Levado pelo senador Magno Malta e o deputado federal Neucimar Fraga, ambos do PL, o ex-prefeito da Serra e presidente do PDT regional, Sérgio Vidigal, tem visitado prefeitos no interior do Estado. E sempre da forma mais discreta possível. Ou na casa do prefeito ou em lugares que não produzam interpretações políticas equivocadas.
Tratando-se de prefeitos, a abordagem exige cautela e discrição. A quase totalidade deles, excetuando-se os da Grande Vitória, ou estão com o governador Paulo Hartung ou andam próximos de estar. A estratégia dos dirgentes do PL regional não é mais do que apresentar um nome alternativo e de boa qualidade para disputar o governo.
Especialmente numa hora em que a tendência do governador Paulo Hartung anda mais para o Senado. A jornada dos três acaba sendo um grande difusor dessa possibilidade de o governador trocar uma eleição de governador pelo Senado. Acaba também sendo uma estratégia de antecipação do que está para vir a acontecer, em meio a desejos dos prefeitos em reeleger o governador Paulo Hartung.
Por outro lado, mostra um PL premeditando um processo e praticamente definindo-se quanto a um provável apoio a Vidigal. Mas com um pé atrás, pois o Vidigal é o elo fraco de uma corrente política que se forma para disputar o poder no Estado. Isto porque a estratégia dele está diretamente ligada à definição eleitoral do governador Paulo Hartung.
A entrevista que a mulher de Vidigal, a deputada estadual Suely Vidigal(PDT), deu a Século Diário, neste fim-de-semana, traduz bem a indefinição do marido. Principalmente na hora em que ela diz que o PDT terá candidato ao governo. Que tanto pode ser Vidigal como o ex-governador Max Mauro ou o filho dele, o prefeito de Vila Velha, Max Filho. Mas quando chega no Senado e a repórter indaga se existe compromisso com Max Mauro, ela não diz que sim.
Aí é que reside realmente o âmago da questão. A fuga do Vidigal numa decisão do governador em sair para a reeleição. Disputar o Senado e enquanto essa definição não vem de PH, ele se porta como candidato a governador e vai se relacionando com um campo político ainda relativamente desconhecido dele, que são as lideranças políticas fora das fronteiras da Grande Vitória.
Fragmentos
1 - O grampo na Rede Gazeta foi a suprema ousadia do Guardião, instrumento que o secretário Rodney Miranda introduziu no Estado a pretexto de combater a criminalidade. Além da violação das regras republicanas, o que é mais temeroso para qualquer cidadão, há de se considerar, também, neste caso a insegurança da polícia quanto à sua apuração do crime que vitimou o juiz Alexandre Martins Filho. A escuta na Rede Gazeta não seria outra senão a de patrulhar o noticiário do jornal no seu afã de esclarecer um controvertido crime. Quem garante que as fontes da Rede Gazeta não foram pressionadas ou coagidas pela polícia?
2 - É necessário, portanto, levantar quantas dessas fontes foram coagidas ou pressionadas pela polícia. Importante para aquilatar o grau de violência que o Guardião pratica contra liberdade individual. E a sociedade civil organizada precisa se manifestar, como já fez o presidente da OAB, Agesandro da Costa Pereira, para encerrar a atividade desse malfadado instrumento de terrorismo policial.
3 - É necessária também a mea culpa da imprensa. Em tempos em que a modernidade equipou as telefônicas em condições de exercer este papel, não se poderia concordar que o Estado possuísse o seu próprio instrumento de escuta, legalizando a clandestinidade do grampo que potencializa o intervencionismo que sufoca os cidadãos.
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