Vitória (ES), edição de fim de semana
 
Hartung para o Senado ou o governo
'A população o quer governando mais 4 anos'





Cristina Moura


"Prudência não é nada além de experiência".
Thomas Hobbes


Mesmo entre a sua equipe administrativa, o governador Paulo Hartung encontra aliados contrários ao seu projeto de reeleição. Um deles é José Eugênio Vieira, secretário Extraordinário de Articulação com os Municípios. O secretário quer falar da importância de preservar a saúde do governador e admite que uma candidatura de tal envergadura demanda um certo desgaste físico.

Acontece que, nas palavras do secretário de Estado, a população do Espírito Santo não recebeu muito bem a possibilidade de uma candidatura de Hartung ao Senado. O projeto de reeleição não é mais do governador: já estaria transcendendo, talvez, um projeto pessoal. É a população que assina embaixo.

Nesta entrevista, o leitor terá a oportunidade de conhecer a opinião e a avaliação, sobre as eleições 2006, de uma das figuras mais próximas do governador. José Eugênio também analisa como está o termômetro nos municípios do interior. Faz um balanço discreto, fala da possível oposição e tenta organizar as cartas na mesa. Apesar de sugerir que ainda é cedo para criar expectativas.

Século Diário: - Secretário, como o senhor avalia, até o momento, os preparativos para as eleições 2006?

  
Foto: Apoena
  
José Eugênio: Bom, eu colocaria sob dois ângulos. Primeiro, acho que está muito cedo para discutir eleição. Essa é a tônica do governo do Estado. Toda a sociedade capixaba tem conhecimento de que o Estado se encontrava mal na parte financeira, administrativa e gerencial. Quando o governador Paulo Hartung foi eleito, a meta para os quatro anos era organizar e sanear as contas orçamentárias e financeiras do Estado. Isso acabou acontecendo antes do prazo previsto, uma vez que se imaginava um cenário de quatro anos para fazer esse equilíbrio. Em abril de 2005, o Estado tinha uma dívida de um bilhão e trezentos milhões aproximadamente, havia liquidado todo esse passivo, além de manter regularmente em dia a administração de 2003 até 2005. Isso propiciou que o Estado passasse a ter poupança, para fazer investimentos com recursos próprios, além de solicitar recursos junto ao BNDES, Banco Mundial e outras entidades de crédito. Com esse acerto, a gente trabalha assim: você tem uma escala de um a dez, diz que pretende atingir de um a cinco. Aí, qual é a expectativa das pessoas? Como elas sabem que aquele cenário é ruim, então elas lhe dão o crédito para trabalhar com aquele cenário ruim. Se você consegue atingir a meta antes do tempo, as pessoas, de uma maneira geral, não se conformam que você atinja de um a cinco, elas querem que atenda de um a dez, o que é impossível. Você não consegue fazer uma química dessa. Então, por isso eu acho que o Estado hoje não pode estar se preocupando com eleições. Tem que se preparar, mas, de uma certa forma, não pode colocar como ponto principal de suas atividades a questão política. Acho ainda muito cedo. Obviamente, o Estado não pode se descuidar. Tem que estar se ajustando, se preparando, se arrumando... Mas ainda é um cenário de muita especulação, que as pessoas colocam o nome no cenário para ver as repercussões e nós ficamos na retaguarda observando tudo isso, analisando as informações para, no momento oportuno, fazermos a ação política.

- O senhor disse que é 'cedo', mas minha função aqui é perguntar. O senhor acredita que o governador seja candidato à reeleição?

- Eu, se fosse o governador do Estado, não seria candidato à reeleição. Acho que é muito desgastante. O próprio governador teve problemas de saúde e superou, graças a Deus. Nesses quarenta anos de vida pública, trabalhei com sete governadores, Ocupo pela nona vez uma secretaria de Estado. Com todo o respeito aos governadores com os quais trabalhei, nunca vi uma capacidade gerencial e política igual à de Paulo Hartung... Tive essa experiência com ele, quando foi prefeito de Vitória, ocasião em que fui secretário municipal, mesmo assim, até em respeito à sua família, por tudo o que eles passaram, a doença, as dificuldades iniciais para equilibrar o Estado, eu não seria candidato. Obviamente, sua família também desejaria isso. Temos conversado e o governador às vezes fica reticente em ser ou não candidato à reeleição. Mas acho que a questão da candidatura do governador Paulo Hartung à reeleição não é dele mais. Isso é uma decisão das lideranças políticas e da população. É o que sentimos hoje no Estado. O governador Paulo Hartung não terá outra saída, senão a reeleição. Essa reeleição virá de baixo para cima.

- Mas ele não estaria sozinho nesse páreo. Há uma oposição se formando.

- Como estava falando, é muito cedo para pensar na política, mas o cenário que a gente imagina é que ele terá adversários. Isso não nos inibe nem nos deixará inibir. Eu chamaria, assim, de uma pressão esse clamor popular pela sua reeleição porque basta andar nas ruas, na Grande Vitória, no interior, é o sentimento que a gente vê e ouve, da maioria esmagadora das lideranças políticas e parte da população, pela reeleição do governador Paulo Hartung.

- Até na Grande Vitória, que já tem algumas lideranças que se dizem opositoras, como em Vila Velha e na Serra? Ou é o do interior essa vontade maior?

  
Foto: Apoena
  
- A gente sente aqui também. É só você andar. Eu ando muito, acompanhando o governador Paulo Hartung. O sentimento é esse que estou lhe falando. Trabalhamos com pesquisas para avaliar o governo e a avaliação da pessoa do governador é extraordinária, e do governo é muito boa. Esse sentimento também passa pela Grande Vitória. Obviamente, que imaginar que vai haver uma eleição sem oposição, ninguém imaginou isso. Agora, os que hoje se colocam como adversários possíveis à reeleição do governador Paulo Hartung têm passado pela prefeitura da Serra e pela prefeitura de Vila Velha. E com todo o respeito, não vejo nenhum problema de hoje criticar o governo em algumas ocasiões. Isso é natural. Vamos citar o caso específico da Serra. O prefeito Vidigal levou oito anos para fazer uma boa administração. Nem por isso todos os problemas da Serra foram resolvidos. Hoje, o prefeito Audifax, que é meu amigo, pessoa que admiro muito, está fazendo um grande trabalho, uma grande administração... Ele enfrenta problemas seríssimos na Serra. Na área de educação, saneamento, trânsito, que se acumularam, gerando problemas, ao longo dos anos. Até por uma política nacional e mundial, de concentração urbana nas grandes cidades. Para se ter uma idéia, cinqüenta por cento da população do Estado do Espírito Santo está centralizado na Grande Vitória. Isso faz com que os problemas se avolumem da noite para o dia, numa velocidade fantástica, sem que a administração pública, seja ela estadual ou municipal, disponha dos meios para atenuar e corrigir essas situações de curto e médio prazos. A mesma coisa em Vila Velha. Hoje, o prefeito Max Filho também faz uma boa administração. Temos uma relação de amizade também muito boa, com o pai, e com ele... Mas nem por isso Vila Velha deixa de ter problemas nem deixará de tê-los após o mandato de Max Filho. Acho que é preciso muito equilíbrio para examinar essas coisas, atacando aqueles pontos que são necessários. Esperar que os candidatos venham em clima de respeito. A tônica do governo, é não ficar atacando os adversários. Temos trabalhado administrativamente com esses municípios sem correr o risco de prejudicar a população porque ela não tem nada a ver com as divergências políticas.