A eleição no Sindicato dos Trabalhadores em Celulose (Sinticel) é um bom e necessário exemplo a ser discutido, de como os dirigentes de tendência de esquerda se engalfinham abrindo espaço para a direita tirar proveito da situação.
Vejam o que anda acontecendo nele. O sindicato, até 2003, era dirigido pela tendência Articulação de Esquerda, com a participação direta da Unidade na Luta. Depois de 2003, tomou conta do sindicato o pessoal ligado à Unidade na Luta. Aí há o racha.
A Articulação de Esquerda começou a tumultuar a vida do sindicato, o que culmina com uma inesperada assembléia autorizando uma nova eleição. A esquerda, quando briga com a esquerda, é suicídio coletivo.
Como está a eleição hoje? Ela foi antecipada para janeiro. Estava marcada para abril. Os candidatos são os da briga: pela Articulação de Esquerda, o Sapão (ninguém conhece ele por outro nome); o da Unidade na Luta é o atual presidente, Osmar. O Osmar com poder na mão, outro dentro da fábrica fazendo política. Certeza de uma coisa: não vão juntar nunca, o que só serve aos interesses da empresa.
Até quando nós vamos assistir a essa autofagia da esquerda? O que passa pela cabeça de um Sapão ou de um Osmar da Costa? Eles não se dão conta de que estão num sindicato que tem como grande empregador uma multinacional poderosa como a Aracruz Celulose. Que destrói impunemente o meio ambiente, que tem os seus eucaliptos em cima de terras indígenas e de quilombolas.
É muita insensatez diante de uma empresa gananciosa que só pensa em lucros e mais lucros. Que nesse sentido do lucro está promovendo a desqualificação da categoria, operando fábrica e campo com mão-de-obra alugada.
Qual é a dessas tendências? Também está na hora de a CUT agir. Está na sua hora, Pigatti. A omissão nesse caso fortalece as centrais pelegas e de direita. Ou ele interfere como dirigente de central sindical, sem olhar o lado da tendência, ou a vaca vai pro brejo. Vaca no brejo é mão-de-obra alugada no lugar de trabalhador qualificado.
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