Os capixabas, principalmente os moradores da Grande Vitória (GV), que se alertem e protestem: vem aí mais um monstro poluidor, a 8ª usina de pelotização da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD).
O pedido de licença ambiental já está em tramitação no Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema). Considerando que vai contar com os favores governamentais, a concessão da licença é certa.
Com o empreendimento, a CVRD aumentará sua produção no que chama de Complexo de Pelotização de Tubarão em 7 milhões de toneladas/ano, passando a produzir 32 milhões de toneladas por ano de pelotas de minério de ferro.
A CVRD é vezeira em poluir e sofismar. Uma de suas usinas já era sucata no seu país de origem, quando foi desmonta e remetida ao Espírito Santo. Polui a Grande Vitória há 35 anos, juntamente com seis outras pelotizadoras da CVRD. Agora, ao anunciar sua 8ª usina, o presidente da empresa, Roger Agnelli, que não tem nenhum compromisso com as causas ambientais, sofisma: será a última unidade da companhia em Tubarão, pois a área já está saturada. Conversa fiada: a empresa vai instalar 12 usinas poluidoras nesta área.
A CVRD, juntamente com outras siderúrgicas instaladas na GV, a Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST) e Belgo, estas duas do grupo francês Arcelor, lançam sobre o meio ambiente e moradores da região 264 toneladas/dia (96.360 toneladas/ano) de poluentes, só no ar.
Com a 8ª usina da CVRD a poluição certamente vai aumentar. E aumentará também pela 3ª usina da CST, que está em fase final de construção - a produção passará de 5 milhões de toneladas anuais, para 7,5 milhões de toneladas por ano de placas e bobinas de aço (a nova planta permitirá que a produção chegue a 8,4 milhões de toneladas por ano) - e com a expansão já realizada na produção da Belgo, que permitiu à empresa aumentar sua produção de 300 mil toneladas para 620 mil toneladas/ano.
As 96.360 toneladas/ano de poluentes lançados no ar pela CVRD, CST-Arcelor e Belgo-Arcelor prejudicam o meio ambiente. Ao todo, são 59 os tipos de gases lançados, sendo 28 altamente nocivos à saúde, sem contar os poluentes particulados, inclusive com micropartículas, como as PM-2. Estes poluentes afetam a saúde de mais da metade da população da região.
Os poluentes provocam as mais diferentes doenças na população da Grande Vitória. Entre elas, vários tipos de câncer, doenças alérgicas e respiratórias. Provocam ainda queda de imunidade às doenças.
A poluição custa caro aos moradores da Grande Vitória: R$ 100,00, por ano por pessoa. Ao longo das operações de suas usinas, as Companhias Vale do Rio Doce (CVRD), Siderúrgica de Tubarão (CST -Arcelor) e Belgo - Arcelor provocaram doenças que exigiram da população e dos governos o investimento de R$ 3,7 a R$ 4,4 bilhões para tratamento de saúde.
Se tudo isso é verdade, como a garantia de licença à empresa por favores do governo e o elevado custo da poluição para a população, por quê os capixabas devem estar atentos e se manifestar no licenciamento da 8ª usina da CVRD?
A resposta é simples: sem mobilização da sociedade, à frente os ambientalistas não vendidos às empresas, a CST não seria obrigada a se comprometer a instalar uma usina de dessulfuração para suas duas primeiras fábricas, como condicionante para implantar sua 3ª usina. A empresa, que teve lucro líquido de R$ 1,62 bilhão só em 2004, para economizar escassos R$ 130 milhões (custo aproximado da usina), polui a região da GV com gases derivados do enxofre por mais de duas décadas.
Capixabas: a hora é, pois, de alerta e de participação!
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