Vitória (ES), edição de 16 de dezembro de 2005

Sem clima para votação, deputados vão
ficar sem jetom e auxílio-paletó



Renata Oliveira
Foto capa: Ricardo Medeiros


Uma coisa ficou bem clara na declaração feita nesta quinta-feira (15) pelo presidente da Assembléia Legislativa, César Colnago (PSDB/foto), após a sessão: ele disse estar disposto a não colocar o projeto que traz de volta o auxílio-paletó e o jetom na pauta das sessões extraordinárias que serão convocadas nos próximos dias. Mesmo porque não há clima favorável à votação.

O que enfraquece a matéria é o fato de os deputados denunciados por participação no esquema Lineart terem assinado o projeto: Rudinho de Souza (PSDB), Zé Ramos, Gilson Gomes e José Tasso (PFL), Fátima Couzi e Marcos Gazzani (PTB) e Luiz Carlos Moreira (PMDB. A aprovação da lei não pegaria bem para a Casa, que tem na pauta quatro abonos de servidores para serem votados, além de cerca de 10 projetos do governo.

Os deputados "grevistas" estão decididos a não votar os projetos do governo, muito menos o Orçamento de 2006. Nos corredores o comentário é que, tentando conquistar o apoio dos servidores, eles ofereceram um abono maior, de R$ 1,5 mil, do que os R$ 500 que estão na pauta.

O deputado César Colnago tenta contornar a crise, dizendo que continua tranqüilo. Na verdade, Colnago sabe que o motim não prejudica a sua imagem e só piora a dos deputados amotinados. O governo também não parece estar disposto a intervir. O primeiro Orçamento do governo de Paulo Hartung foi aprovado em março de 2003, ou seja, não há tanta preocupação.

Enquanto os deputados grevistas pressionam a Mesa Diretora, Colnago convoca sessões extraordinárias, o que para os deputados denunciados pela Receita Federal é possibilidade de funcionamento da Comissão Especial de Inquérito (CEI), o que pode significar prejuízo para alguns.

Mas o que se comenta nos corredores da Assembléia é que as vantagens pleiteadas pelos parlamentares seriam, para alguns deputados, a forma mais eficiente de não sair da Assembléia com as mãos abanando. Isto porque a expectativa é a de que muitos dos nomes da lista de deputados que assinaram o requerimento do projeto de lei estariam cumprindo seu último mandato, ou seja, sem chances de reeleição.

Participaram do boicote os deputados Sérgio Borges e Luiz Carlos Moreira, do PMDB; Gilson Gomes, José Tasso, José Ramos e Heraldo Musso, do PFL; Cabo Élson, José Esmeraldo e Euclério Sampaio, do PDT; Rudinho de Souza, Mariazinha Vellozo Lucas e Geovani Silva, do PSDB; Marcos Gazzani e Fátima Couzi, do PTB; Robson Vaillant, do PL, e Edson Vargas, do PMN.