O prefeito de Aracruz, Ademar Devens (PDT), acha que, por não citar nominalmente a Aracruz Celulose, sairá incólume do crime ambiental que está prestes a cometer: um novo desvio das águas do Rio Doce.
Em curta nota oficial, Devens usa o pretexto de que quer aumentar a "disponibilidade hídrica nas várzeas do rio Riacho nos municípios de Aracruz e Linhares e desassoreamento do canal Caboclo Bernardo, no município de Aracruz". Mas o desvio é para beneficiar a Aracruz Celulose, a exemplo do que fizera o antecessor dele, Cacá Gonçalves.
Cacá está sendo processado judicialmente por crime ambiental. O mesmo destino deverá ter Ademar Devens se o Ministério Público permanecer atento a esse tipo de manobra.
Na nota, a prefeitura de Aracruz "torna público que requereu ao Iema - Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, através do processo nº 22417168, renovação da Licença de Operação nº LO GCA/SAIA/nº 283/2005/Classe IV, para a atividade: adução de água do rio Doce ...". A justificativa é o tal aumento da disponibilidade do rio Riacho.
A prefeitura de Aracruz vai mais longe ainda: quer aumentar a disponibilidade hídrica no município de Linhares, como se pudesse legislar ou conceder favores a outro município.
Trata-se de atitude que não disfarça seu real propósito. E cujo desdobramento configura prática de crime ambiental contra o Rio Doce. O mesmo tipo de crime praticado pelo antecessor de Ademar Devens, Luiz Carlos Cacá Gonçalves (então no PSDB). O antigo prefeito responde a processo na Justiça Federal por sangrar o rio Doce apenas para beneficiar a Aracruz Celulose.
Nesse crime, houve o envolvimento de outra autoridade, o então secretário de Estado para Assuntos do Meio Ambiente Ambiente, o biólogo Almir Bressan Júnior. Juntos eles violaram a lei e agrediram o meio ambiente só para beneficiar a empresa de celulose, e respondem a processos na Justiça Federal.
Nota-se no comunicado da prefeitura de Aracruz o propósito mal disfarçado de não envolver a Aracruz de forma direta. Devens não faz nenhuma referência à Aracruz Celulose, mas está claro que o projeto beneficia a empresa, que vai aumentar a produção de suas três fábricas, localizadas em Barra do Riacho.
O Ministério Público Estadual deve entrar fundo nessa questão. Não se admite que crimes dessa natureza ocorram em seqüência, como os assassinatos em série. O Rio Doce e a sociedade capixaba merecem mais respeito.
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