Agarrados ao vento





Rogério Medeiros


Inevitavelmente, o destino político dos Mauro - Max pai e Max filho - estará em risco nas eleições do ano que vem. A partir da condição de eles representarem, efetiva e unicamente, a oposição ao governador Paulo Hartung. O resto é aparência. O próprio governo só enxerga oposição neles e cuida deles como oposição.

A existência dos Mauro acaba criando um novo tipo de político: o morno. Um tipo que fica na periferia do governo esperando um aceno de qualidade para ser contemplado nas eleições pela contribuição que possa dar ao governo no isolamento deles.

Da mesma maneira com que os Mauro são um terror para o governador Paulo Hartung, a oposição de fachada é um terror duplo à existência política dos próprios Mauro. É evidente que a característica política deles contribui, assim como contribuiu a imperícia deles em lidar com as demais correntes políticas. Na atual conjuntura política, tendo pela frente um político extremamente competente e ardiloso, que é PH, não conseguiram, em nenhum momento, sublevar os seus colegas de oposição.

Assim, aquilo que devia ser oposição não é e não sabe ao certo quando será, como no caso específico do ex-prefeito da Serra Sérgio Vidigal, cotado para disputar o governo. Preferem o rótulo independente, uma forma velada de se diferenciar dos Mauro. Isolam eles e se credenciam para um arranjo político com o governador Paulo Hartung.

Se depender dessa oposição, que deveria ser oposição, pela relação política no Estado, os Mauro estão vendidos. E a situação dos Mauro ajuda.

Vejamos por que ajuda. Max Filho não tem mais condições de reeleição na prefeitura de Vila Velha. Deixar a prefeitura por uma candidatura, entregado-a à gente do deputado Renato Casagrande (o vice é do PSB) é fortalecer um dos políticos mais espertos do momento, embalado para arrumar uma vaga no Senado. Mas a sobrevivência de Max Filho está necessariamente em conseguir um mandato. Seja ele até de deputado federal. Sem mandato não sobreviverá na era política PH.

Já o pai está sem mandato. Conseqüentemente sem palanque. Necessita de uma candidatura à sua altura: Senado ou governo. Onde vai conseguir? No seu partido, o PDT, que pertence ao Sérgio Vidigal? É muito risco para o seu futuro. Pois ele, principalmente ele, é o grande trunfo político de que dispõe Sérgio Vidigal para se dar bem nas eleições do ano que vem.

Os Mauro, na verdade, estão agarrados ao vento, sobretudo por significarem o grande risco ao futuro político do governador Paulo Hartung. Tirar o distintivo PH da bandeira que tremula no telhado do palácio da Fonte Grande é tarefa gigantesca, mas única. Só eles podem alcançá-la. Mas a dificuldade vai estar em encontrar meios para realizá-lo. O fim pode estar se avizinhando para o feroz guerreiro, mas ele costuma enganar a hora. Enganou todos esses momentos que surgiram para ele até agora, assim como uma feroz águia se livra dos seus predadores. Mas só que essa águia tem agora pela frente um falcão peregrino, topo de cadeia alimentar, desses que ganham suas batalhas na base da emboscada.

Fragmentos
1 - A advogada Aparecida Denadai, que surpeeendeu nas eleições de Cariacica, quase ganhando a prefeitura, no PDT agora, está sendo cogitada para se candidatar a deputada federal. Aparecida é hoje no PDT uma espécie de intermediação entre o presidente do partido, Sérgio Vidigal, e os Mauro, Max pai e Max filho.

2 - Já fizeram teste de popularidade com ela em Cariacica e Vila Velha. Através de pesquisas, constataram que as condições eleitorais dela são muito boas para a Câmara Federal. Ela tem deixado muito boa impressão nas solenidades promovidas pelo prefeito Max Filho em Vila Velha.

3 - Embora a imprensa tenha divulgado que a bancada de deputados federais do Espírito Santo, à exceção da deputada Iriny Lopes, votou pela cassação de Zé Dirceu, não é esse o registro das listas feitas pelos deputados. Delas, além da Iriny, constavam também os nomes dos deputados Renato Casagrande (PSB) e Neucimar Fraga (PL).