Tragédia anunciada





Caetano Roque da Silva


A greve dos empregados da Escelsa revela o desleixo dos dirigentes sindicais diante da terceirização da mão-de-obra. Uma situação feita única e exclusivamente para baratear mão-de-obra e enfraquecer a luta dos trabalhadores.

A greve da Escelsa desnuda esse enfraquecimento produzido pela terceirização. Isto porque os terceirizados continuam trabalhando em favor da empresa. Toda a área de manutenção da Escelsa está nas mãos deles. Furaram a greve e deram fôlego à empresa para resistir à paralisação.

Pois além dos 30% obrigatórios no trabalho, como manda a legislação, eles ainda têm todo os terceirizados. Com isso, a greve não deve estar contando com mais de 30% dos seus trabalhadores.

Mais um motivo para o sindicato rever seu comportamento com a terceirização que fazem no Estado grandes empresas como a Escelsa, Samarco, Companhia Vale do Rio Doce, CST e Aracruz Celulose. Os exemplos de enfraquecimento com a terceirização não estão somente neste caso da Escelsa. Estão em todas as outras empresas. O episódio mais recente é da CST, onde dois sindicatos entrarem em desavença por causa dos seus terceirizados: metalúrgicos e operários da construção civil.

No caso agora da Escelsa, não se pode desconhecer que o presidente do sindicato é o mesmo presidente da CUT, José Carlos Pigatti. Uma boa liderança, mas que está mal nessa questão de terceirizados. A CUT já deveria ter tomado uma vigorosa posição para acabar com essa sacanagem (não encontro outro termo para usar) dos patrões.

Eles trabalham mais barato, desmobilizam as categorias, e ainda colocam mais grana no cofre das grandes empresas. Criam também uma nova classe de ricos que são esses empreiteiros de mão-de-obra. Ganha todo mundo em cima da perda dos trabalhadores. E é ele quem leva ferro, sob olhares, infelizmente, indiferentes da DRT, onde um delegado, vindo do movimento sindical, como é o caso do Tarciso Vargas, conhece os malefícios da terceirização mas não age como deveria e poderia agir.

Não dá para entender: gente boa, boa formação, como os casos de Tarcísio e Pigatti, mas inertes diante de uma tragédia anunciada para a classe trabalhadora no Espírito Santo.