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Foto: Divulgação
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O diretor Lars von Trier segue com sua reinvenção da história americana. Depois de "Dogville" (2003), que surpreendeu os críticos com uma nova maneira de fazer cinema, os capixabas podem conferir a continuação da trilogia. Em "Manderlay", estréia da semana no Cine Metrópolis, o confronto continua.
No longa, são repetidos o cenário marcado no chão, a personagem Grace e o narrador. Após ter conhecido a decepção e a vingança, Grace (interpretada por Bryce Dallas Howard, pois Nicole Kidman não conseguiu incluir o trabalho dentro de sua agenda) retorna.
O filme começa em 1933, quando ela deixa a cidade de Dogville com o pai mafioso (Willem Dafoe) e seus homens. Eles seguem em direção ao sul dos Estados Unidos, passando por uma cidadezinha do Alabama.
Em uma antiga fazenda no local, Grace descobre uma estrutura escravagista em pleno funcionamento mais de 70 anos após a abolição da escravidão. Chocada com a situação, ela resolve intervir com a ajuda dos capangas de seu pai, e acaba ficando no local. Como meta, ela deseja impor a liberdade no local e ainda implantar um modelo de democracia.
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Foto: Divulgação
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O lugar é comandado por Mam (Lauren Bacall), uma velha proprietária branca, que morre quase em seguida à chegada de Grace. No leito da morte, ela pede a jovem que queime um livro, com o registro de todas as cláusulas autoritárias daquela fazenda, chamado "Lei de Mam", que codifica os escravos em números por tipos de personalidade e determina a vida na comunidade.
Com a morte da matriarca, Grace assume o comando, extinguindo a escravidão e instalando uma nova organização social. A "Lei de Mam" é substituída pela "Lei de Grace", estabelecida sobre os conceitos da liberdade, da igualdade e da fraternidade que, ao final, ela mesma ditou.
Como em Dogville, Grace é uma mulher que ainda acredita que o ser humano é inerentemente virtuoso e que, sob as condições ideais, uma sociedade justa e igualitária pode ser desenvolvida. A diferença fundamental é que, se em Dogville ela adotou uma postura passiva e se submeteu como cobaia de sua própria experiência sociológica, agora Grace assume o controle e se torna parte ativa do exercício, estabelecendo regras de conduta para todos os demais.
"Manderlay" (Dinamarca/ Holanda/ Inglaterra/ Suécia/ França/ Alemanha; 2005; 139 min) é o segundo filme da trilogia do diretor dinamarquês Lars von Trier, por ele intitulada "EUA - Terra de Oportunidades". O primeiro foi "Dogville" (2003) e fecha com "Washington", que tem previsão de lançamento para 2007.
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Foto: Divulgação
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| O diretor Lars von Trier com a atriz Bryce Dallas Howard
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O diretor
Lars von Trier diplomou-se em 1983 pela Escola Dinamarquesa de Cinema. Sua primeira obra é "Orchidégartneren" (1977). Durante a década de 80 produziu alguns filmes, vídeos e séries para televisão, mas o reconhecimento só veio a partir de 1991 quando gravou "Europa" e recebeu o Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes.
Um dos fundadores do movimento Dogma 95, um coletivo cinematográfico, von Trier se destaca por sua ousadia acima da média, tanto em termos estéticos quanto temáticos. Apesar de manter, sob certos aspectos, a linha que propôs, foi ele próprio um transgressor do movimento e não deixou que suas obras se limitassem àquelas premissas.
Algumas características, no entanto, ainda se mantêm ao longo de sua filmografia. Por exemplo, os movimentos de câmera bastante bruscos, com imagens "tremidas" e "mexidas" e a edição que faz, quase sempre apelando para cortes também muito bruscos. A intenção do movimento era criar novas possibilidades que não reduzissem a produção cinematográfica ao modelo estandardizado de Hollywood. O Dogma 95 nasceu para provar que qualquer pessoa pode pegar uma câmera e fazer um filme.
Em geral seus filmes trabalham dramas humanos e chamam particular atenção para o comportamento humano quando os indivíduos são colocados sob condições especiais, são provocados, postos à prova ou em situações-limite. Situação que acontece em "Ondas do destino", em "Os idiotas" e em "Dançando no Escuro", filmes da "Trilogia do Bom Coração". O mesmo acontece em "Dogville" com o dilema final de Grace, a quem parece perguntar até onde vai a capacidade dela de perdoar.
Um dos projetos do excêntrico, e assumidamente cheio de fobias, Lars von Trier é filmar durante 33 anos três minutos por dia em algum lugar da Europa. A previsão para o fim deste trabalho é 2024.
Horários
"Manderlay" tem sessões às 18h20 e às 20h40, no Cine Metrópolis, Ufes. Ingressos a R$8 e R$4 (fim de semana) e R$6 e R$3 (segunda, terça, quarta e quinta).
Clique aqui para ir ao site oficial de "Manderlay"
Clique aqui para assistir ao trailer do filme
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