Inércia e medo





Caetano Roque da Silva


Cada vez mais fica clara, especialmente para este comentarista, a necessidade da reforma sindical. Cada vez mais assisto os dirigentes sindicais, sem distinções, presos às velhas regras e se segurando nos sindicatos. O Espírito Santo é bem significativo, apesar do seu pequeno tamanho territorial. Aqui estão localizadas as multinacionais mais poderosas deste País.

Aqui eles conseguem burlar tudo, exatamente porque as regras já estão inteiramente superadas e são responsáveis também pela desmobilização das categorias. Essas multinacionais, hoje, não têm quem ponha freios nelas. Com a base fora do debate, as decisões vão para uma mesa de dirigentes sindicais desarmados e empresas armadas. Temos exemplos recentes como os ocorridos na CST.

Eleição nos sindicatos é do jeito que eles querem. Daí se assistir a essa avassaladora terceirização da mão-de-obra na Aracruz Celulose, na CST, na Vale do Rio Doce, na Samarco, Belgo Mineira e Escelsa. Principalmente nessas, que são as principais.

Essa terceirização é um absurdo, porque ela é feita da forma mais calhorda possível. Vai tirando o trabalhador sindicalizado e pondo um profissional barato e desqualificado no lugar. E tudo isso por falta de ação sindical e negligência da própria DRT. A DRT assiste a tudo de camarote, como se nada tivesse a ver. Seeria bom perguntar a eles se vão responder como respondiam nos governos conservadores. Diziam: o governo não se mete na relação sindical. Os sindicatos são livres.

Enquanto essa reforma não vier, a tendência é a situação do trabalhador piorar, o dirigente sindical permanecer no cargo sem poder de fogo, a categoria se desmobilizar cada vez mais e o patronato crescer em cima dos direitos dos trabalhadores.

Agora, de minha parte, que venho do movimento sindical combativo, é triste ver a derrocada de companheiros que estiveram comigo na luta para tirar os pelegos da vida sindical. A inércia deles, o medo das assembléias, as concessões ao patronato, principalmente quando se trata de multinacionais, deixam os velhos sindicalistas, como eu, com um gosto amargo de derrota.