O Sindicato dos Ferroviários do Espírito Santo e Minas Gerais (Sindfer- ES/MG) promete radicalizar até a próxima convenção coletiva, em julho, "caso a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) continue comprimindo o movimento sindical." - afirmou presidente da entidade. Mais de mil trabalhadores teriam sido vinculados a outros sindicatos, pela própria Vale.
Esta seria uma das manobras para prejudicar os empregados. O Sindfer está reunindo documentos para entrar com ação na Justiça do Trabalho até o início de janeiro. "Há uns dois anos vinha acontecendo isso. Só que era um movimento gradativo, para tentar fazer com que os trabalhadores não entendessem o que estava acontecendo", afirmou o presidente do Sindfer, João Batista Cavaglieri.
A diretoria da empresa, segundo a entidade trabalhista, estaria remanejando operários de determinados setores e definindo novos cargos. "Muitos operários foram vinculados a categorias representadas por sindicatos que não conseguem avançar em qualquer tipo de reivindicações. O sindicato dos técnicos da empresa, por exemplo, foi o que mais absorveu gente, e é o que mais perde benefícios para os trabalhadores", disparou.
Estas e outras demandas dos trabalhadores foram discutidas em cinco assembléias realizadas nesta quinta-feira (15) no portão de entrada do Porto de Tubarão.
Atualmente, em todo o País, 21 entidades sindicais representam cerca de 20 mil operários. O Sindfer representa uma base formada por 5 mil empregados - 60% deles são sindicalizados. Neste segundo semestre quase 370 novos associados se filiaram ao sindicato.
PLR
"Em termos de remuneração, ela (Vale) vai muito mal", afirmou Cavaglieri. Uma comissão formada por dez pessoas, entre representantes sindicais (3), representantes eleitos pelos trabalhadores (5) e da empresa (2), vai se reunir no próximo dia 21 para discutir novas formas de pagamento do benefício de Participação nos Lucros e Resultados (PLR).
Os trabalhadores querem que o pagamento seja antecipado e unificado. O benefício referente ao lucro da empresa em 2004 foi pago no dia 24 de março deste ano. O movimento sindical quer que a data de pagamento seja antecipada para 15 de fevereiro.
Em março, os quase 5 mil empregados de Espírito Santo e Minas Gerais receberam valores equivalentes a até 4,5 mil salários - o pagamento foi diferenciado. "Alguns receberam o equivalente a dois vencimentos, outros três e por aí vai. Queremos que isso seja unificado", disse o presidente do Sindfer.
A intenção dos trabalhadores é receber pelo menos sete salários, sem diferenciação por categorias. Quem ganha o piso, estipulado em R$ 700,00, receberia R$ 4,9 mil. Aqueles que têm vencimentos de R$ 1.000,00 seriam beneficiados com R$ 7.000,00, e assim sucessivamente.
Até o fechamento do terceiro trimestre deste ano, a empresa lucrou quase R$ 8 bilhões. A expectativa é que o lucro feche 2005 acima dos 10 bilhões - praticamente o dobro do lucro do ano passado.
Uma das alegações da empresa, por exemplo, é a elevação de até 70% do valor do minério no mercado internacional nos últimos meses. Em contrapartida, os executivos sustentam que a produtividade da empresa não teria alcançado as metas estabelecidas e que teria ocorrido déficit no rendimento dos empregados ao longo deste ano.
"A empresa sempre estipula metasexorbitantes para apresentar a mesma desculpa e não dividir o bolo com a mão-de-obra", concluiu o presidente do sindicato dos trabalhadores.
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