Brasília - O governador Paulo Hartung se saiu bem com a fórmula Martinelli para o lugar do Rodney Miranda na Segurança. Agora, se estancou a crise com a mudança, é outra coisa. O tempo dirá, mas a verdade é que a indicação de Martinelli soou como quase uma unanimidade.
A oposição não bateu palmas, mas também não teve como estrilar. Empacou no nome. A Assembléia também se curvou. O que, aliás, não é novidade nenhuma porque ela sempre foi obediente ao palácio da Fonte Grande. A impressão é que o perigo reside ainda nos bastidores das polícias Civil e Militar, onde as controvérsias permanecem. Eram todas as escutas autorizadas ou existiam realmente as clandestinas?
Ao reconhecer sua voz num dos cds do grampo de "A Gazeta", a advogada de um dos acusados na morte do juiz Alexandre Martins Filho acende as suspeitas da existência das clandestinas. Fez crescer a suspeita dela e agitou os meios políciais.
Considere-se que os interesses eleitorais estão há muito aflorados e vigilantes quanto aos movimentos do governador Paulo Hartung. Que, como um Ronaldinho Gaúcho, em matéria de desempenho político, passou esse tempo todo fazendo gol de placa. Mas nessa partida agora não fez nenhuma gol e foi ajudar a defesa, onde nunca atuou bem.
Aqui em Brasília, onde deputados federais e senadores estão de malas prontas para voltar ao Estado numa boa temporada política, quem não está torcendo, nesse caso do grampo, por um final infeliz para o governador, subiu na arquibancada para apreciar o jogo. Com exceção do senador Gerson Camata (PMDB), que continua agitando a bandeira PH.
Diante desse quadro morno, continua prevalecendo ainda a boa posição político-eleitoral do governador. A ponto de ele ocupar os cargos majoritários, governo e Senado, sem dizer qual efetivamente disputará, segurando o jogo eleitoral. O que faz na frente de todos, podendo-se dizer que o grampo, no campo político, está relativamente contido.
Fragmentos
1 - Abstraindo o linguajar usado pela deputada - que é sua marca característica -, não há como discordar do ponto de vista da Brice Bragato sobre a tentativa de alguns deputados de fazer voltar à Assembléia o pagamento de vantagens em boa hora extintas, como auxílio-paletó.
2 - Com a imagem desgastada pela denúncia da Receita sobre o envolvimento de deputados com pagamentos irregulares do chamado esquema Lineart, soa como suicídio político esse esforço. A não ser que eles já se considerem mortos politicamente e tenham desistido da reeleição.
3 - De qualquer maneira, faz bem o presidente César Colnago em resistir à pressão para colocar o projeto na pauta de votação. Quanto mais não seja para fechar o ano legislativo sem esse novo desgaste.
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