Mais 7 milhões de toneladas/ano de pelotas. É quanto a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) vai produzir com a entrada em funcionamento de sua oitava usina, em Tubarão. Alguém tem noção de quantas novas toneladas de pó de minério vão entrar na atmosfera? É certo que haverá aumento da poluição do ar na Grande Vitória (GV), mas a dimensão do estrago ainda não foi mensurada.
A CVRD já produz 25 milhões de toneladas de pelotas de minério de ferro por ano nesse que ela mesma chama de Complexo de Pelotização de Tubarão. Uma das unidades da nova usina era sucata no seu país de origem e foi remontada no Espírito Santo para poluir a Grande Vitória nos últimos 35 anos.
É diante desse imenso passivo ambiental que o Iema vai analisar o pedido da CVRD para instalar sua oitava usina em Tubarão. O comunicado oficial do órgão, publicado no Diário Oficial, diz que recebeu da empresa os Estudos de Impacto Ambiental (EIA) e o respectivo Relatório de Impacto Ambiental (Rima).
Os interessados têm prazo de 45 dias, a contar do último dia 2, para consulta ao Rima, na biblioteca do próprio Iema. E quanto ao EIA? Por que também não está disponível? O Iema não informa o porquê.
Entre os ambientalistas não há dúvida de que o pedido será atendido. No comunicado do Iema há outra informação que reforça essa hipótese: os interessados é que deverão "solicitar audiência pública" sobre o projeto.
A iniciativa, pelo que pode representar para a saúde e a qualidade de vida da população, deveria caber aos órgãos oficiais de defesa do meio ambiente. Só para o leitor Ter uma idéia do que vai representar a nova usina: a CVRD e as outras siderúrgicas instaladas na GV - Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST) e Belgo, estas duas do grupo francês Arcelor - lançam sobre o meio ambiente e moradores da região 264 toneladas/dia (96.360 toneladas/ano) de poluentes, só no ar.
Se quase 100m mil toneladas de poluentes são jogadas atualmente no ar da Grande Vitória, é razoável imaginar que com a 8ª usina da CVRD a poluição vai chegar perto das 150 mil toneladas. É pó de minério demais para uma população que praticamente não tem benefícios resultantes dos negócios da CVRD e demais poluidoras. E não é só isso. Tem mais.
Em breve entrará em atividade a terceira usina da CST, que está em fase final de construção. E outra expansão já foi realizada, esta beneficiando a Belgo, que aumentou sua produção de 300 mil toneladas para 620 mil toneladas/ano.
Produção maior, lucros maiores e prejuízos incalculáveis para o Estado e seu povo. É assim, aos olhos complacentes das autoridades, que prosperam em nosso solo os chamados grandes projetos industriais.
|