As luzes celebrando a cristandade e a boa vontade entre os povos já estão brilhando em muitas casas, enquanto uma guerra estúpida continua ceifando vidas no lugar onde mais se reza no planeta. Paz e amor é a mensagem do Natal.
Um efeito colateral das festas natalinas é o excesso de quilos ganhos com o excesso de festas, e o escesso de gastos perdidos com o excesso de presentes. Neves de algodão num calor de 40 graus, lojas lotadas e longas filas. As luzinhas esse ano estão piscando maiores e mais coloridas.
A moda desse natal são imensos bonecos infláveis para adornar a entrada das casas ou as varandas. Papai-noel, anjo, globo com paisagens e neve caindo, renas. Mau gosto e exagero sempre andam de mãos dadas. Onde guardá-los, passada a euforia do fim de ano? Mesmo infláveis, quando reduzidos a um simples monturo de plástico barato, ocupam lugar no espaço.
O amigo X, o amigo oculto, o amigo indeterminado, o amigo incerto e não sabido. Tudo serve de desculpa para se dar e receber presentes, benvindos ou malvindos, úteis ou nem tanto. A preocupação maior é não dar no próximo ano o presente recebido no ano anterior para a mesma pessoa que o deu.
Mas nem tudo são trevas e excesso de colesterol na festa máxima da cristandade. Em quase todos os locais públicos, como escritórios, salas, lojas, bancos, ao lado da infalível árvore de natal, tem sempre uma caixa para recolher doações. Não perecíveis, por favor. E elas se enchem com facilidade. Alguma coisa do espírito natalino ainda não se perdeu de todo.
Com um ano cheio de tragédias e furacões, não falta quem dê e não falta quem precise receber. Os anjos anunciam a boa nova. A economia caiu, os empregos encolheram, a violência aumentou, mas mesmo assim compramos as passagens para 2006 com as esperanças renovadas. Paz na terra!
|