Na coluna passada, combinamos (ou melhor, combinei) que, de forma esporádica e não consecutiva, estaria apresentando os textos que compõe o livro que estou lendo ultimamente: Cinco Textos sobre Arquitetura. O primeiro texto intitula a coluna de hoje e é de autoria de Carlos Antônio Leite Brandão, professor de História da Arte e da Arquitetura da Escola de Arquitetura da UFMG e mestre e doutor pela mesma Universidade.
Como nosso espaço é curto, vou deixar de lado a primeira parte, que é um apanhado da evolução do conceito de "Humanismo" desde a Grécia até Brasília, segundo o autor (e eu faço coro), a "última cidade e república que projetamos", e me concentrar na última.
Para o autor, "pensar a arquitetura e o urbanismo implica (...) reavermos a capacidade de imaginar futuros modelos de homem, sociedades e cidades que lhes sejam convenientes e condizentes ao que devemos ser." Ou seja, mais que disciplinas técnicas e construtivas, elas têm um conteúdo social e político.
Essas duas disciplinas devem ser sempre pensadas para atender não somente o homem "real", mas sobretudo ao homem "ideal". Quando esquecemos do primeiro, os edifícios e as cidades se tornam especulação vazia e quando esquecemos do último, estes perdem a sua capacidade primordial de formar-nos e transformar-nos e se tornam "elitistas", "pragmáticos", "burocráticos" ou "cronistas sociais".
Num contexto de insegurança cultural da população em geral, os edifícios e espaços públicos ou privados devem ser produzidos como elementos de formação de uma nova consciência, como objetos de cultura e difusão de conhecimento, onde a submissão à formalismos com predomínio dos valores de mercado fartamente utilizados e reproduzidos pela iniciativa privada dá lugar à economia, à precisão, ao rigor e à universalidade.
O uso de formas elementares, pouco ornamentadas e figurativamente neutras, às vezes confundido com pobreza visual, na verdade, visa uma maior legitibilidade, acentua a identidade visual e formal e possibilita sua permanência com dignidade e utilidade.
"(...) quando uma atividade chega a ser tão supérflua para a cultura atual como é a arquitetura, não há nenhuma desculpa para não se aspirar à excelência." Helio Piñón
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