia e fria, porém organizada e bem estruturada para receber eventos que envolvem um grande número de pessoas. A sensação de que as coisas funcionam, apesar do famoso engarrafamento diário, é permanente.
Tranquilidade para chegar e sair do Pacaembu, nenhuma confusão visível - fora as pessoas que pularam das cadeiras/arquibancadas para a pista e acabaram causando uma super lotação, mas mesmo assim, foi bacana.
O show começou 5 minutos antes da hora marcada, céu cinza claro e três porradas de cara: "Go", "Hail Hail" e "Animal". O som excelente, limpo. Eddie Vedder fez um esforço enorme para se comunicar com o público em português durante todo o tempo, disse alguns exageros - como dizer que aquele show era melhor que em Seattle - entre uma gargalada no vinho e outra, mas valeu muito!
Entre as músicas que só vi lá, destaco Faithfull, I Got ID, Glorified G, Rearviewmirror e, a mais espetacular da noite, Porch, começando toda acústica e depois partindo pra "quebradeira".
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Após o show "aperitivo", nada melhor que conferir "em casa". Não podemos comparar a organização em Sampa e aqui porque no Rio isso não existe. É complicado chegar, desagradável permanecer e quase impossível voltar pra casa, pois não há a mínima estrutura. É como se nada de importante estivesse acontecendo na cidade. No fim todo mundo se diverte e esquece isso, mas é sempre bom lembrar.
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A Apoteose explodiu nos primeiro acordes de "Last Exit" que abriu a noite e trouxe a sequência matadora "Do The Evolution", "Save You" e "Animal", eram 40 mil pessoas pulando juntas, querendo ou não, e berrando o que podiam e/ou sabiam. Era o início de um acontecimento histórico nessa cidade, e ao fim de sua primeira fala, em português, Eddie sentenciou: "Então as escolas de samba desfilam aqui? Hoje o rock de Seattle vai desfilar!" * A partir daí, eu precisaria de muitas linhas para dizer tudo que gostaria, mas assim como a sua paciência, essa coluna também tem limites. Vou falar o que der e como der. Vamos aos melhores momentos * Para quem sabe o que estava acontecendo ali, a banda mandou "Interstellar Overdrive" do Pink Floyd - raízes baby, raízes... - antes de emendar "Corduroy". Sensacional. Eles tocaram 16 músicas diferentes das que vi em São Paulo, outro show praticamente. As músicas dos dois primeiros discos - Ten e Vs - foram inacreditáveis viagens no tempo, para mim é claro, voltei para o inícios dos anos 90 e acho que não estava sozinho * apesar de muita gente estar ali só para ouvir "Last Kiss" *. Então poder presenciar, ao vivo, "Dissident", "Even Flow", "Daughter", "Elderly Woman...", "Once" e "Alive" já é uma experiência única, agora ouvir "Blood", com Eddie Vedder estraçalhando as cordas vocais, "Black" numa versão de 10 minutos com todo mundo acompanhando e fazendo coro e "Jeremy" com o vocalista pulando do palco e correndo no meio do público, não há o que pague. Mas não foi só isso! Tivemos ainda momentos incríveis com "Leatherman", "Not For You" e "Kick Out The Jams", essa numa dobradinha com o Mudhoney, e "Don`t Gimme No Lip" com Stone Gossard assumindo o vocal. Mas nada pôde superar Mr. Vedder entrando só no palco, após o primeiro intervalo, empunhando um ukelelê (espécie de pequeno violão havaiano) para tocar pela primeira vez na turnê a belíssima "Soon Forget", ou a galera cantando sozinha a primeira parte de "Betterman" a plenos pulmões para um Eddie emocionado, ou ainda o final apoteótico que todos pensaram ser "Yellow Ledbetter" - pelo histórico das apresentações - com o solo de Mike McCready encerrando, a despedida da banda e luzes acesas, ainda tornou-se mais arrebatadora quando o vocalista pegou dois pandeiros e começaram a detonar "Baba O`Riley" - com as luzes acesas mesmo! -, porradona, alucinante, inesquecível. E o melhor de tudo é saber que de alguma forma, fiz parte disso. Eles prometeram voltar, eu já estou esperando!
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Os shows do Mudhoney eu sinceramente não gostei tanto no Rio quanto em São Paulo foram fracos.
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10 de dezembro - Parabéns Cássia Eller!

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