Jogo mais sem graça




Geraldo Hasse


A harpa de Luiz Bordón anuncia
a hora do balanço natalino. Negativo.
Ou vancê pensa que nesses minutos
finais ainda dá para virar o jogo?
Não se iluda, companheiro: o Lula lá
termina o ano feito o Coringão,
campeão com ajuda do juiz,
amargurando a torcida brasileira.
E para completar o espetáculo,
olhe que festa mais sem graça:
o São Paulo volta de Tóquio
sem merecer vitória ou taça.

Caminhando e cantando a canção,
nesse crepúsculo de dois mil e cinco,
aproveite a paz das ruas para admirar
a explosão das cores dos flamboaiãs.
Sim, o verão está atrasadinho mas
embarque na garupa das ciclistas
que pedalam nas ruas da cidade
rebolando tatuagens nunca vistas.

Quanto mais jovens, mais expostas:
meninas, moças, velhas, senhoras
passam com seus pneus inflados,
mochila nas costas, pernas de fora.
Circulam de bike não por esporte
mas para economizar o do transporte.
Já nem domésticas ganham do patrão
o trocado pra pegar o busão.

Antes de rir ou chorar da situação
console-se premeditando o breque:
dentro de noves meses as urnas dirão
quantos canalhas levarão xeque-mate.

ghasse@th.com.br